<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817</id><updated>2012-02-16T03:07:32.549-08:00</updated><title type='text'>Os filhos de Raven</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>41</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-3867399683555567210</id><published>2010-03-16T05:52:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T05:54:52.195-07:00</updated><title type='text'>Os filhos de Raven - Cap.VII - Parte V</title><content type='html'>No meio do reino algo reluzia, um brilho forte que se distinguia no céu. Atraído por esse objecto, um corvo mergulhou por entre as casas e resgatou-o. De seguida mudou de direcção, voando até à Caverna de Luath.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha rainha - um soldado entrava na sala do trono - tem uma visita para si.&lt;br /&gt;- De quem se trata? Estou sem paciência nenhuma.&lt;br /&gt;- Arus Razza. - respondeu o soldado - E diz que não sai dali antes de falar consigo.&lt;br /&gt;A rainha lançou um olhar de reprovação a Rómulo que estava estático do lado direito do trono, suspirou e com a mão deu ordem para que Arus entrasse.&lt;br /&gt;- Bom dia, minha rainha. - atirou Arus Razza secamente - Tenho algo para lhe mostrar - a sua mão direita estava escondida atrás das costas.&lt;br /&gt;- Porque me perturbas a paz tão cedo, Arus? - questionou a rainha - Vens agradecer-me por ter acabado com a vida daquela fétida?&lt;br /&gt;Arus sorriu e mostrou o que tinha escondido.&lt;br /&gt;- Deslumbre-se. - na sua mão direita segurava um corvo sem vida, a sua mão apertava com força o pescoço do animal - A minha paz foi perturbada ontem por dezenas destas animais nojentos. Seres comandados por você sabe bem. Muito depois da sua suposta morte. Vai contar-me o que aconteceu ou prefere continuar a enfadar-me com mentiras?&lt;br /&gt;A rainha suspirou.&lt;br /&gt;- Pois bem. Mereces saber. - fez sinal para que Rómulo desse um passo em frente - Conta-lhe!&lt;br /&gt;Arus Razza olhava para Rómulo com desprezo, enquanto este se limitava a pronunciar :&lt;br /&gt;- Falhei.&lt;br /&gt;- Está rodeada de inúteis, minha rainha. - afirmou o nobre - É neles que confia a sua vida?&lt;br /&gt;Alessandra levantou-se do trono e encaminhou-se para Arus. Frente a frente. Olhos nos olhos.&lt;br /&gt;- Ajuda-me a resgatar o meu filho. - pediu - Assim que ele voltar para casa juro-te que mato a bruxa com as minhas próprias mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto o corvo curioso chegou à  caverna com o objecto que havia encontrado e, pousando, no ombro direito de Ofélia, deixou o objecto cair nas mãos da bruxa. Esta analisou o objecto e não evitou uma expressão  de surpresa.&lt;br /&gt;- O medalhão de Azhar... - arregalou os olhos e subitamente na sua mente apareceu o rosto de um homem com um uma expressão de ódio, uma imagem que permaneceu somente alguns segundos, antes de Ofélia voltar à realidade para observar melhor o medalhão  &lt;br /&gt;-Será verdade ou somente uma lenda? Será que eles sabem? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num corredor menos percorrido pelas pessoas do palácio, Rómulo e Elara cruzaram-se. O soldado sorriu enquanto ela fez um ar de insatisfação. Rómulo encostou-a à parede e sussurrou-lhe ao ouvido.&lt;br /&gt;- Quando quiseres...estarei no meu quarto. Todas as noites a minha porta estará aberta para ti. - disse o homem largando-a em seguida - Até logo - e saiu de perto da mulher. Esta seguiu-lhe os passos com o olhar e assim que este saiu do alcance da sua vista fechou os dois punhos e a sua expressão tornou-se dura.&lt;br /&gt;- Sinto demais por ti, soldado. Não o posso. Sentimentos são o primeiro passo para uma derrota. Não vou perder tudo. Não agora. Se voltar a teu quarto não irei sozinha, levarei comigo uma adaga para cravar no teu coração antes que algo se crave no meu e não possa mais voltar atrás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arus Razza voltou para sua casa onde continuava a pensar na proposta da rainha. Ficara de dar uma resposta no final da tarde. A verdade é que estava inclinado para o sim. Sabia da vontade da rainha e sentia que esta estava a falar a verdade. Na verdade Alessandra também não morria de amores por Ofélia e por isso seria até um prazer tratar do assunto. O nobre sorriu. A rainha tinha-se afirmado sem margem para dúvidas, quem pensasse que o reino ficaria mais fraco com a morte do rei estava muitíssimo enganado. As coisas continuavam na mesma ou até piores para os adversários do reino. Arus afastou os pensamentos já com tudo decidido na sua cabeça e percorreu a casa à procura da filha mas esta não se encontrava lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não percebo muito bem o rumo que as coisas estão a tomar. - afirmou Isis - Queria poder contar-te mais mas ainda nem tenho a certeza do que se passa. A bruxa não morreu, isso é certo. Mas isso tu já sabias. Voltarei a casa e questionarei o meu pai sobre a decisão que quer tomar. Ao final da tarde encontramo-nos de novo aqui para que te possa contar.&lt;br /&gt;O vulto que estava com ela tinha um capuz para que ninguém o reconhecesse. Assim que Isis acabou o que tinha para dizer os dois sairam daquele local por caminhos separados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-3867399683555567210?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/3867399683555567210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=3867399683555567210' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3867399683555567210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3867399683555567210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2010/03/os-filhos-de-raven-capvii-parte-v.html' title='Os filhos de Raven - Cap.VII - Parte V'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-6133095415090979562</id><published>2009-11-23T12:09:00.001-08:00</published><updated>2009-11-23T12:10:19.365-08:00</updated><title type='text'>Capítulo VII (Parte IV)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrou no palácio de Agaloth como a nobre que era, altiva e serena na sua etérea distância. Perante os que a contemplavam, ela não era simplesmente a senhora dos condenados, era Calana Westraven, nobre das linhagens superiores, possível pretendente ao trono de Lithian. E foi como tal que foi recebida. Aiden Thornblack enviara servos e cortesãos para a receber com a devida glória, enquanto se preparava para conhecer a senhora que Mordechai Gray descrevera como a luz de Lithian.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando as portas se abriram para permitir a entrada de Amara na sala do trono, havia um sorriso nos seus lábios e uma elegância quase soberana nos seus gestos. Tinha a postura das deusas e das rainhas e, ainda que habitasse num dos mais esquecidos povos de Agaloth, havia sido reconhecida como senhora perante os olhos dos banidos e dos fugitivos de Lithian. Aceitavam as suas ordens e serviam-na com devoção. E tanto ela como o próprio senhor de Agaloth sabiam que, ainda que parte dessa fidelidade se devesse aos tiranos irresponsáveis que governavam o seu território natal, parte devia-se à nobreza e graça majestáticas de Calana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sede bem-vinda, senhora. – saudou-a o rei, erguendo-se do seu trono para a receber. Calana, por sua vez, avançou alguns passos, curvando-se diante de Aiden numa vénia profunda, tão graciosa como impassível na sua soberba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Majestade… - cumprimentou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O vosso mensageiro – declarou o rei – disse-me que tendes assuntos a discutir comigo. Como devereis imaginar, há muito sei que Varin se transformou no refúgio dos vossos, mas também sabeis que não tenho qualquer simpatia pelos Raven, pelo que a vossa presença no meu reino não me perturba de todo. Mas vindes até mim, e algo me diz que precisais de mais que a minha indiferença.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amara assentiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Assim é. – concordou, passando depois a explicar ao rei de quem esperava passar a depender o que sucedera com a sua missão em Vareil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Evidentemente fracassámos. – concluiu – Mas a verdade é que tenho um elemento poderoso nas minhas mãos e, caso estejais disposto, na vossa benevolência, a ajudar-nos, tereis também o devido benefício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Deveras? – perguntou Aiden – E que benefício é esse?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Da nossa conspiração em Lithian – explicou Amara – ficámos com alguns prisioneiros. Um deles é o meu irmão Caledon. Sabereis certamente dos motivos do meu exílio e compreendereis o meu desejo de vingança. Pretendo executá-lo com as minhas próprias mãos, mas desejaria fazê-lo dentro das normas, e essas não mo permitem a não ser que reconheçais a minha autoridade em Varin.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aiden sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quereis ser senhora de uma pequena vila? – observou – Não são muitas as vossas ambições.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quero ser senhora de Lithian. – replicou Amara – Mas uma coisa de cada vez. Para o conseguir, precisaria do vosso apoio. Sem ele, eu e os meus somos somente um grupo de exilados contra o peso de um reino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Verdade. – concordou o rei – Varin é vossa, independentemente do que eu diga. Quase nenhum dos seus habitantes pertence a Agaloth, não é verdade? Posso oferecer-vos os direitos sobre aquele território. Sois uma nobre e confesso que me agrada a perspectiva de saber Caledon morto. Afinal, ele seria um obstáculo na vossa pretensão ao trono…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Saberei saldar as minhas dívidas para convosco, majestade, – prometeu Amara – se for bem sucedida nos meus intentos. A morte de Caledon será apenas um capricho pessoal, uma vingança… dolorosa, se possível, que acontecer servir os meus objectivos. Mas tenho mais que isso para os oferecer. O outro prisioneiro é Adhemar Raven.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rosto do rei moldou-se numa máscara de espanto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tendes um Raven na vossa posse? – exclamou, incrédulo – Não me surpreende que preciseis da minha protecção. Não haverá um soldado em Lithian que não tenha sido enviado em vossa busca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amara sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Felizmente, - disse – até ao momento os sobreviventes não sabem da nossa existência. Mais cedo ou mais tarde, contudo, vão descobrir. Nesse momento, precisaremos de uma força que nos apoie, ou estaremos condenados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O príncipe herdeiro dos Raven… - murmurou Aiden, pensativo – Trata-se de um trunfo valioso. Mas tende-lo em Varin? Não é pouco seguro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Assim é. – assentiu Amara – Mas são os meios de que disponho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já não, senhora. Se vos vou fazer governante de um território de Agaloth, então tereis à vossa disposição todos os meios que o reino achar por bem ceder-vos. Tendes a protecção do exército real e o acesso aos edifícios do reino. Inclusive o forte de Varin.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amara fitou Aiden, incrédula. O forte abandonado, fechado desde que o território perdera a maioria dos seus habitantes para cidades melhor estabelecidas, era um dos edifícios mais seguros e protegidos de Agaloth.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sois muito generoso. – observou – O que desejareis de mim em troca?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Lithian é uma ameaça para mim. – explicou o rei – Há muito que os Raven procuram uma desculpa para entrar em guerra com Agaloth, pois precisam de aliados para nos vencer. Quero que me apresenteis o motivo que eles precisam para partir contra nós. Quando executardes o vosso irmão… guardai um pouco de tempo e livrai-vos, perante o mundo, da vida de Adhemar Raven.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Soran entrou na cela de Caledon como quem visitasse um moribundo. O seu rosto, fechado e austero, parecia deixar antever um qualquer obscuro laivo de compaixão e havia na forma como olhava em seu redor algo de pesar. E, quando os seus olhos encontraram o corpo trémulo e encolhido do cativo, o seu rosto pareceu cobrir-se de tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Caledon. – chamou, atirando-lhe as roupas que recuperara – Veste-te, antes que morras de frio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os olhos do prisioneiro ergueram-se para fitar o seu benfeitor. Ao reconhecer o seu captor, contudo, não pôde evitar retrair-se no seu minúsculo canto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Faz o que te digo. – insistiu Soran – Ou serás orgulhoso ao ponto de insistir num castigo desnecessário?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trémulo e vacilante, Caledon obedeceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Porquê? – perguntou, fitando o lorde com uma expressão surpresa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Soran suspirou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Trouxe-te até aqui – respondeu – porque estou do lado de Amara no que toca ao teu julgamento. O que tu fizeste não tem perdão e não serei eu a censurar a tua irmã no dia em que ela se quiser livrar de ti. Mas isto… Parece-me demasiado, até para ti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ela não me vai poupar a nada. – murmurou Caledon, mais para si que para o seu visitante – Odeia-me demasiado para isso. Vai manter-me no limiar da loucura, atormentar-me até ao limite do insuportável… e vai continuar a recusar-me a morte, por mais vezes que lha suplique.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabes que lhe deste razões para isso. – observou Soran.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sei. – admitiu o prisioneiro – Claro que sei. Mas não o consigo suportar… Eu não…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fadenbran, por favor… - pediu, prostrando-se aos pés do lorde – Ela não o fará, mas vós… Podeis libertar-me desse tormento. Tende piedade de mim e acabai com a minha vida. Sabeis como ela sabe que mereço a morte, mas isto… Isto ninguém merece!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Soran fitou-o, como se não soubesse o que fazer, ou o que dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Caledon… - respondeu – Sabem os deuses que, uma vez na vida, concordo contigo. Mas não posso fazê-lo… Simplesmente não posso trair a confiança de Amara. Não posso ser eu a recusar o seu direito sobre ti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se seguiu perturbou a alma de Soran até aos seus confins mais secretos. Diante dos seus olhos, Caledon Westraven chorava convulsivamente, resignado ao seu destino, mas demasiado perdido no medo para poder controlar a sua expressão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Farei por ti o que puder. – disse, sentindo que o jogo de que, até ao momento, fizera parte se estava a tornar demasiado cruel – Mas a decisão final não me pertence.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caledon não respondeu. Já não o via, perdido na estranha loucura de um homem atormentado, de alguém que esperava a morte e, sentindo-a tão perto, não a podia tocar. E enquanto Soran saía, deixando o prisioneiro perdido na sua angústia, havia uma voz na sua cabeça que não cessava de repetir:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não devias ter feito isto. Não deverias ter prolongado ainda mais a sua dor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A voz de Delenia era como um sussurro na escuridão, chamando o seu nome por entre as vozes que o rodeavam. Poucos momentos antes ouvira gritos desesperados vindos do exterior e perguntava-se se lhe estaria reservado um mesmo destino de medo e de dor. Mas a mulher que o traíra e o trouxera até ali chamava o seu nome nas sombras e ele reconheceria aquela voz em qualquer lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que queres de mim? – perguntou Adhemar, erguendo-se apressadamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Delenia entrou na cela, trazendo nas mãos uma vela acesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quero justificar-me. – respondeu, fitando o príncipe com uma expressão dolorosa – Não pretendia aproveitar-me da tua confiança para te capturar. Na verdade, se tivesse obedecido, neste momento estarias morto, mas… A verdade é que não consegui cumprir com o que me havia sido destinado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adhemar fitou-a, incrédulo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E porque mo dizes? – perguntou – Que te importa o que me acontece agora? Já não te pertence a decisão de vida ou morte, podes viver com a consciência tranquila.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Delenia tentou responder, mas as palavras não saíam. Temia o que o seu coração gritava dentro de si, temia que, caso lho dissesse, as consequências pudessem ser terríveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não foi para salvar a minha consciência. – admitiu, incapaz de controlar as emoções – A verdade é que… Sinto por ti o que nunca senti por ninguém. Não sais da minha memória desde que te vi naquele dia. Não consigo libertar-me de ti, e não é só porque me sinto culpada do que quer que te espere. É porque… Porque tenho sentimentos fortes por ti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adhemar riu, um riso sinistro, vazio de emoções, perdido no silêncio da sua prisão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Amas-me? – perguntou – Então porque permites que continue aqui? Porque não me libertas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Delenia tentou responder, mas ele interrompeu-a.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não respondas. – disse – Eu sei que não o farás. Traíste-me, mas nunca o farias ao teu pequeno povo. Nunca… Porque eu sou só um e estou condenado, mas eles vingar-se-iam de ti até ao fim dos tempos. Ou talvez porque acreditas na pretensa nobreza dessa mulher a quem segues. É irrelevante. Mas não te atrevas a dizer que tens sentimentos por mim, quando nem sequer tens coragem para escolher o teu próprio caminho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;» Deixa-me. – pediu – Por favor, desaparece. Deixa-me aceitar o meu fim com a dignidade que ainda me resta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Delenia assentiu. Depois, como uma estátua que de súbito ganhasse vida, deixou a cela, para se refugiar no seu pequeno espaço. Espaço que em breve deixaria para não voltar nunca mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-6133095415090979562?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/6133095415090979562/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=6133095415090979562' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6133095415090979562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6133095415090979562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/11/capitulo-vii-parte-iv.html' title='Capítulo VII (Parte IV)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-2646519166269748057</id><published>2009-11-16T07:32:00.000-08:00</published><updated>2009-11-16T07:33:31.601-08:00</updated><title type='text'>Capitulo VII (Parte III)</title><content type='html'>A noite já ia longa quando Rómulo se deitou para tentar descansar algumas horas. Fechou os olhos mas abriu-os novamente de forma brusca. Tentou de novo, mas não conseguiu. Cada vez que tentava adormecer a imagem da mulher que acabava de assassinar multiplicava-se na sua mente, uma e outra vez, como milhões de imagens diferentes que se sobrepunham. Levantou-se, o seu corpo encharcado em suor. Andou nervosamente pelo quarto, tentando esquecer o que tinha acontecido, enquanto repetia para si próprio que era um assassino, que não era a primeira vez que matava alguém. Porquê aquele sentimento? Que soldado digno desse nome poderia sentir pena? Repetiu para si próprio com um ar de desprezo “pena”. Porque se sentia assim? Estaria a idade a amolecê-lo? Os seus pensamentos foram interrompidos quando bateram à porta.&lt;br /&gt;- Quem é?&lt;br /&gt;- Elara. Abre.&lt;br /&gt;O soldado dirigiu-se à porta e abriu-a devagar.&lt;br /&gt;- O que se passa princesa? Alguma urgência?&lt;br /&gt;Elara mandou-o afastar-se, entrou no quarto e fechou a porta.&lt;br /&gt;- Muitas vezes me serves como princesa que sou, hoje quero que me sirvas como mulher que sou – despia-se lentamente – Pois acima de tudo é isso que sou. Acima de qualquer cargo que tenha. Acima do estatuto com que nasci…sou mulher. E hoje desejo-te.&lt;br /&gt;Rómulo abraçou-a com força. Elara sorriu.&lt;br /&gt;- Bem sei o quanto me desejas.&lt;br /&gt;Os lábios dos dois aproximaram-se.&lt;br /&gt;- Apaga-me este fogo que tenho dentro de mim – suspirou Elara – Faz-me tua esta noite.&lt;br /&gt;Rómulo tentou beijar a princesa, mas esta colocou o dedo indicador em cima de seus lábios.&lt;br /&gt;- Calma, valente guerreiro. Tanta pressa…&lt;br /&gt;- Quero-te! – exclamou o homem.&lt;br /&gt;Elara sorriu e deu-lhe uma chapada.&lt;br /&gt;- Quem és tu para me merecer? – afastou-se – Quem pensas que és? – sorriu – Pobre inútil.&lt;br /&gt;Rómulo passou a mão pela face e aproximou-se da princesa, encostou-a com violência contra a parede e arrancou-lhe a pouca roupa que restava.&lt;br /&gt;- Pois sabes que me desejas. Por isso vieste cá hoje. Por isso estás aqui esta noite. Provocas-me porque sabes que te quero. E sabes que me queres. Quantas noites passaste acordada a sonhar com isto?&lt;br /&gt;- Deixa-me! – exclamou Elara – Deixa-me senão vais-te arrepender!&lt;br /&gt;Rómulo beijou-a mesmo perante a sua recusa. Pouco a pouco, a princesa deixou de resistir e correspondeu a um beijo forte que lhe tirou o fôlego.&lt;br /&gt;- Tu sabes que me desejas. – afirmou Rómulo – Tu sabes.&lt;br /&gt;Elara recuperou do beijo e cuspiu na face do homem. Este sorriu e beijou-a novamente. Deitou-a na sua cama e possuiu-a com raiva, tal como dois animais no cio.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arus Razza dormia com um sorriso estampado na cara quando o barulho de uns vidros a estilhaçarem o fez despertar. Foi a grande velocidade para a sala onde já se encontrava a sua filha. Seguiu o olhar assustado desta e deu com dezenas de corvos voando em círculo perto do tecto. Os vidros da sala estavam todos partidos e o barulho que os animais faziam era ensurdecedor. Subitamente os corvos começaram a alinhar-se desenhando uma palavra…”Viva”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-2646519166269748057?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/2646519166269748057/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=2646519166269748057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2646519166269748057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2646519166269748057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/11/capitulo-vii-parte-iii.html' title='Capitulo VII (Parte III)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-3392081546795432358</id><published>2009-10-25T10:40:00.001-07:00</published><updated>2009-10-25T10:41:05.611-07:00</updated><title type='text'>Capítulo VII (Parte II)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquela manhã, o povo de Varin acordou com um sorriso nos lábios e muitas expectativas no coração. Havia sido espalhada a notícia de que, naquele dia, Amara seria recebida pelo rei de Agaloth, e que, como a nobre que em tempos fora, a sua senhora negociaria com ele uma aliança. Eram, pois, muitos os que se haviam reunido em frente à casa de Amara, onde os que, entre os seus, haviam sido escolhidos para a acompanhar, não esperavam senão a sua senhora para partir na sua augusta missão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dos seus homens de confiança, Amara escolhera Mordechai para a acompanhar, não por predilecção, mas por utilidade. O antigo lorde tinha espírito de diplomata e prova disso fora a rapidez com que lhe conquistara aquela audiência. Não deixava, contudo, ninguém para segundo plano e, na sua ausência, seria Soran Fadenbran, o seu consorte, a tomar as decisões que se revelassem necessárias, com a sempre sábia ajuda de Andros, o seu velho mestre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém estava preparado, contudo, para o que viram quando a porta da casa se abriu. Tanto os soldados que a acompanhariam, como as gentes do povo e até os nobres a fitaram, boquiabertos, quando Amara surgiu, bela e esplendorosa como a estrela da manhã. O majestoso vestido de veludo escarlate moldava-lhe as formas na perfeição e a sua pele pálida e sublime brilhava sob a luz do sol, contrastando com o brilho dos seus cabelos cuidadosamente penteados numa suave cascata. Descendente de reis, aquela não era apenas Amara Morningstar, senhora dos condenados. Aquela era Calana Westraven, e tinha o porte imperial da senhora que devia ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um momento, Amara fitou-os com solenidade, o seu rosto fechado uma máscara de altiva calma. Depois, um suave sorriso desenhou-se no seu rosto e todo o espaço pareceu ficar ainda mais luminoso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Independentemente do que vedes, - disse, percorrendo o seu povo com um olhar terno – eu continuo a ser uma de vós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma imensidão de aplausos ergueu-se da multidão. As palavras da senhora aqueciam o coração das gentes, pois viam que, sob o luxo de que se cobrira para impressionar o rei das terras que ocupavam, Amara continuava a ser a mesma mulher que lutara e lutaria pelas suas vidas e pela sua liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nós sabemos. – replicou Andros, quando os aplausos silenciaram – Nunca duvidaremos de quem és,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amara assentiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Deverá ser curta a minha ausência, - prosseguiu – mas, para tudo o que for necessário, deixo a minha autoridade nas mãos do lorde Fadenbran.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por favor, Amara… - interrompeu este – Eu já não sou um lorde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amara estendeu-lhe a mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Para mim és. – respondeu. Depois, lançando um último sorriso ao seu povo, prosseguiu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Devo partir. Mas antes, Soran, e se não te importares, poderias acompanhar-me à carruagem? Existem algumas indicações que gostaria de te transmitir sobre os nossos… convidados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-3392081546795432358?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/3392081546795432358/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=3392081546795432358' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3392081546795432358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3392081546795432358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/10/capitulo-vi-parte-vi.html' title='Capítulo VII (Parte II)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-1752819130736783741</id><published>2009-09-29T06:37:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T06:39:09.413-07:00</updated><title type='text'>Os filhos de Raven - Cap.VII - Parte I</title><content type='html'>Rómulo caiu no chão sem aviso, cuspindo sangue pela boca e passou o braço pelos lábios para se limpar, olhando em seguida para a rainha. Nos olhos dela uma mistura de ódio e desprezo centravam-se no soldado. &lt;br /&gt;- Inútil! Como pudeste falhar algo tão fácil? E acima de tudo que comandante cobarde és tu que abandonas quem te serve com receio da morte? &lt;br /&gt;- Vossa majestade… - Rómulo levantou-se lentamente – Nada me satisfaria mais que a morte daquela mulher…mas não consegui…&lt;br /&gt;- Perderás os teus caprichos, Rómulo. Deixarás de passear livremente pelo castelo. – afirmou a rainha – Deste momento em diante és apenas mais um simples soldado, nunca mais capitanearás nada! Nem um simples conjunto de moscas! &lt;br /&gt;- Como vossa majestade ordenar. – resmungou o soldado virando costas – Como quiser.&lt;br /&gt;- Pára! – A rainha gritou ao mesmo tempo que fazia sinal a dois soldados para o agarrarem. Aproximou-se do soldado e com a unha do dedo mindinho da sua mão direita rasgou um centímetro de pele na face de Rómulo. O sangue escorreu pela face adiante, acumulando-se no queixo, de onde seguia gota a gota para o chão do castelo. &lt;br /&gt;- Miserável…que seja a última vez que me viras costas! – exclamou a rainha – Larguem-no. &lt;br /&gt;Os dois soldados obedeceram e deixaram Rómulo, que olhava para o chão envergonhado. &lt;br /&gt;- Olha para mim! – exigiu a rainha – Nunca desvies os olhos da rainha! &lt;br /&gt;Rómulo obedeceu. &lt;br /&gt;- Preciso que entregues alguém a Arus. Ele precisa de acreditar que a bruxa está morta para partir em busca do meu filho. Queima o corpo de forma a que não seja reconhecível. – explicou a rainha – Posso confiar em ti para esta missão ou também falharás? É que se falhares não há mais perdão! E não será só com a descida de posto que precisarás de preocupar-te!&lt;br /&gt;- Não, minha rainha. – respondeu Rómulo – Em duas horas, um corpo queimado estará diante da porta de entrada do senhor Arus Razza. &lt;br /&gt;- Esquece as promessas. Esquece as palavras. E age! &lt;br /&gt;Rómulo saiu apressado da sala do trono nem dirigindo palavra a Elara quando se cruzou com ela em um corredor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isís encontrava-se no seu quarto, a andar nervosamente de um lado para o outro, quando o pai bateu à porta.&lt;br /&gt;- Entre. – concedeu a jovem. – Pode entrar, meu pai. &lt;br /&gt;Arus entrou e notou a agitação da filha.&lt;br /&gt;- Tem calma, minha filha. – pediu o pai – Amanhã organizaremos uma busca para recuperar o teu noivo. &lt;br /&gt;A filha sentou-se na cama sem dizer palavra. Arus saiu do quarto. Assim que o pai se afastou, Isís soltou um pouco audível “Idiota”.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elara estava no seu quarto olhando para o retrato do seu trisavô. No meio da confusão com os arqueiros o medalhão de Azhar tinha desaparecido. Nunca pensara ficar sem aquele objecto que tanto estimava. Nunca pensara que todos os seus planos pudessem estar a desabar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruas próximas de Fortuna. Aqui era o sitio ideal para Rómulo encontrar o que pretendia. Por aqui paravam as mulheres que serviam as luxúrias dos homens, mulheres sem família, esquecidas por todos, que só serviam para o prazer, mulheres de que ninguém ia questionar o desaparecimento. Apenas tinha que procurar uma com semelhanças físicas com a bruxa, tamanho e peso. O resto não interessava, afinal o corpo estaria queimado. Tudo ficava resolvido, a rainha poderia contar com a ajuda de Arus, que provavelmente só descobriria do engodo quando voltasse da tentativa de resgate do príncipe. &lt;br /&gt;Rómulo nunca tinha visto a rainha a agir de forma tão cruel, tão rígida e violenta. A morte do rei tinha de facto afectado a mulher, e o soldado sabia que caso não conseguisse levar o plano dela para a frente provavelmente seria entregue aos leões. &lt;br /&gt;Uma mulher mal vestida de uns aparentes quarenta anos passeava-se pelas ruas oferecendo os seus préstimos. O soldado analisou a mulher, servia na perfeição para os seus intentos. &lt;br /&gt;- Meu bom soldado que lutas pelo nosso bem, que lutas pelo bem do reino, não há nada que te possa fazer? Por poucas moedas de ouro posso fazer tudo. &lt;br /&gt;Rómulo anuiu, sorrindo. Os dois foram para um canto longe da luz. &lt;br /&gt;As mãos do soldado procuraram o peito da mulher. Beijou-a até que esta ficasse sem fôlego. Percorreu o seu corpo. Já fazia tanto tempo que não estava com uma mulher… Deixou-a tomar controlo, entregando-se ao prazer, e no auge de tudo possuiu-a. Tudo isto não demorou mais de cinco minutos. Depois, recompôs-se e, aproveitando que a mulher estava de costas, atingiu-a com uma pedra. A mulher caiu sem sentidos. Cobriu-a de tudo aquilo que mais facilmente se incendiaria e usando uma das tochas que iluminavam aquela rua, pegou-lhe fogo. Apesar da rua não ser muito frequentada, os poucos curiosos que se atreviam a tentar perceber o que se passava recuavam quando notavam a presença de Rómulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como prometido à rainha, ainda nem duas horas tinham passado quando o corpo queimado foi entregue na casa de Arus Razza pelo próprio soldado. &lt;br /&gt;- Nem sabes como a minha alma está alegre hoje. – sorriu Arus – Diz à rainha que amanhã de manhã partirei em busca do príncipe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-1752819130736783741?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/1752819130736783741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=1752819130736783741' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1752819130736783741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1752819130736783741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/09/os-filhos-de-raven-capvii-parte-i.html' title='Os filhos de Raven - Cap.VII - Parte I'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-2819088897080731391</id><published>2009-09-28T11:00:00.001-07:00</published><updated>2009-10-03T13:23:54.438-07:00</updated><title type='text'>Capítulo VI (Parte VI)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando entrou na escura e fria divisão que, pelo seu desconforto, fora adaptada a cárcere de Caledon, Amara trazia nos lábios um sorriso de gelo. Os seus olhos eram cristais de repulsa, fixos na figura trémula e prostrada do seu irmão que, ao ver a sua chegara, se afastara para o canto mais distante.&lt;br /&gt;- Bons dias, irmão. – saudou Amara, irónica.&lt;br /&gt;O lorde não respondeu.&lt;br /&gt;- Mas que tens? – prosseguiu ela, implacável – Porque te afastas, se ainda não te fiz nada? Será que te desagradam os teus novos aposentos?&lt;br /&gt;- Precisas de perguntar? – murmurou ele, compreendendo que a mulher não se afastaria sem respostas – Olha à tua volta!&lt;br /&gt;Amara sorriu, enquanto os seus olhos se demoravam pelo espaço. A humidade escorria pelas paredes e o chão vazio prometia tudo menos um sono tranquilo. A um canto, a imundície acumulava-se, ameaçando preencher o ar com o seu cheiro fétido. E ainda passara tão pouco tempo… Como seria o prosseguir dos dias naquele espaço insuportável?&lt;br /&gt;- O que queres de mim? – perguntou Caledon, e o medo que o dominava parecia fazer com que o seu corpo se enroscasse ainda mais sobre si próprio – Vais manter-me aqui até que morra? Não terás tu qualquer misericórdia?&lt;br /&gt;- Não. – interrompeu Amara, terminante – Não tenho misericórdia de criaturas como tu. Precisarás que te recorde o que me fizeste? Queres que o faça?&lt;br /&gt;Caledon não respondeu.&lt;br /&gt;- Bem me parecia. – prosseguiu a captora – Afinal sabes que cada memória que me fizeres remexer será um novo momento de dor para a tua patética existência. Levanta-te! – ordenou, de súbito.&lt;br /&gt;O prisioneiro hesitou. Sabia que resistir seria inútil, mas o medo paralisava-lhe os movimentos.&lt;br /&gt;- Quanto te dou uma ordem, espero que obedeças, criatura. – declarou Amara, pontapeando-o com violência. – Agora vais levantar-te. Ou o que acabas de sentir será uma suave carícia comparado ao que te reservo.&lt;br /&gt;- Não, espera… - implorou Caledon, ofegante – Eu… Eu obedeço.&lt;br /&gt;Amara assentiu, fitando, com um sorriso, as patéticas tentativas do homem de erguer o seu corpo débil. Por várias vezes, vacilou, dividido entre o medo das consequências e a sua própria fragilidade, mas finalmente conseguiu suster-se sobre as suas pernas.&lt;br /&gt;- Sentes medo? – perguntou Amara, observando o tremor que agitava o corpo do irmão – É por isso que tremes? Tens medo de mim?&lt;br /&gt;- Sim. – murmurou Caledon, hesitante.&lt;br /&gt;- Deixa-me adivinhar… Tens vontade de me implorar pela tua integridade, não tens? Que te poupe, que não te magoe muito… Que te mate, talvez?&lt;br /&gt;- Porque não? – respondeu ele – Não é isso que queres? Ver-me morto? É justo… Faz sentido! Porque esperas?&lt;br /&gt;Amara soltou uma gargalhada cruel.&lt;br /&gt;- Justo! – exclamou - Serás assim tão idiota que nem sequer compreendes? Tu arruinaste toda a minha existência. Assassinaste a pessoa que eu mais amava no mundo! Estarás à espera que te execute com toda essa facilidade?&lt;br /&gt;- Quem é essa em que te transformaste, Calana? – perguntou Caledon.&lt;br /&gt;- Amara Morningstar. - replicou ela – O espírito da dor. O coração do ódio. A espada da vingança. Aquela que tu criaste.&lt;br /&gt;- Como queiras. – assentiu o prisioneiro, resignado – E então? O que vais fazer?&lt;br /&gt;Amara sorriu.&lt;br /&gt;- Despe-te. – ordenou.&lt;br /&gt;- Como…? – perguntou Caledon, confuso.&lt;br /&gt;- O que eu disse.&lt;br /&gt;Sem alternativas, o prisioneiro obedeceu, lançando por terra as vestes imundas, que Amara recolheu.&lt;br /&gt;- Dizem que as noites vão ficar frias nos próximos tempos. – declarou esta, com um sorriso gélido – Dorme bem!&lt;br /&gt;Caledon arfou de horror.&lt;br /&gt;- Vais matar-me de frio?&lt;br /&gt;Amara riu.&lt;br /&gt;- Isso querias tu. – respondeu – Voltarás a ver-me bem antes disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amara. – chamou Delenia, ao ver a líder abandonar a zona onde eram retidos os prisioneiros – Posso falar contigo por um momento?&lt;br /&gt;Amara imobilizou-se.&lt;br /&gt;- Sobre o príncipe, presumo… - observou, com um sorriso gélido.&lt;br /&gt;Hesitante, Delenia assentiu.&lt;br /&gt;- Amara, por favor, ouve-me. – começou, antes que perdesse a coragem para falar – Não vou interceder pela vida dele. Não me vou pôr entre ti e a tua vingança. Mas certamente entenderás que, para o trazer comigo, recorri a meios que me envergonham e que preciso de me redimir.&lt;br /&gt;- Se bem me recordo, – respondeu a líder – se tivesses cumprido as tuas ordens não terias trazido ninguém contigo e não haveria nada que redimir. Porque o trouxeste com vida?&lt;br /&gt;Delenia vacilou.&lt;br /&gt;- Não sei… - admitiu, após um momento de silêncio – Não imaginas como gostava de o compreender, mas a verdade é que não sei.&lt;br /&gt;- Então explica-me – prosseguiu Amara – o que queres de mim, se não é interceder pela vida do Raven.&lt;br /&gt;- Queria vê-lo. – murmurou Delenia, embaraçada – Falar-lhe. Explicar-lhe que…&lt;br /&gt;- Que não és uma traidora? Que a tua acção não faz parte do teu carácter, mas que tiveste de o fazer?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Louca… - replicou Amara – De todos os homens no mundo, apaixonas-te pelo inimigo. Não negues! – ordenou, vendo que a mulher se preparava para o interromper – Que outro motivo terias para te justificares perante um prisioneiro?&lt;br /&gt;Delenia não respondeu. O que Amara dizia era, afinal, a mais pura verdade.&lt;br /&gt;- Podes vê-lo, - declarou esta, benevolente – se precisas assim tanto de o fazer. Mas se queres continuar deste lado do campo de batalha, é melhor que comeces a afastar as fragilidades do teu coração. O teu príncipe é uma peça do inimigo que deixaste nas minhas mãos e pretendo usá-la da forma que me for mais favorável. Independentemente do que possas dizer ou sentir.&lt;br /&gt;- É verdade o que dizem de ti! – murmurou Delenia, surpresa – O teu coração é de gelo.&lt;br /&gt;- De gelo? – repetiu Amara, rindo – Não, Delenia. O gelo derrete. O meu coração é de pedra, frio, duro e impenetrável. E é assim que continuará a ser, por isso, se não me queres como líder, é melhor que o digas já.&lt;br /&gt;- Sabes que não te segui por acaso. – respondeu Delenia – Acredito na tua causa, na tua guerra. Vou estar do teu lado e não precisas de duvidar disso. Mas é assim tão inalcançável para ti aquilo que eu sinto? Qual é, afinal, a tua relação com o lorde, se não sentes nada?&lt;br /&gt;- A minha relação com o Soran não é assunto desta conversa! – exclamou Amara, enraivecida.&lt;br /&gt;Delenia estremeceu.&lt;br /&gt;- Tens razão. – disse, retractando-se – Perdi a noção do meu lugar. Perdoa-me…&lt;br /&gt;Para sua surpresa, Amara sorriu.&lt;br /&gt;- É assim tão importante para ti, o príncipe? – perguntou, benevolente – Muito bem, podes vê-lo. Quando eu partir. Creio que, em breve, terei uma audiência com o rei de Agaloth, e, por isso, estarei afastada durante algumas horas.&lt;br /&gt;» Esta é a minha prova de confiança, Delenia. Será na minha ausência que verás o Raven. E, para teu bem e o do teu estranho protegido, é melhor que não haja problemas. Prova-me que mereces a minha confiança… e eu saberei merecer a tua fidelidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrava-se sozinha há poucos minutos quando o seu silêncio foi interrompido pela chegada de Mordechai que, com um sorriso conspirador, a cumprimentou com uma vénia digna de qualquer corte nobre.&lt;br /&gt;- Bem-vindo sejas, meu amigo – saudou-o Amara – Como correu a viagem?&lt;br /&gt;- Esplendidamente. – respondeu ele – Sua Majestade, Doren Redscar, rei de Agaloth, aceitou o teu pedido de audiência, minha senhora.&lt;br /&gt;- Óptimo. – replicou Amara, sorrindo – Gostava de ter visto a cara dele ao ouvir o meu nome de nascimento.&lt;br /&gt;- Completamente surpresa, claro. – esclareceu ele – Mas diria que vais ter uma noite longa.&lt;br /&gt;- Espera! – exclamou Amara – Será possível que… Para quando me conseguiste essa audiência?&lt;br /&gt;- Para amanhã mesmo, senhora Westraven.&lt;br /&gt;- Mordechai, és um diplomata de excelência. Não esperava que me conseguisses tanto.&lt;br /&gt;Mordechai sorriu.&lt;br /&gt;- Se a ordem é tua, - disse – nunca farei menos que o melhor.&lt;br /&gt;- Agradeço-te, meu querido. Graças a ti, uma senhora partirá amanhã de Varin, para ser recebida pelo rei. Mas creio que uma escolta adequada não me faria mal… - acrescentou, pensativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não te preocupes com isso. – tranquilizou-a Mordechai – Providenciarei para que tenhas uma escolta digna de uma rainha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-2819088897080731391?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/2819088897080731391/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=2819088897080731391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2819088897080731391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2819088897080731391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/09/capitulo-vi-parte-vi.html' title='Capítulo VI (Parte VI)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-8168633583493777069</id><published>2009-08-24T07:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T08:05:09.098-07:00</updated><title type='text'>Capitulo VI - Parte V</title><content type='html'>A rainha não precisou de muito tempo para tomar uma decisão. Rómulo foi nomeado o chefe da missão e escolhou cinco homens da sua confiança, ajoelhou-se perante a rainha e prometeu que ainda durante aquela tarde traria a cabeça da bruxa. Alessandra olhou para Arus Razza com um sorriso triunfante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois vês, a minha promessa será  cumprida. - fez sinal a Rómulo para se levantar - Ainda hoje poderás pendurar a cabeça daquela odiosa criatura na tua sala e tomar chá olhando para os seus olhos mergulhados em sangue!&lt;br /&gt;- Assim o espero - respondeu Arus retribuindo o sorriso - Que tudo farei para que amanhã tenhas o teu filho de volta. &lt;br /&gt;- Não há tempo a perder. - afirmou a rainha, olhando para Rómulo - Sigam para a caverna de Luath imediatamente.&lt;br /&gt;- Com todo o prazer - anuiu Rómulo com toda a satisfação - Vamos! &lt;br /&gt;Os seis soldados encaminharam-se para a caverna perante o olhar da rainha e de Arus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caverna de Luath enquanto Ofélia aquecia as suas mãos em uma pequena fogueira um dos seus corvos andava à sua volta crocitando sem parar.&lt;br /&gt;Ofélia colocou as suas mãos no meio do fogo, manteve-as alguns segundos e depois retirou-as. Nem um sinal de queimadura. De seguida olhou para o corvo acenando com a cabeça afirmativamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como? Porque razão confia em Arus Razza, minha mãe? - questionou Elara depois de saber do acordo - Que prova de confiança tem?&lt;br /&gt;- Arus só tem a ganhar com o regresso do teu irmão. O casamento é também do interesse dele. É por isso que eu sei que a sua palavra é verdadeira.&lt;br /&gt;- Confia demais, minha mãe.&lt;br /&gt;A rainha suspirou.&lt;br /&gt;- Além disso, é um favor que me faz. Aquela bruxa nunca foi de bons prenúncios. E temo que mais cedo ou mais tarde pudesse causar danos no reino. &lt;br /&gt;- Sabendo o ódio que Rómulo sente por ela...&lt;br /&gt;- Ela está condenada. - sorriu a rainha - Condenada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde ia a meio quando Rómulo e os cinco homens avistaram a caverna de Luath.&lt;br /&gt;- Façam pouco barulho agora. - avisou - Todo o cuidado é pouco. &lt;br /&gt;Um dos soldados soltou um pequeno grito quando bateu com o seu joelho numa pedra.&lt;br /&gt;- O que é que eu disse, Aramith? - perguntou Rómulo irritado - Pouco barulho!&lt;br /&gt;Escondiam-se de rocha em rocha até  chegarem perto da entrada da caverna. Quando estavam prestes a entrar, o barulho de inúmeros corvos fez com que estes olhassem para o céu. &lt;br /&gt;Os corvos voavam em círculos e, subitamente, o vento fraco que soprava aumentou a sua intensidade. &lt;br /&gt;- Feitiço! Feitiço! - exclamava Aramith amedrontado - Vamos morrer! &lt;br /&gt;Rómulo apontou a sua espada em direcção à garganta de Aramith. &lt;br /&gt;- Cobarde! A única pessoa que morrerá  hoje é a bruxa! - exclamou Rómulo. &lt;br /&gt;Os seis soldados entraram na caverna, onde a escuridão era total. &lt;br /&gt;- Mal vejo onde piso. – Yaro, um dos outros soldados, avançava lentamente seguindo Rómulo.&lt;br /&gt;- Ela já sabe que estamos aqui. – suspirou Rómulo – Prepararem as vossas espadas.&lt;br /&gt;À excepção de Rómulo todos os outros soldados tremiam, receosos do que pudesse acontecer. Uma coisa era enfrentar um homem em combate, outra completamente diferente era ter como adversária uma bruxa. Tanto Yaro como Aramith repetiam muitas vezes que as bruxas não eram humanas. Teriam eles hipóteses contra alguém assim?&lt;br /&gt;- Cumpre o teu dever – uma voz mórbida ecoou dentro da caverna – Aqui estou, daqui não fugirei. Faz o que tens a fazer. – disse Ofélia, aproximando-se de Rómulo. &lt;br /&gt;Os restantes soldados afastaram-se, Ofélia encostou o seu pescoço à lâmina da espada do guerreiro. &lt;br /&gt;- Se é o que desejas. – a bruxa sorriu – Força!&lt;br /&gt;Rómulo paralisou alguns segundos, aquela criatura…a face da bruxa estava cheia de pó, o seu sorriso desvendava a falta de dois dentes, cheirava mal como se nunca tivesse tomado banho, os seus cabelos negros desalinhados dançavam ao sabor do vento que mesmo dentro da caverna continuava forte. &lt;br /&gt;- Vamos, Rómulo! Bravo soldado do reino! Mata-me! Elimina-me antes que conte o teu segredo! Deixa o meu sangue correr até ficar estendida no chão inerte antes que revele o porquê do teu ódio! Antes que grite aos céus o teu apelido!&lt;br /&gt;O rosto de Rómulo soltava fúria, apertou a estada com força, já não conseguia controlar o ritmo da sua respiração, desencostou a espada do pescoço da bruxa e em um movimento rápido atingiu um dos seus soldados, de seguida o segundo e o terceiro, sobrando apenas Yaro que tentou fugir enquanto gritava que a bruxa tinha possuído Rómulo. &lt;br /&gt;- Tghar’em n’art! – exclamou a bruxa.&lt;br /&gt;Vários corvos mergulharam na direcção de Yaro, provocando uma morte demorada e dolorosa. &lt;br /&gt;Rómulo olhou para a bruxa fora de si.&lt;br /&gt;- Um dia… Um dia acabaremos com isto! &lt;br /&gt;O soldado dirigiu-se para a saída da caverna perante o olhar atento de Ofélia que sorria enquanto os corvos iam repousando nos seus braços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-8168633583493777069?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/8168633583493777069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=8168633583493777069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8168633583493777069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8168633583493777069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/08/capitulo-v-parte-v.html' title='Capitulo VI - Parte V'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-870433115672206265</id><published>2009-08-03T07:00:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T13:12:05.201-07:00</updated><title type='text'>Capítulo VI (Parte IV)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Julgo que te devia uma visita, – observou Amara, ao entrar no quarto despido, improvisadamente transformado numa cela – príncipe Adhemar.&lt;br /&gt;O príncipe ergueu o olhar, sobressaltado. Havia, na expressão das suas orbes, um medo quase incontrolável, como se o tempo passado naquela cela tivesse quebrado toda a sua arrogância. E o seu olhar era, de facto, suplicante e assustado quando perguntou:&lt;br /&gt;- Vieste para me matar?&lt;br /&gt;Amara sorriu, enigmática.&lt;br /&gt;- Deste-me algum motivo para que o faça? – inquiriu.&lt;br /&gt;- Não! – exclamou o príncipe, perturbado – Não, eu… Eu juro que não fiz nada!&lt;br /&gt;- Então diz-me… Porque julgas que vou acabar com a tua mísera vida?&lt;br /&gt;Adhemar estremeceu.&lt;br /&gt;- Eu… - balbuciou – Não sei… Eu sou o inimigo. Talvez… me tenhas condenado.&lt;br /&gt;Rasgando o silêncio, o riso cristalino da mulher encheu o espaço. Era impossível não se divertir ante a abjecta humilhação do jovem e boémio príncipe. Aquele que, em tempos, fora destinado a ser o seu esposo, era agora apenas um destroço.&lt;br /&gt;- Ainda não, Adhemar. – declarou, e sorriu ao ver o alívio que se desenhava no rosto do príncipe – Ainda posso encontrar alguma utilidade para ti. Desde que continues a comportar-te devidamente… ainda podes viver.&lt;br /&gt;Adhemar assentiu efusivamente.&lt;br /&gt;- Sim… - balbuciava – Sim. Eu faço o que quiseres. Tudo o que quiseres.&lt;br /&gt;- Óptimo. – concluiu Amara – Na verdade, estava apenas de passagem. Tenho uma visita mais… premente a fazer a outro prisioneiro. De momento, vou deixar-te em paz.&lt;br /&gt;Amara não esperou pela resposta. Limitou-se a voltar costas ao príncipe e a deixar a cela, sorrindo vagamente quando ouviu o som da chave na fechadura enquanto o guarda atrás de si trancava a porta.&lt;br /&gt;- Agora o próximo. – declarou Amara, com um sorriso misterioso – O meu querido Caledon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma ausência no seu olhar, como se divagasse na distância do horizonte infinito, e o seu rosto parecia tão fechado na sua sombra soturna que Delenia hesitou em interromper os seus pensamentos. Na sua mente, contudo, havia também uma sombra, a certeza de uma traição cometida contra alguém que, ainda que fosse, na verdade, um inimigo, conquistara, com a sua estranheza, um coração frio. E ela precisava de o ver, de se explicar… De confessar o turbilhão de sentimentos que agitavam as paredes do seu mundo e a incerteza do sentimento que a levara a salvar uma vida que entregava, depois, nas mãos dos seus antagonistas.&lt;br /&gt;- Lorde Fadenbran. – murmurou, hesitante, sem saber se ele a ouviria. Soran, contudo, voltou-se em resposta ao seu chamado e, sorrindo levemente, fitou-a com um olhar profundamente triste.&lt;br /&gt;- Já não, receio. – observou – Agora sou só mais um rebelde. Suponho que isso torna os títulos desnecessários.&lt;br /&gt;Delenia assentiu.&lt;br /&gt;- Eu… - disse – Queria pedir-lhe…&lt;br /&gt;- Pedir-te. – corrigiu Soran, benevolente.&lt;br /&gt;- Isso… Queria pedir a tua ajuda.&lt;br /&gt;- Temo que não possa fazer muito por ti – prosseguiu o lorde, pensativo – se me vens pedir que interceda pelo teu cativo. Ele é um Raven e o ódio de Amara não tem limites… Além disso, não podes dizer que o Adhemar seja uma pessoa exemplar.&lt;br /&gt;- Eu sei. – replicou Delenia – Não me atreveria a esperar tanto. Eu só queria… Queria vê-lo. Queria explicar-lhe que…&lt;br /&gt;Soran interrompeu-a.&lt;br /&gt;- Permite-me que te deixe um conselho. – disse – Afasta o teu coração desta guerra. Enterra-o bem longe de ti, se puderes. É ele que te fala no príncipe. Foi ele quem te impediu de o deixar morrer. E, se não o silenciares, acabará por te condenar.&lt;br /&gt;- Vês demasiadas sombras no amor – observou Delenia – para quem é, afinal, o consorte da líder.&lt;br /&gt;Soran lançou-lhe um olhar vazio, gravando o arrependimento na mente de Delenia antes mesmo que as palavras acabassem de se desvanecer.&lt;br /&gt;- Pareço um homem de sorte, não é verdade? – perguntou – A verdade é que o sou. Calana Westraven… Não. Amara Morningstar é a mulher mais forte e nobre que conheci em toda a minha vida. Mas é também a força base da nossa guerra e isso exige sacrifícios. Temo que, um dia, acabarei por a perder. Mas estou já demasiado perdido para seguir o meu próprio conselho. – acrescentou, com um suspiro cansado.&lt;br /&gt;Delenia não respondeu. Não saberia o que dizer quando falavam da mulher que mais admirava, mas que, ao mesmo tempo, mais temia com a sua justiça fria e o seu voto de vingança sem piedade.&lt;br /&gt;- Mas querias pedir a minha ajuda. – observou Soran, quebrando o silêncio – O que posso fazer por ti? Sabes que não é a mim que compete decidir quem pode ver os prisioneiros.&lt;br /&gt;Delenia assentiu.&lt;br /&gt;- Verdade. Mas talvez pudesses falar com a Amara sobre o assunto…&lt;br /&gt;- Talvez pudesse. – concordou Soran – E talvez ela me ouvisse. Mas tens a certeza de que estás disposta a deixar esse assunto nas minhas mãos?&lt;br /&gt;- Eu não…&lt;br /&gt;- Eu acredito que confias em mim. Mas não crês que Amara olhará de outra forma para o teu pedido se fores tu própria a fazê-lo? Não julgas que será mais provável que te aceite se lhe falares com as tuas próprias emoções?&lt;br /&gt;A mulher hesitou.&lt;br /&gt;- Amara… - murmurou – suspeita de mim.&lt;br /&gt;- Tu também o farias – replicou Soran, compreensivo – a quem entrasse nos teus domínios acompanhado do inimigo. A ordem era matá-lo e não capturá-lo e temos de admitir que isso falhou. Mas a Amara não é de gelo – acrescentou, vendo o desânimo da mulher – e estou segura de que entenderá as tuas contradições, se lhe provares que pode confiar em ti.&lt;br /&gt;- Mas como posso fazê-lo?&lt;br /&gt;Soran sorriu.&lt;br /&gt;- Tenta. – declarou – Com todas as forças daquilo que sentes. Assim, independentemente do resultado, saberás que deste tudo de ti. E Amara saberá quanto vales afinal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-870433115672206265?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/870433115672206265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=870433115672206265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/870433115672206265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/870433115672206265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/08/capitulo-vi-parte-iv.html' title='Capítulo VI (Parte IV)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-6547040463362960030</id><published>2009-07-19T07:06:00.000-07:00</published><updated>2009-07-19T07:07:41.250-07:00</updated><title type='text'>Capitulo VI (Parte III)</title><content type='html'>Gélida. Sem um pingo de emoção que fosse visível. Nenhum dos presentes conseguia assistir a qualquer manifestação de dor da rainha. Enquanto o padre Ardheus recitava o discurso habitual em funerais, ela já o sabia de cor e estava muito mais interessada no pagamento que se seguiria. Os nobres presentes surpreendiam-se com a quietude da rainha e de Elara. Ambas olhavam para o caixão sem soltar uma lágrima, sentimentos diferentes, pensamentos diferentes que os presentes não podiam saber. Alessandra só queria que aquele momento perturbador acabasse. O seu discurso foi curto, e mais do que falar do rei, falou do que planeava.&lt;br /&gt;- Amanhã tudo ficará diferente! A vingança será terrível. Quem provocou esta tragédia não ficará impune! Quem levou o meu filho terá o castigo merecido! O rei partiu mas o reino não ficará mais fraco! Garanto-vos! – exclamou a rainha com um tom de voz amargo mas convicto – Farei com que se arrependam eternamente. &lt;br /&gt;Rómulo aproximou-se de Elara, tocou-lhe no ombro e ambos afastaram-se dos presentes.&lt;br /&gt;- A rainha está tresloucada. – afirmou Rómulo – Procura o autor deste bilhete.&lt;br /&gt;O homem entregou o pedaço de papel à princesa, esta leu e voltou-o a dobrar.&lt;br /&gt;- Pensas que fui eu? – questionou Elara –Pois, estás enganado.&lt;br /&gt;- Se não foi a princesa mais uma razão para preocupação. Quem anda pelo castelo que sabe isto tudo? Há mais alguém que sabe mais do que parece. E se esse alguém também tiver conhecimento dos nossos planos? &lt;br /&gt;As pessoas iam abandonando a cerimónia. Dois soldados atiravam terra para cima do caixão para o cobrirem e, por cima deles, um corvo andava em círculos em silêncio, como se não quisesse ser notado. &lt;br /&gt;O caixão desaparecia lentamente, aos olhos da rainha, e esta não evitou um sobressalto quando alguém lhe tocou nas costas.&lt;br /&gt;- Minha rainha – cumprimentou Arus Razza – Primeiro, queria deixar os meus pêsames pelo trágico acontecimento. Mas não é só isso que me traz cá. &lt;br /&gt;- Presumo que queiras saber notícias de meu filho, noivo da tua semente – suspirou a rainha – Pois ainda nada sei. Amanhã partiremos.&lt;br /&gt;- Mais do que isso, tenho uma oferta para si, minha rainha – sorriu Arus Razza – Eu conheço muito bem a floresta. Na minha juventude muitas vezes a percorri. Fazia parte de um grupo de corajosos…ou estúpidos que gostavam de quebrar barreiras e fronteiras. Os meus conhecimentos podem ser muito úteis. &lt;br /&gt;A rainha olhou para ele sem disfarçar o incómodo.&lt;br /&gt;- Queres aliar-te aos meus soldados? – questionou – Quererás colocar a tua vida em risco…pelo meu filho?&lt;br /&gt;- Poderia mentir e dizer que sim. Também poderia mentir e dizer que era pela minha filha, mas na verdade há algo mais que eu quero. &lt;br /&gt;- E o que seria?&lt;br /&gt;- A morte da bruxa!&lt;br /&gt;- Como? – perguntou a rainha, incrédula – O que estás a sugerir?&lt;br /&gt;- O resgate do seu filho em troca da cabeça da bruxa Ofélia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isís também já não estava no local do funeral, andava aos círculos pelo jardim mais próximo. Subitamente parou e deixou-se cair. As lágrimas caíram pelo rosto, quando começou a arranjar a erva, furiosamente repetindo “Estive tão perto, estive tão perto”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-6547040463362960030?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/6547040463362960030/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=6547040463362960030' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6547040463362960030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6547040463362960030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/07/capitulo-vi-parte-iii.html' title='Capitulo VI (Parte III)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-1429925535630906305</id><published>2009-04-27T12:54:00.000-07:00</published><updated>2009-05-14T07:17:16.294-07:00</updated><title type='text'>Capítulo VI (Parte II)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Bons dias, senhores. – cumprimentou Amara, entrando na divisão onde, em silêncio, os seus principais aliados a esperavam. Havia uma estranha tranquilidade no seu rosto e, pela primeira vez em muito tempo, havia nos seus lábios o esboço do que parecia ser um sorriso genuíno.&lt;br /&gt;- Lorde Fadenbran. – prosseguiu ela, usando os títulos formais, enquanto, com o olhar percorria, um a um, os rostos dos seus companheiros – Lorde Gray. Magister.&lt;br /&gt;Em resposta à sua saudação, Soran e Andros assentiram. Mordechai replicou:&lt;br /&gt;- Senhora Morningstar.&lt;br /&gt;Amara sorriu, sentando-se graciosamente na cadeira que fora deixada livre para si.&lt;br /&gt;- Não fomos bem sucedidos – começou – na nossa conspiração. Forças que desconhecemos impediram os nossos gestos. Ainda assim, não podemos dizer que toda a nossa luta foi em vão. Lamento, evidentemente, a morte de um dos nossos melhores companheiros e não creio que o que conquistámos justifique a sua perda, mas a verdade é que não o podemos recuperar. Resta-nos agradecer pelo que conseguimos.&lt;br /&gt;- O rei está morto. – observou Soran – E, apesar dos imprevistos, consegui trazer-te um dos teus inimigos. Diria que não é pouco, mas…&lt;br /&gt;- Mas há mais, meu caro. – interrompeu Amara – Com toda a agitação da noite passada, esqueci-me de te referir esse facto. Temos o príncipe herdeiro na nossa posse.&lt;br /&gt;Soran vacilou.&lt;br /&gt;- Então, a Delenia foi bem sucedida? – questionou – Notei o seu desaparecimento, mas nunca pensei...&lt;br /&gt;- Sim. – assentiu Andros – Se bem que eu preferia que ela tivesse morto o príncipe. Todos sabemos que a rainha não se poupará a esforços para o recuperar.&lt;br /&gt;- Deveras. – concordou Amara – E é por isso mesmo que a vida do principezinho é preciosa. Creio que nos conquistará um exército.&lt;br /&gt;Mordechai fitou-a, surpreendido.&lt;br /&gt;- O que tens em mente? – perguntou.&lt;br /&gt;Amara suspirou.&lt;br /&gt;- Não o posso revelar, ainda. – disse – Na verdade, espero não ter de envolver o corvo na negociação. Custar-me-ia recusar ao direito que tenho sobre a sua vida. Mas o que tiver de ser, será. Precisamos de aliados, caríssimo, e de aliados poderosos. E quem melhor que o reino que tão, benevolentemente, tem ignorado a nossa conspiradora presença?&lt;br /&gt;Soran sorriu.&lt;br /&gt;- Vais propor aliança a Agaloth?&lt;br /&gt;- É esse o meu plano. – assentiu Amara – Afinal, todos nós sabemos o quanto o rei odeia os senhores de Lithian. E quando os Raven tiverem dito adeus à vida… Bem, eu tenho um nome que me garante bastantes privilégios. Tenho muito a oferecer ao senhor de Agaloth.&lt;br /&gt;Andros esboçou um sorriso enigmático. Não era só a opção mais acertada, era também a rápida acção de que precisavam. A capital do reino ficava nas proximidades, uma vez que, de todos os reinos que faziam fronteira com Agaloth, Lithian era o único que, apesar de todos os ódios conhecidos e por conhecer, nunca estivera em guerra com o reino vizinho.&lt;br /&gt;- E quando vais fazer isso? – perguntou.&lt;br /&gt;- Agora mesmo. – respondeu Amara – Mordechai, meu amigo, preciso dos teus serviços.&lt;br /&gt;- Ordena, caríssima, - assentiu o homem – e será como quiseres.&lt;br /&gt;- Preciso que partas para a capital. Levarás contigo o sinal das minhas armas e, em meu nome, pedirás audiência ao rei. Dir-lhe-ás que tenho comigo toda a urgência dos tempos. E dir-lhe-ás que vais em nome de Calana Westraven.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tens a certeza do que estás a fazer? – perguntou Soran, quando ficaram a sós.&lt;br /&gt;No silêncio entre ambos os seus corpos, as suas almas pareciam clamar uma pela outra, mas a mordaça que pairava sobre os planos de Amara parecia revelar aos olhos do lorde uma mulher diferente, uma rainha que, apesar de toda a sua serena beleza, não deixava de ser um enigma para os seus sentimentos.&lt;br /&gt;- Sabes que sim, meu querido. – respondeu Amara, aproximando-se e, nesse momento, Soran voltou a ver a mulher que amava desde longos anos – Sei que julgas que arrisco demasiado, - prosseguiu – ao revelar-me abertamente a um homem que, com uma simples ordem, pode lançar sobre nós uma força imensa o suficiente para nos aniquilar em poucos momentos. Mas também sabes que Lithian dispõe do mesmo poder e, se suspeitam de que o príncipe veio nesta direcção…&lt;br /&gt;Soran assentiu.&lt;br /&gt;- Não questiono as tuas decisões. – disse – Apenas… Apenas tenho medo de te perder.&lt;br /&gt;Nesse momento, os lábios de Amara fundiram-se aos seus num beijo apaixonado, longo e voluptuoso.&lt;br /&gt;- Nunca me perderás. – murmurou ela, quando os seus lábios se apartaram – Nunca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-1429925535630906305?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/1429925535630906305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=1429925535630906305' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1429925535630906305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1429925535630906305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/04/capitulo-vi-parte-ii.html' title='Capítulo VI (Parte II)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-7537619928844238442</id><published>2009-04-21T07:20:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T02:28:10.974-07:00</updated><title type='text'>Capitulo VI (Parte I)</title><content type='html'>Um novo dia nasceu. Porém, as nuvens tétricas adiavam a manifestação do sol. Era como se uma força maior desejasse mergulhar aquele princípio do dia no negrume anunciando a cerimónia fúnebre que teria lugar no campo santo Cellios, sítio onde estavam sepultados todos os membros reais de Lithian. Não obstante a hora pouco adiantada, já existiam diversas movimentações para organizar o funeral do rei. Vários homens colocavam em ordem a sala onde sucederia a despedida final. O responsável por tudo seria o padre Ardheus, que se congratulou por mais uma excelente oportunidade de encher os bolsos. &lt;br /&gt;O homem saiu de casa cedo e dirigiu-se para a sala fechada onde já repousava o corpo de Amon. Dois soldados protegiam a porta de entrada. O padre sorriu e deu os bons dias aos dois homens. Estes afastaram-se para permitir a entrada do sacerdote. A porta fechou-se, deixando o padre sozinho com o cadáver. Ardheus sorriu, enquanto tirava um pequeno cantil que carregava escondido no seu paramento. Abriu e deu uma golada forte, limpou os beiços com o seu braço e voltou a sorrir.&lt;br /&gt;- Ó meu amigo! Que fazes aí estendido? Isto aqui é uma bela pinga! &lt;br /&gt;Aproximou-se do corpo inerte e esticou o seu braço colocando a vasilha de vidro em cima dos lábios do rei, tentando que ele bebesse. &lt;br /&gt;- Não queres? – questionou, surpreendido – Olha para isto, estás a deitar tudo para fora. – voltou a beber do cantil – Não te dou mais. &lt;br /&gt;O volume do discurso do padre atraiu a atenção de Elara, que entrou na sala com os dois guardas. &lt;br /&gt;- O que é que se passa aqui? – perguntou Elara incrédula – Bêbado? A esta hora da manhã? Quando vai guiar um funeral de um nobre? &lt;br /&gt;- Também quer? – perguntou Ardheus, amarrando o cantil contra o seu corpo, tentando esconder – É para mim! &lt;br /&gt;- Guardas! Levem-no! Mergulhem-no no rio! – ordenou a princesa – E reza ao teu deus para que saibas nadar! Precisas de água fria para acalmares. &lt;br /&gt;Cada um dos guardas pegou num dos braços do padre e começaram a arrastá-lo da sala. &lt;br /&gt;- Ó minha princesa… – começou o sacerdote – Mais vale um padre bêbado do que uma mulher que pensa que tem o mundo nas suas mãos quando é apenas um títere do destino…&lt;br /&gt;Elara seguiu os sorrisos alucinados do padre, perplexa por aquilo que tinha acabado de ouvir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto da rainha, Dyniana limpava as mobílias com todo o cuidado para não acordar a sua senhora. Tinha ordens para apenas a despertar quando estivesse tudo pronto para a cerimónia fúnebre. Porém, quando, sem querer, com o seu espanador derrubou uma pequena estátua de madeira os olhos da rainha descerraram-se. &lt;br /&gt;- Perdoe-me, minha rainha, – disse Dyniana – fui uma desastrada. &lt;br /&gt;- Não faz mal. A verdade é que já não me encontrava no meu sono mais profundo. A inquietação que sinto é enorme. Não me permitiria muito mais tempo de sossego. &lt;br /&gt;Alessandra olhou para uma pequena mesa ao lado da sua cama, onde Dyniana tinha por hábito servir-lhe o pequeno-almoço. &lt;br /&gt;- Que papel é este em cima da mesa? – interrogou a rainha – Foste tu que deixaste?&lt;br /&gt;- Não, minha rainha. - respondeu Dyniana, olhando para a mesa, surpresa.&lt;br /&gt;A rainha agarrou o papel e desdobrou-o. &lt;br /&gt;“Rainha! No meio da floresta, na fronteira com o nosso reino, onde os corvos se reúnem e o sol nasce mais devagar estão os seus inimigos! Está o seu filho! Não envie novamente um grupo tão fraco como fez, não subestime tais adversários! Estão mortos! Todos mortos! Se realmente deseja o seu filho de volta organize um grupo com os melhores, só assim ostentará hipóteses.”&lt;br /&gt;Alessandra voltou a dobrar o papel.&lt;br /&gt;- Dyniana – chamou – Procura Rómulo, diz-lhe que esteja na sala do trono dentro de meia hora. É urgente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fria! Fria! Fria! – exclamava Ardheus enquanto tentava sair do rio  - Deixem-me sair! &lt;br /&gt;- O que se passava, velho balofo? – questionou um dos guardas – Não gostas de água? É um bela pinga. &lt;br /&gt;- Mergulha a cabeça! – ordenou o guarda que apontava com o seu arco para o padre – É a única maneira de te refrescares. &lt;br /&gt;- A água está gelada! Vou morrer aqui! Deixe-me sair! – apelava o padre.&lt;br /&gt;- Mergulha a cabeça várias vezes e deixamos-te sair. – disse o outro guarda. &lt;br /&gt;- Está bem, está bem. – disse Ardheus conformado.&lt;br /&gt;- Dez vezes! – exclamou o guarda que ameaçava com a arma. &lt;br /&gt;Enquanto o padre mergulhava a cabeça os guardas sorriam e contavam em coro. &lt;br /&gt;- Dez…nove…oito…sete…seis…cinco…quatro….três…dois…dez…&lt;br /&gt;- Como dez? É a última! – gritou Ardheus desesperado. &lt;br /&gt;O guarda atirou, a flecha passou bastante próxima do padre. &lt;br /&gt;- É a última quando nós quisermos. Continua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, minha rainha. Algo a perturba? – questionou Rómulo, ajoelhando-se perante Alessandra – Em que posso ajudar?&lt;br /&gt;A rainha esticou-lhe o bilhete. O homem leu e olhou para ela perplexo.&lt;br /&gt;- Alguma ideia sobre o facto desse bilhete estar no meu quarto? &lt;br /&gt;- Não, minha rainha. Nenhuma.&lt;br /&gt;- Então, sabes o que quero que faças? &lt;br /&gt;- Que descubra quem foi?&lt;br /&gt;- Obviamente. Foi alguém do interior do castelo. É imperativo descobrir quem entrou nos meus aposentos, quem conseguiu fintar os guardas. Não que eles sejam muito inteligentes, mas são numerosos. &lt;br /&gt;- Mas e o conteúdo do bilhete? – perguntou o guerreiro – Será verdade?&lt;br /&gt;- É muito provável que o seja. O grupo que enviei era apenas carne para canhão. Para ter alguma ideia sobre as forças que enfrentamos. Amanhã organizaremos um grupo para resgatar o príncipe. &lt;br /&gt;- Amanhã pode ser tarde, minha rainha. &lt;br /&gt;- Rómulo – sorriu a rainha – Pensas de facto que iam se dar ao trabalho de raptar o príncipe para o eliminar? Querem um trunfo para defrontar o reino. O que eles deviam saber é que o reino incidirá sobre eles! Será que aquelas pobres almas sabem o que é o inferno?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-7537619928844238442?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/7537619928844238442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=7537619928844238442' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7537619928844238442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7537619928844238442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/04/capitulo-vi-parte-i.html' title='Capitulo VI (Parte I)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-8454245211432345305</id><published>2009-04-19T03:36:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T03:37:04.988-07:00</updated><title type='text'>Capítulo V (Parte VI)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Já estavam cansados de percorrer a escuridão dos bosques quando a súbita percepção de um cheiro fétido denunciou a presença do que há muito procuravam. Estavam já relativamente longe do local onde haviam sepultado os mortos do inimigo e começavam a pensar em desistir da sua busca, mas, guiados pelo fedor que, a cada passo, se tornava mais forte, não demoraram muito a descobrir, percorrido por alguns corvos que dele se alimentavam, o ainda reconhecível cadáver de Gälart.&lt;br /&gt;- Está aqui. – declarou Mordechai, forçando-se a conter um esgar de asco – Não precisamos de prosseguir mais.&lt;br /&gt;- E agora? – perguntou um dos soldados – O que fazemos com ele?&lt;br /&gt;- O mesmo que com os outros. – replicou Mordechai, terminante, apesar de se sentir tão relutante em aproximar-se daquele destroço como qualquer um dos seus companheiros – Não o podemos deixar aqui para ser encontrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amara chegou à praça central de Varin a tempo de ver dois dos seus homens, em tempos escondidos em Lithian, descer de uma das carruagens, trazendo consigo uma figura cuidadosamente manietada, com o rosto totalmente encoberto por um capuz negro. Nesse momento, também, o seu olhar encontrou, descendo da outra carruagem a figura de que há muito esperava notícias, agora também vestido com o negro dos condenados, mas fitando-a com um sorriso triunfante.&lt;br /&gt;- Soran… - murmurou Amara, permitindo-se um sorriso leve.&lt;br /&gt;- Boas noites, minha senhora. – cumprimentou o lorde, curvando-se numa vénia formal. Depois, aproximou-se dela e, com ternura, beijou-a numa das faces.&lt;br /&gt;Os braços dela enroscaram-se no corpo dele.&lt;br /&gt;- Boas noites, meu belo lorde. – respondeu Amara, apertando o corpo dele contra o seu – Meu querido…&lt;br /&gt;Relutante, mas consciente do olhar dos seus fixo em si, Amara libertou-o dos seus braços. Em seguida, com um gesto leve, apontou para o prisioneiro.&lt;br /&gt;- É quem eu penso?&lt;br /&gt;Soran sorriu.&lt;br /&gt;- Ele mesmo.&lt;br /&gt;O rosto de Amara tornou-se gélido.&lt;br /&gt;- Imagino que a tua viagem te tenha fatigado, - disse, compreensiva – mas entenderás que quero tratar desta situação agora mesmo. Se te quiseres retirar, tens a minha permissão.&lt;br /&gt;- Sensibiliza-me a tua preocupação, Amara. – replicou Soran – Mas deves compreender que não perderia isto por nada no mundo.&lt;br /&gt;- Já o imaginava. – replicou ela, com um sorriso. Depois, avançou na direcção do prisioneiro e, indicando, com um gesto, que o deixassem tombar no chão, fitou, apreciativamente, a figura trémula.&lt;br /&gt;- Pergunto-me se sabes – disse, caminhando em redor do prisioneiro – que todos os crimes têm um castigo, ainda que, durante tanto tempo, te tenhas julgado infalível. Pergunto-me se sabes que chegou a hora da expiação.&lt;br /&gt;Um soluço brotou da garganta do prisioneiro, enquanto Amara se baixava, forçando-o a ajoelhar. Depois, lentamente, removeu-lhe o capuz, erguendo-se, depois, altiva, diante dos olhos ainda aturdidos do homem.&lt;br /&gt;- Pergunto-me – disse ela, com um sorriso de gelo – se ainda me reconheces.&lt;br /&gt;Durante alguns momentos, os olhos de Caledon não viram nada, aturdidos pela súbita passagem da escuridão à bruxuleante luz das tochas. Depois, a sua visão encontrou, pálido e espectral, o rosto da sua executora, um rosto que ele próprio expulsara do seu mundo, carregada com o peso das suas mentiras e destinada a morrer na solidão do exílio.&lt;br /&gt;- Calana… - murmurou, incrédulo – Não… Não pode ser… Tu não sobreviverias…&lt;br /&gt;Os lábios da mulher contraíram-se de ira. Lentamente, Amara desembainhou a sua espada, deixando que a lâmina brilhasse sob a luz das chamas ondulantes, como um prenúncio de morte. Uma morte ainda distante, precedida pelos fúnebres vultos do medo e da dor.&lt;br /&gt;- Eu sobrevivi, Caledon. – respondeu ela,  aproximando-se, lentamente – Tu não o farás.&lt;br /&gt;A espada desceu, lentamente, como num baile sádico. Como um beijo suave, a lâmina pousou no peito ofegante do antigo lorde, fazendo com que um gemido de pavor brotasse dos seus lábios.&lt;br /&gt;- Por favor… - implorou ele – Por favor, não…&lt;br /&gt;- Nem penses – interrompeu Amara – em implorar por misericórdia. Não quando tu próprio não a tiveste, depois de seres tu o culpado da morte da nossa mãe e de me teres condenado pelos teus crimes. Tu vais morrer, não tenhas a menor dúvida. Mas não vai ser assim tão fácil.&lt;br /&gt;A espada retornou à sua bainha. Depois, silenciosamente, Amara baixou-se, até o seu olhar se encontrar à altura do de Caledon, e, com um sorriso gélido, ela prosseguiu:&lt;br /&gt;- Durante dias e dias, no futuro por vir, tu serás o meu jogo.&lt;br /&gt;Uma violenta bofetada aturdiu o prisioneiro, ainda pendente das palavras da que era, agora, a senhora da sua vida.&lt;br /&gt;- A cada hora, – dizia ela – a cada instante em que a vontade me ditar, eu irei por ti. Tu, que estarás fraco e indefeso, à minha espera, na mais escura das celas do meu pequeno território. Perante mim, serás apenas um objecto e, sempre que te procurar, saberás que é a agonia quem te busca, porque a dor será a única coisa que encontrarás em mim. E isto eu te garanto… Quando eu me cansar de ti e decretar, enfim, a tua execução, há muito que me terás implorado pela morte.&lt;br /&gt;Desta vez, um pequeno punhal surgiu na sua mão e, com um sorriso cruel nos lábios, Amara rasgou a veste do prisioneiro, expondo a alva pele do seu peito.&lt;br /&gt;- Calana… - balbuciou Caledon, consumido por um pavor que não podia já controlar – Por favor, Calana… Eu sou o teu irmão!&lt;br /&gt;A lâmina rasgou um longo corte no seu peito, arrancando-lhe um violento grito.&lt;br /&gt;- Não me devias ter lembrado disso. – respondeu Amara. Depois, o punhal voltou a cortar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-8454245211432345305?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/8454245211432345305/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=8454245211432345305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8454245211432345305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8454245211432345305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/04/capitulo-v-parte-vi.html' title='Capítulo V (Parte VI)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-3476478392859777309</id><published>2009-04-16T01:41:00.001-07:00</published><updated>2009-04-16T01:41:30.221-07:00</updated><title type='text'>Capitulo V - Parte V</title><content type='html'>A chuva morosa acompanhava a noite insípida. O silêncio abraçava aquele particular lugar bem no meio da floresta. No chão estendia-se o corpo enlameado do poeta. Seis corvos andavam em círculos sobre o cadáver. Um deles, esguio e ágil, mergulhou na direcção do defunto. Os quatro seguintes seguiram-no, enquanto o último, sebento e com uma pequena ferida por cima do seu olho esquerdo pousou no tronco de uma árvore. Bicavam o corpo inerte. Um deles atingiu um dos olhos vidrados de Galärt, fazendo com que líquido ainda fresco deslizasse no rosto do primo do príncipe. Uma sombra entre os arbustos fez com que os corvos abandonassem o corpo, alinhando-se no tronco onde já se encontrava o corvo ferido. Ofélia surgiu entre os arbustos, levantou levemente a longa saia rasgada, para não a sujar numa poça que misturava lama e sangue. Aninhou-se perante o corpo e passou os dedos vagarosamente pelo pescoço rasgado do cadáver. Olhou para os dedos manchados de sangue e soltou um sorriso. Colocou-os dentro da sua boca e absorveu o sangue, levantou-se, e olhou para os corvos. &lt;br /&gt;- Dhemiema tart wisho? &lt;br /&gt;O corvo mais descarnado abaixou a cabeça e num ápice desapareceu voando. &lt;br /&gt;- Lamento, meu querido. – sorriu Ofélia - A vida de boémia não serve para nada no campo de batalha. Perdeste pelo que não quiseste ser. Estamos em guerra mesmo quando estamos em paz. De um momento para o outro tudo muda. A tua mente foi contaminada pelas mulheres de parca inteligência com quem pernoitaste. Mas não te preocupes. A tua morte acabará por ser vingada. Não que eu tenha algum interesse numa desforra. Apenas é preciso fazê-lo. Elara não sabe ainda. Mas, mais do que qualquer um, é um fantoche. O meu fantoche! &lt;br /&gt;A bruxa saiu do local, seguida pelos corvos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, Elara avistou o castelo, ainda faltava um pouco para a alvorada, mas ainda teria que chegar ao seu quarto sem ser notada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arus levantou-se para ir buscar um copo de água. Dirigiu-se à cozinha de uma maneira silenciosa. A sua filha dormia no sofá, o cobertor cobrindo-lhe o corpo inteiro, e o homem nem se aproximou para não a incomodar. Abriu a porta do armário e um copo caiu, estilhaçando-se no chão. Depois, os seus olhos gelaram de horror. A cabeça de sua filha estava pousada numa das prateleiras. O sangue escorria por entre o queijo oferecido por um dos mais conceituados produtores daquela iguaria. Caiu de joelhos no chão e vomitou. Esteve largos minutos a chorar em agonia. Depois, levantou-se em dificuldade e dirigiu-se à sala, ganhou coragem e destapou o corpo, que, como suspeitava, estava decapitado. Controlou-se para não voltar a tombar, deu alguns passos em direcção ao seu quarto, olhou uma última vez para trás e viu um vulto a levantar-se debaixo do cobertor. &lt;br /&gt;- É hora de vingança! – exclamou uma voz bem conhecida – Morrerás, Arus Razza! &lt;br /&gt;O cobertor caiu. Ofélia correu em direcção dele para o atacar…Engoliu em seco…Suspiro…Levantou-se da cama em sobressalto…Tinha sido tudo um sonho. Tirou a camisola de pijama toda transpirada. Estava ofegante. Subitamente, uma certeza assolou-lhe o pensamento. Tinha que matar a bruxa antes que esta o matasse a ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-3476478392859777309?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/3476478392859777309/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=3476478392859777309' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3476478392859777309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3476478392859777309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/04/capitulo-v-parte-v.html' title='Capitulo V - Parte V'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-6623350158649331694</id><published>2009-04-14T11:26:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T02:43:25.727-07:00</updated><title type='text'>Capítulo V (Parte IV)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando Mordechai regressou, não foi possível evitar que um suspiro de alívio se soltasse dos lábios de Amara, tranquilizada ao ver que o seu amigo estava bem e que se fazia acompanhar pelos homens que com ele haviam partido. Havia, contudo, algo mais entre eles, uma presença que lhe dizia que muitas respostas viriam, naquele momento, à luz.&lt;br /&gt;- Voltámos, Amara. – anunciou Mordechai, ao chegar junto dela – E trazemos-te a vitória.&lt;br /&gt;Amara assentiu.&lt;br /&gt;- Quantos perdemos? – perguntou.&lt;br /&gt;- Nenhum. – replicou o seu amigo, sorrindo levemente – Temos alguns ferimentos ligeiros, é verdade, mas os números do adversário eram reduzidos. Vencemo-los sem dificuldade.&lt;br /&gt;- Muito bem. – assentiu Amara – E quanto a sobreviventes?&lt;br /&gt;Suavemente, Mordechai esboçou um gesto na direcção dos seus acompanhantes. Imediatamente estes arrastaram na sua direcção a figura suja e deplorável de um prisioneiro que, cuidadosamente manietado e de olhos vendados, foi forçado a ajoelhar diante da mulher que, ainda que ele não o soubesse, detinha nas mãos a sua vida.&lt;br /&gt;- Creio – prosseguiu Mordechai, indicando o homem – que te dará todas as informações que quiseres. Isto se quiser escapar à dor… - acrescentou, sabendo que o prisioneiro o escutava.&lt;br /&gt;- Pois deixa que me veja, – replicou Amara – para que saiba que tudo o que disser será a sério.&lt;br /&gt;A venda foi removida dos olhos do prisioneiro, que, estremecendo, fitou, em desespero, o rosto da sua captora.&lt;br /&gt;- Quem te enviou? – inquiriu Amara, bruscamente.&lt;br /&gt;- Eu… - balbuciou o homem, hesitante - Eu não…&lt;br /&gt;Com um gesto fulminante, Amara desembainhou a espada que sempre a acompanhava, encostando a lâmina à garganta do soldado.&lt;br /&gt;- Não sou paciente. – declarou – Não te vou dar muitas oportunidades. Quem te enviou? Responde ou morre!&lt;br /&gt;- A rainha! – replicou o homem, desesperado – A rainha Alessandra… Oh, por favor… Por favor, poupe-me.&lt;br /&gt;Amara sorriu.&lt;br /&gt;- Vou pensar sobre o teu caso. – declarou – Se cooperares o suficiente, talvez…&lt;br /&gt;- Sim! – assentiu o prisioneiro, desesperado – Eu digo-lhe tudo! Tudo o que quiser, mas, por favor…&lt;br /&gt;- Veremos. – interrompeu Amara – Viste os mortos do teu grupo? – perguntou.&lt;br /&gt;O homem anuiu.&lt;br /&gt;- Quantos sobreviveram?&lt;br /&gt;Por um momento, o prisioneiro hesitou, mas um olhar à sinistra expressão de Amara dissuadiu-o da sua relutância.&lt;br /&gt;- Um… - replicou – Só um… O nosso líder fugiu…&lt;br /&gt;- Fugiu? – repetiu Amara, rindo – Vais precisar de muito para me convencer disso… Quem era o vosso líder?&lt;br /&gt;- Gälart… - respondeu o prisioneiro, trémulo – Juro que é verdade… Gälart, o primo do príncipe… Ele não queria vir, mas a rainha disse-lhe que uma recusa lhe custaria a cabeça…&lt;br /&gt;- Basta. – interrompeu Amara – Se estamos a falar do mesmo Gälart que eu conheci, uma fuga era o mínimo que se poderia esperar dele. Mordechai… - inquiriu, desviando a sua atenção do prisioneiro – Temos uns aposentos adequados ao nosso hóspede?&lt;br /&gt;Mordechai sorriu.&lt;br /&gt;- Ainda temos alguns quartos vagos – declarou – na ala do príncipe.&lt;br /&gt;- Nesse caso, - indicou Amara – tratem de o instalar devidamente. E tem atenção… - acrescentou, fitando o prisioneiro – A mais pequena tentativa, o menor dos pensamentos no sentido da fuga ou de qualquer tentativa contra nós serão castigados com a morte. Estamos esclarecidos?&lt;br /&gt;O homem respondeu com um aceno assustado.&lt;br /&gt;- Muito bem. – concluiu Amara – Então não preciso de mais nada de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gälart não se calará. – declarou Amara, ao reunir com os seus mais poderosos aliados. Sentia, fixos em si, os atentos olhos de Mordechai, o sempre apreciativo olhar do mestre e a perturbadora mirada de Mirian, a criança vidente. – Se conseguiu evadir-se, a corte de Lithian não tardará a saber da nossa existência.&lt;br /&gt;- O poeta está morto. – anunciou, subitamente, a voz dos abismos, pelos lábios de Mirian – Procura-o nos bosques onde se deu o confronto, mas a alguma distância. Encontrarás o seu cadáver degolado.&lt;br /&gt;Mordechai esboçou um aceno sombrio.&lt;br /&gt;- Mas quem foi?&lt;br /&gt;- Não sei. – replicou Mirian, a sua voz novamente infantil indicando que o poder se afastara – As vozes não mo revelaram. Dizem que não é necessário. Essa presença manterá o seu silêncio… pelo menos, para já.&lt;br /&gt;- Pois vivamos com o que temos. – concluiu Amara – Procuraremos o corpo do poeta. Enterraremos os mortos desta luta. Nenhum sinal de nós será deixado para trás. Afinal, somos só uma inocente povoação de Agaloth.&lt;br /&gt;As suas palavras foram recebidas com assentimentos silenciosos. Quando se preparava para abandonar a reunião, contudo, a voz dos abismos voltou a falar, calma e tranquila, mas terminante e verdadeira.&lt;br /&gt;- Tens uma visita à tua espera, Amara. – disse – A tua vingança chegou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-6623350158649331694?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/6623350158649331694/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=6623350158649331694' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6623350158649331694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6623350158649331694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/04/capitulo-v-parte-iv.html' title='Capítulo V (Parte IV)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-2375204290191611183</id><published>2009-04-06T02:18:00.001-07:00</published><updated>2009-04-06T02:18:55.049-07:00</updated><title type='text'>Capitulo V - (Parte III)</title><content type='html'>Faltavam poucas horas para o amanhecer e o pai de Isis não tinha pregado olho. Não bastavam os acontecimentos no casamento da sua filha como também encontrou na sua casa uma surpresa macabra. A ideia inevitável surgiu na sua mente. Seria tudo obra da bruxa? Seria tudo uma questão de vingança?&lt;br /&gt;Por mais que tentasse afuguentar da sua cabeça tais cogitações, a verdade nua e crua é que tudo era uma coincidência muito grande.&lt;br /&gt;A bruxa estragara o casamento da sua filha, e, não satisfeita, tentara pregar-lhe um susto de morte.&lt;br /&gt;Levantou-se da sua cama, atormentado. A pintura que passara horas a apagar da parede, era uma ameaça, um prenúncio ou simplesmente uma brincadeira mórbida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fujam! - exclamou Lydro - Rápido! Rápido!&lt;br /&gt;O comandante do pequeno grupo de resgate abria caminho de volta pela floresta quando foi colhido por uma flecha, caindo inerte com os seus olhos vidrados e surpresos. Gälart ficou imóvel perante o corpo caído. Mais que nunca o receio de morte estava bem presente. Seriam aqueles&lt;br /&gt;os últimos minutos da sua vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda! - exclamou Elara, saindo detrás de umas árvores - Não ouviste? Anda comigo se quiseres viver!&lt;br /&gt;- Elara...- chamou Gälart surpreso - O que fazes aqui?&lt;br /&gt;- Eu não sou nenhuma princesa indefesa, meu rico primo - começou a princesa zangada - Quis salvar o meu irmão, mas não teremos oportunidade... Não agora...Anda comigo se quiseres viver. Junta-te ao teu fantástico grupo de combate se queres transformar-te em esqueleto nesta horrenda floresta.&lt;br /&gt;Sem pensar muito o homem decidiu acompanhar a prima. Enquanto isso os restantes elementos do grupo iam tombando um a um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dentro da floresta, Elara e Gälart só pararam quando estavam bem longe do conflito.&lt;br /&gt;- Podemos parar - afirmou Elara - Não creio que se arrisquem a vir até tão longe.&lt;br /&gt;- Concordo. - anuiu Gälart - Já estamos muito perto dos nossos territórios.&lt;br /&gt;- Nunca pensei ver-te num campo de batalha. - afirmou Elara, sorrindo - Mesmo que fosse a fugir...&lt;br /&gt;- Posso dizer o mesmo - afirmou o primo - Mas, ainda bem. Obrigado, salvaste-me a vida.&lt;br /&gt;Elara encostou-se ao homem e num movimento rápido tirou uma adaga do bolso da sua saia e encostou-a à garganta dele.&lt;br /&gt;- Não me agradeças - sorriu a princesa - Sabes, meu primo, odiar-te seria razão suficiente para acabar contigo. Mas, contenta-te, não é a única. Nem tu, nem o meu querido irmão, nem a minha mãe, ninguém vai impedir que chegue ao trono.&lt;br /&gt;- Para que procuravas então o teu irmão? - questionou o primo não acreditando no que estava a acontecer - Porquê? E porque me salvaste se me queres matar?&lt;br /&gt;- Procuro o meu irmão para garantir que morra! - exclamou Elara - E salvei-te porque ninguém me ia tirar este pequeno prazer.&lt;br /&gt;Com um movimento rápido cortou a garganta de Gälart e abandonou o local deixando-o agozinar até à morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-2375204290191611183?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/2375204290191611183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=2375204290191611183' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2375204290191611183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2375204290191611183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/04/capitulo-v-parte-iii.html' title='Capitulo V - (Parte III)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-4765202061169020950</id><published>2009-04-01T07:31:00.001-07:00</published><updated>2009-04-01T07:31:29.910-07:00</updated><title type='text'>Capítulo V (Parte II)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Quando, junto com Mordechai, Amara chegou ao local onde, acompanhada por alguns soldados, Delenia vigiava o seu prisioneiro, um breve sorriso aflorou aos seus lábios. Como que inconscientemente, abrandou o passo, ao ver que, enquanto alguns dos companheiros tentavam afastar o prisioneiro para o casebre, já devidamente preparado para o receber, o príncipe insistia na sua imobilidade, mantendo com a sua captora um diálogo deveras… interessante.&lt;br /&gt;- Traíste-me, Delenia! - acusava Adhemar - Porquê?&lt;br /&gt;- Traí-te? – replicou esta – Devo-te, porventura, algum tipo de fidelidade? O que eu fiz foi salvar a tua vida miserável, em vez de cumprir as minhas ordens. Não estavas à espera que te deixasse simplesmente fugir, estavas?&lt;br /&gt;- Enganaste-me… - murmurou ele – Onde estamos? Onde me trouxeste?&lt;br /&gt;Nesse momento, Amara interrompeu-os, aproximando-se, triunfante, enquanto respondia à pergunta do prisioneiro.&lt;br /&gt;- Varin. – disse – Pequena povoação na fronteira de Agaloth. Sede e ponto de reunião de todos aqueles que, como eu, foram condenados pela tirania da tua linhagem e que têm pelo nome de Raven o mesmo ódio que eu sinto.&lt;br /&gt;Adhemar estremeceu.&lt;br /&gt;- Quem és? – perguntou, invadido por uma estranha sensação de familiaridade – Eu… Eu conheço-te.&lt;br /&gt;- Mas claro! – replicou Amara, com um sorriso gélido – Claro que me conheces. Antes de me destruir a vida, o meu irmão tinha planos para ti. Queria que eu me casasse contigo, lembras-te?&lt;br /&gt;- Calana Westraven... – murmurou o príncipe, petrificado.&lt;br /&gt;- Sim. – concordou ela – Calana Westraven. Mas aqui não. Aqui, sou a senhora dos condenados e o meu nome é Amara Morningstar. E a partir deste momento, até que eu tome uma decisão sobre ti, és meu prisioneiro.&lt;br /&gt;Lentamente, Amara aproximou-se, desembainhando um pequeno punhal. Depois, com uma precisão quase milimétrica, encostou a lâmina à garganta do príncipe, rasgando superficialmente a pele, de onde uma pequena gota de sangue brotou.&lt;br /&gt;- Vamos ver as coisas da forma como elas são. – prosseguiu, fixando nos olhos de Adhemar uma expressão transbordante de ódio – Pesasse apenas a minha vontade e matar-te-ia agora a mesmo.  Ocorre-me, contudo, que possa haver em Vareil quem saiba que ainda vives e seguramente virão à tua procura. Não posso correr o risco de desperdiçar um trunfo tão precioso. Portanto, de momento, tens duas hipóteses. Submetes-te e eu deixo-te viver por mais alguns dias… Devidamente vigiado e manietado, claro… Não creio que gostes de ser meu hóspede, mas é o que há. Esboça o mais pequeno gesto de recusa e juro-te que morres agora mesmo. E não vou ser rápida nem piedosa, Raven.&lt;br /&gt;Adhemar deixou escapar dos lábios um leve sopro de ar. Depois, deixou que a tensão do seu corpo diminuísse, como se em resignação.&lt;br /&gt;- Muito bem, principezinho. – observou Amara, sorrindo. Depois, voltando-se para os seus homens, ordenou:&lt;br /&gt;- Provavelmente terá sido seguido. Os Raven dispõem de meios suficientes para encontrar o rasto de uma fuga apressada. Alguém virá e encontrar-nos-á. Mordechai… - disse, fitando o seu amigo – Divide em quatro grupos os soldados que estiverem prontos para lutar e tratai de vigiar as fronteiras de Varin.   Alguns de vós encontrarão o inimigo… Que não haja misericórdia. Eles também não a teriam.&lt;br /&gt;Mordechai assentiu, afastando-se. Entretanto, também os soldados que acompanhavam Amara tinham voltado a agarrar o corpo de Adhemar que, agora sem resistência, se deixava conduzir para longe daquela mulher do passado, a mulher que há muito julgava morta, mas que, em breve, seria a sua morte.&lt;br /&gt;- Delenia. – disse Amara, enquanto os via afastar-se – Não sei porque o trouxeste até mim. Não vou sequer perguntar-te porque o salvaste, mas não sou ingénua ao ponto de não perceber que sentes por ele algo bem diferente do ódio. Vieste até nós, pelo que presumo que a tua honra falou mais alto. Mas considera isto como um aviso e um conselho… Se alguma vez puseres esse tipo de emoções acima da causa que defendemos, é melhor que partas para longe de nós, antes de nos traíres. Não quero ser eu a erguer a mão contra ti… Mas, se me obrigares a isso, não duvides que o farei.&lt;br /&gt;- Eu trouxe-o. – replicou Delenia – E também não sei porquê, mas não o pude deixar morrer ali. Mas trouxe-to. É teu. Não vou fazer nada contra ti.&lt;br /&gt;- Contra nós, Delenia. – corrigiu a líder – Contra nós. Existe nesta causa uma força muito mais importante que eu. A justiça.&lt;br /&gt;Delenia assentiu.&lt;br /&gt;- Sim… - concordou, pensativa – A justiça…&lt;br /&gt;“Mas justiça para quem?”, acrescentou, em pensamento, enquanto a imagem do príncipe, acusando-a de traição, assomava aos seus pensamentos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-4765202061169020950?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/4765202061169020950/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=4765202061169020950' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4765202061169020950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4765202061169020950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/04/capitulo-v-parte-ii.html' title='Capítulo V (Parte II)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-720264724581309121</id><published>2009-03-24T13:46:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T13:47:35.474-07:00</updated><title type='text'>Capitulo V (Parte I)</title><content type='html'>A noite apertava.  O grupo liderado por Lydro acelerou o passo. Era demasiado importante recuperar o príncipe ainda naquela noite. &lt;br /&gt;-  Mal vejo onde coloco os meus pés.  Seria melhor voltarmos para trás enquanto não é tarde demais. – sugeriu Cäal.&lt;br /&gt;- Se quiseres que a rainha te corte a cabeça…. – suspirou Gälart , também fatigado.&lt;br /&gt;- Mas, será possível que ainda tenhas esperança de encontrar o que quer que seja? – questionou Cäal.&lt;br /&gt;Um possível novo confronto entre os dois foi interrompido quando um corvo começou a sobrevoar o grupo aos círculos. &lt;br /&gt;- Sinal de morte! – exclamou Lydro. – Devemos voltar imediatamente. &lt;br /&gt;- Perdoa a minha insensatez, – sorriu o primo do príncipe – mas há um corvo que nos espera bem pior que aquele que se encontra por cima de nós. Um corvo que não é apenas prenúncio de morte. É a própria morte!  Desejais, então, voltar? Pois, assim o seja. Voltai. Eu fico. Só me atrevo a colocar os pés no castelo na companhia do meu primo. &lt;br /&gt;- Insignificante! – exclamou Cäal, furioso -  Não durarás cinco minutos sozinho na floresta.&lt;br /&gt;- A minha morte será menos dolorosa. – afirmou Gälart – Somente não aposto moedas de ouro pois não precisaremos delas no inferno que nos espera. &lt;br /&gt;Uma sombra movia-se entre os arbustos, assistindo à confusão que se instalara no meio do grupo. Os cabelos negros desalinhados e o olhar cruel e corajoso denunciavam Elara. O corvo guiou-a até ao grupo de Gälart. Por acidente? Ou propositadamente? Será que Ofélia estava a planear algo? A princesa decidiu permanecer escondida. Apesar da sua impaciência com a demora numa tomada de decisão, queria aproveitar-se de não ter dado nas vistas. Seguiria o grupo. Afinal, procuravam o mesmo que ela. &lt;br /&gt;O corvo abandonou o local, mas não sem antes passar perto da princesa, Elara olhou para o animal, que não fez qualquer barulho, limitando-se a bater as asas aceleradamente.  Naqueles segundos o coração de Elara bateu mais forte. Um movimento brusco ou uma palavra tê-la-iam denunciado. O corvo desapareceu e ela suspirou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando quase toda a gente tinha dificuldades em caminhar com uma escuridão tão intensa, era quando Ofélia se deslocava melhor. A noite era o seu dia. Naquele momento entretinha-se a alimentar os corvos . Sorria. Não faltava muito tempo para o seu mensageiro chegar. Acabou de dar comida aos seus animais de estimação, sentou-se e pegou num pequeno saco castanho. Algo se mexia lá dentro. Ofélia dava gargalhadas.&lt;br /&gt;- Gostavas que te soltasse para sentires a liberdade? Não há liberdade. Ninguém a tem. A vida rouba-nos. &lt;br /&gt;O sorriso desvaneceu. Apertou o saco contra o chão e como uma faca fez vários cortes. De seguida, abriu o saco e juntou os pedaços da rã que tinha acabado de assassinar. &lt;br /&gt;- Ninguém tem esse direito. – afirmou pegando num dos pedaços e comendo – Ninguém….&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-720264724581309121?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/720264724581309121/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=720264724581309121' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/720264724581309121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/720264724581309121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/03/capitulo-v-parte-i.html' title='Capitulo V (Parte I)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-584634372672345553</id><published>2009-03-19T05:20:00.001-07:00</published><updated>2009-03-19T05:20:43.247-07:00</updated><title type='text'>Capítulo IV (Parte VI)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nunca como naquele momento a liderança lhe pesara sobre os ombros. Sabia que a sua missão poderia ter sido um fracasso muito mais considerável, mas quem poderia explicar isso à família do que morrera, segundo sabia, nos hediondos abismos de uma profunda dor?&lt;br /&gt;No silêncio da noite tardia, os pensamentos de Amara pareciam ser um grito dentro do seu coração, enquanto, lentamente, caminhava em direcção à pequena casa que fora o refúgio de Durun, mas que, agora, apenas a sua ansiosa irmã ocupava. As suas palavras destruiriam a esperança que restava àquele débil coração, mas era o seu dever comunicá-las em pessoa. Para isso a haviam nomeado senhora dos exilados, e líder daqueles que ansiavam por uma reparação pelos crimes contra eles cometidos pela família reinante de Lithian. Para que fosse o rosto e a mente das suas responsabilidades a haviam elevado mais alto que todos eles, quando, no momento que chegara, não era senão mais uma entre os exilados, ainda que lhe corresse nas veias o sangue mais próximo à realeza.&lt;br /&gt;Um leve suspiro fugiu-lhe dos lábios, ao encontrar com o olhar a pequena casa. Através da janela, podia ver a trémula luz de uma vela, brincando com as sombras como se delas fosse parte. Depois, viu a sombra da jovem que, em silêncio, esperava que as horas passassem e, forçando-se a cumprir com a que era, afinal, a sua missão, aproximou-se e bateu à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silencioso como a sombra das suas memórias, Mordechai vigiava, junto à entrada da sua pequena corte de exilados. Não acreditava que, por entre o caos que se instalara na capital de Lithian, as forças dos Raven pensassem sequer em avançar contra o seu pequeno reduto, mas, ainda assim, havia algo nos seus pensamentos que lhe dizia que devia velar, pois algo de importante viria ao seu encontro.&lt;br /&gt;Subitamente, a noite foi agitada pelo som de passos que se aproximavam e, imperceptivelmente, os homens que acompanhavam Mordechai na sua vigília, aproximaram-se deles, prontos para agir da forma que se revelasse necessária. A sua primeira reacção, contudo, foi de surpresa, ao ver Delenia surgir de entre as sombras, acompanhada pela figura de um jovem, pouco mais que um rapaz, que todos eles conheciam demasiado bem.&lt;br /&gt;- Delenia! – exclamou Mordechai, surpreendido – Será possível que…?&lt;br /&gt;- Não digas nada. – interrompeu-o ela – A oportunidade surgiu e não a podia desperdiçar. De todas as formas, a decisão não é nossa, pois não?&lt;br /&gt;Mordechai assentiu.&lt;br /&gt;- Encarregar-te-ás de o vigiar? – perguntou – A Amara precisa de ser avisada o mais rápido possível.&lt;br /&gt;- Claro, meu lorde. – concordou ela, com um sorriso leve – Não te preocupes. Entre mim e os teus companheiros, arranjaremos um lugar adequado para o nosso… visitante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos de Rienna tinham o dom da profecia, uma suave antecipação, como se, em silêncio, se resignasse ao que, ainda que não o admitisse, já conhecesse como real.&lt;br /&gt;- Diz-me, Amara. – pediu ela, ao ver diante de si o rosto consternado da sua líder – Os meus pressentimentos são reais? O meu irmão está morto?&lt;br /&gt;Amara vacilou, surpreendida por um tão profundo estoicismo.&lt;br /&gt;- Lamento, Rienna, - acabou por replicar – mas é verdade. Durun morreu.&lt;br /&gt;Rienna suspirou.&lt;br /&gt;- Surpreender-te-ia se te dissesse que já o pressentia? – perguntou – Que sentia o fracasso iminente quando se despediu de mim?&lt;br /&gt;- Ninguém o poderia imaginar. – respondeu Amara – Se soubesse que tudo terminaria assim, nunca teria permitido que ele partisse… Mas tu sabes que ele nunca me perdoaria se o tivesse deixado para trás, e… Todos nós acreditávamos que seriam bem sucedidos.&lt;br /&gt;- Sim. – assentiu Rienna – Eu sei. Suponho que tenho de me resignar à verdade dos factos, mas…&lt;br /&gt;- Não. – interrompeu Amara – Não tens de te resignar a nada, quando tens um culpado diante de ti. Se há algo dentro de ti que precise de sair, então liberta-o. Grita, chora, insulta-me… Faz o que quiseres. Não há nada que precises de esconder num momento desses.&lt;br /&gt;Silenciosas, as lágrimas brotaram no rosto de Rienna e, imperceptivelmente, Amara preparou-se para a explosão que, seguramente, surgiria, que, sem dúvida alguma, merecia. O que aconteceu, contudo, não foi um desabrochar de cólera, mas apenas a floração de uma tristeza infinita, reflectida na intensidade desesperada com que a jovem Rienna se lançou nos braços da mensageira da morte, colocando todas as suas forças numa vã busca de consolo para ambas.&lt;br /&gt;- Não te culpo… – murmurou Rienna, entre lágrimas – Não a ti. Aos Raven… Às mãos que provocaram a morte do meu irmão. Sinto que foram eles… e tu sabes, não sabes? E contar-me-ás tudo, eu sei… Mas agora não… Ainda não.&lt;br /&gt;- Ainda não… - concordou Amara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as duas mulheres se soltaram do abraço, os olhos de Amara puderam encontrar, enfim, a figura de Mordechai que, silenciosamente esperava.&lt;br /&gt;- O que aconteceu? – perguntou ela, notando a urgência nos olhos do amigo.&lt;br /&gt;- Julgo – respondeu este – que quererás ver com os teus próprios olhos. Acaba de chegar a mais inesperada das visitas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-584634372672345553?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/584634372672345553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=584634372672345553' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/584634372672345553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/584634372672345553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/03/capitulo-iv-parte-vi.html' title='Capítulo IV (Parte VI)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-4860975056427159508</id><published>2009-03-15T10:37:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T10:38:29.320-07:00</updated><title type='text'>Capitulo IV - (Parte V)</title><content type='html'>Os seus dedos enrugados tamborilavam na madeira gasta dos braços do trono. Era o mais tenebroso ponto da noite e os olhos afadigados vagueavam pela sala taciturna e despejada.  A sua atenção focou-se na seta ensanguentada que estava diante de si. Levantou-se vagarosamente e encaminhou-se para o meio da sala, onde a flecha repousava num lençol branco manchado de sangue. Colheu a arma que extinguiu a vida de seu marido e, com ódio, quebrou-a em duas, largando-as de imediato. &lt;br /&gt;- Não sei quem és! – exclamou a rainha – Mas garanto-te que te arrependerás de ter nascido! Amaldiçoarás o ventre da tua mãe por te brotar! – espezinhou com violência as dois bocados de flecha – Gota por gota…a tua vida extinguir-se-à!  Prometo-te, meu marido! Depositarei a cabeça do verme que te eliminou em cima do teu túmulo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passos mergulhados no território lamacento abrandaram. A noite adensava e escondia os já poucos vestígios do possível percurso do príncipe. Galärt usou o braço para limpar o suor que já se manifestava no rosto, originado por algumas horas de buscas. Que fossem alguns minutos, que o desconforto seria semelhante! Os seus terrenos eram os lençóis do reino e não a sombria floresta que as últimas chuvas haviam tornado em pântano. &lt;br /&gt;O primeiro erro da rainha tinha sido a demora em nomear um grupo de busca. O segundo colocar o galã a capitanear esse mesmo grupo. Porém, o forçado capitão sabia que era da conveniência da rainha ter Rómulo e os melhores soldados na sua guarda, não fosse ocorrer um novo ataque. “Carne fraca dispensável…” pensou o poeta, sorrindo desconfortavelmente. &lt;br /&gt;Apesar da surpreendente e absurda nomeação feita pela rainha, o primo do príncipe fez questão de esclarecer o seu papel. Assim que chegaram à floresta, deu o controlo das operações a Lydro, o melhor soldado do grupo e afirmou que ajudaria no que fosse necessário, mas que estava mais habituado a socorrer-se da sua inteligência do que propriamente dos seus punhos. Depois, pensando para si mesmo, recordou-se que em termos de planos de fuga não deveria ter rival, pois já tinha encontrado na sua vida inúmeros maridos furiosos que cobiçavam cortar a cabeça ao amante de suas mulheres. Porém, ninguém podia precisar quem enlouquecia as mulheres provocando o seu adultério, primeiro, porque muitas nunca tinham sido apanhadas, depois, porque as que eram apanhadas nunca acusavam Galärt. Preferiam apontar o dedo para outros supostos culpados provocando sempre situações embaraçosas em casas de homens de família que nunca tinham traído as esposas nem em pensamentos. &lt;br /&gt;Para má fortuna de Galärt, um dos poucos que sempre desconfiou da vida boémia do artista encontrava-se integrado naquele pequeno batalhão. Cäal, soldado do reino, tinha trinta anos de casado quando um dia chegou a casa mais cedo e deparou com a sua mulher em trajes pouco dignos e as cortinas da janela de seu quarto ainda a ondularem. &lt;br /&gt;- Não percebi o que fazes aqui. – começou Cäal – vais cutucar os inimigos com uma pena ou vais escrever-lhes um livro? &lt;br /&gt;- Um livro é uma arma mais poderosa do que aquilo que possas imaginar. Mas a força bruta não te permite ir muito além. – sorriu Galärt – Aqui perante todos afirmei que nunca peguei em uma arma. Porém, há certas coisas que requerem o uso da inteligência. Dos miolos. Assim, contrabalançamos a tua força física com o meu cérebro. &lt;br /&gt;Cäal tentou socar o provocador, porém Lydro intrometeu-se. &lt;br /&gt;- Não é a hora nem o lugar para as vossas desavenças – suspirou – sejam quais forem.&lt;br /&gt;Cäal afastou-se, contrariado, enquanto Galärt foi para o lado contrário sorrindo provocatoriamente. Lydro dirigiu-se ao primeiro e pediu que se acalmasse.&lt;br /&gt;- Neste momento não podemos estar uns contra os outros. A noite aperta e se não encontrarmos o príncipe a rainha corta-nos a cabeça. &lt;br /&gt;Recomeçaram a caminhar e Lydro aproximou-se de novo do companheiro.&lt;br /&gt;- Não penses que não sei o que se passa. Eu sei muito bem o que ele faz. – afirmou, sussurrando – Assim que encontrarmos o príncipe cuidaremos deste verme, morto por uma bala inimiga ou soterrado numa vala perdida, juro-te que este miserável não voltará a colocar os seus pés em Lithian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imponente mansão dos Razza não tentava sequer disfarçar o sucesso do patriarca da família. Objectos de luxo, utensílios importados, modas que ainda eram miragens no reino, tudo fazia parte da casa de Arus Razza. &lt;br /&gt;Deitada num dos diversos largos sofás estendidos pela sala de convívio, Isís controlava o seu pranto em postura firme e silenciosa, surpreendendo até o próprio pai, que ainda recordava o rebento que, na sua meninice, chorara a morte da mãe colhida por uma doença que tinha tanto de absurdo como de fatídico. Estava, sem dúvida, diferente. Tinham passado dez anos e o amadurecimento da rapariga parecia também ter despertado uma camada polar nos seus sentimentos perante a dor da perda. O seu noivo tinha desaparecido e Isís não pediu um abraço ao seu pai nem qualquer tipo de reconforto. Apenas um chá e submergiu no paladar da substância calmante sem pronunciar outra palavra que fosse.&lt;br /&gt;Arus Razza sentiu-se culpado. O que para ele e para o rei se tratava de apenas um negócio com vantagens para as duas famílias, pois o facto de entrar na família real abria-lhe as portas dos poucos mercados que ainda não tinha explorado, e o rei teria nas economias grandiosas da família Razza um enorme desafogo, significava muito mais para Isís. “Um rei pobre…como é possível?” Os pensamentos de Arus deixaram a família real e voltaram a concentrar-se na filha. Ela sentia algo intenso pelo príncipe. “Lado negro dos negócios”. Mas, afinal quem teria levado o príncipe?&lt;br /&gt;O pai de Isís encaminhou-se para seu quarto e abriu a porta, ainda absorto em pensamentos. Porém tudo se desvaneceu quando olhou para o tecto do seu quarto e viu um gato aberto a meio, pendurado no candelabro, esvaindo-se em sangue e pintando na parede a sua própria imagem degolado…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-4860975056427159508?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/4860975056427159508/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=4860975056427159508' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4860975056427159508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4860975056427159508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/03/capitulo-iv-parte-v.html' title='Capitulo IV - (Parte V)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-2910636571656569168</id><published>2009-03-12T13:36:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T15:25:48.021-07:00</updated><title type='text'>Capítulo IV (Parte IV)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando pararam, as fogueiras de Varin eram já visíveis algures na distância. Não seria, contudo, perante a obscuridade da noite que Soran Fadenbran se apresentaria diante dos olhos da sua senhora, segurando nas mãos a vingança que ela tanto desejava. Não… Seria o dia a assistir ao seu triunfo pessoal, para que ele pudesse ver, como na estrela da manhã, o brilho e o fogo que podiam arder nos olhos de Amara Morningstar.&lt;br /&gt;Antes, contudo, tinha ainda uma outra espécie de vingança que concretizar. Criara uma ilusão em torno do seu prisioneiro, uma imagem que, certamente, o teria atormentado ao longo de toda a viagem. Agora, era momento de lhe revelar a verdade, para instalar no seu coração uma negrura ainda maior, capaz de lhe inspirar o mais profundo temor, e de o preparar devidamente para o que o esperava nas mãos da sua esquecida irmã.&lt;br /&gt;Os débeis gemidos de um homem que se debatia, ainda que em vão, rasgaram o silêncio, levando a que um sorriso aflorasse aos lábios do lorde. Depois, lentamente, puxou o capuz para cima, ocultando o rosto, e esperou que os seus companheiros chegassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao encontrar-se diante da sinistra figura, Caledon tremeu. Não conseguia detectar o rosto por baixo do capuz, mas a sua severa imponência, claramente reveladora de um líder incontestável, indicava-lhe que aquela era a mente por detrás do seu rapto e que o seu destino poderia muito bem encontrar o seu fim no rumorejante ambiente daquela clareira. Um turbilhão de perguntas agitavam os seus pensamentos, ávidos de uma resposta que lhe permitisse sobreviver, mas a aparente tranquilidade do seu captor silenciava-lhe as palavras com o sopro de um pavor que o petrificava.&lt;br /&gt;- Conheces-me, Caledon Westraven? – perguntou a voz que, por debaixo do capuz, lhe parecia estranhamente familiar, mas que, distorcida pelo medo, lhe parecia incompreensível.&lt;br /&gt;A pergunta pareceu dar-lhe coragem para libertar a voz.&lt;br /&gt;- Eu… - balbuciou – Não… Não sei quem é. O que quer de mim?&lt;br /&gt;A voz riu.&lt;br /&gt;- Tudo o que quero de ti, já o tenho. A tua miserável vida nas minhas mãos.&lt;br /&gt;Lentamente, o vulto deixou que o capuz caísse, revelando o seu rosto. Nesse momento, um gemido de horror escapou dos lábios do prisioneiro, ao reconhecer a face do homem que julgara morto, ao compreender o significado do que lhe sucedia.&lt;br /&gt;- Fadenbran! – exclamou, incapaz de raciocinar – Porquê? Que utilidade… Para que me quer? O rei está morto, e eu… Eu não sou ninguém!&lt;br /&gt;- Que me importa o reino, Westraven? – interrompeu Soran – O que eu quero és tu. Não percebes? Não te lembras do que me fizeste? Quero vingança, criatura indigna! E, finalmente, tê-la-ei.&lt;br /&gt;Nesse momento, Caledon compreendeu o ódio do outro lorde, um rancor nunca proferido, mas que crescera ao longo do tempo, desde o dia em que, quando a sua família planeava um casamento entre a sua irmã e Soran Fadenbran, ele decidira intervir, alegando que o noivo não estava à altura dos familiares mais próximos da dinastia reinante.&lt;br /&gt;- É por causa dela? – perguntou, chocado – Porquê? Porquê agora? Tanto tempo depois de ela ter sido exilada… Calana estará certamente morta… Condenará a sua reputação, a sua posição em nome do ódio?&lt;br /&gt;Soran riu.&lt;br /&gt;- Como és ridículo… - observou, com um esgar de desprezo – Tentas argumentar comigo, quando o que queres fazer é implorar pela misericórdia… Mesmo nesta situação, continuas a ser uma besta arrogante.&lt;br /&gt;Caledon abriu a boca, mas não conseguiu falar. Não, quando via que uma palavra errada podia custar-lhe a vida.&lt;br /&gt;- Sim, é por ela. – prosseguiu Soran – E, contudo, a verdade não se aproxima sequer daquilo que imaginas. Mas não serei eu a revelar-ta. Ainda não…&lt;br /&gt;O prisioneiro estremeceu.&lt;br /&gt;- Suponho que é altura de te devolver ao teu cubículo. – declarou Soran – Aprecia a tua última noite. É possível que, amanhã, já não tenhas uma vida para apreciar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-2910636571656569168?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/2910636571656569168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=2910636571656569168' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2910636571656569168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2910636571656569168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/03/os-filhos-de-raven-capitulo-iv-parte-iv.html' title='Capítulo IV (Parte IV)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-5389025221601031014</id><published>2009-03-01T09:45:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T09:46:11.341-08:00</updated><title type='text'>Capitulo IV (Parte III)</title><content type='html'>A noite encobria a viagem de Elara. A conversa não poderia esperar. As dúvidas seriam dissipadas. A bruxa teria que se explicar.  O cavalo que transportava a princesa era quem pagava a sua fúria, sendo castigado cada vez que desacelerava um pouco.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caverna de Luath um corvo voava à volta da bruxa Ofélia, quando, subitamente, queimou uma das asas na fogueira. Ofélia pegou no corvo e deitou-o num pedaço de madeira. Depois pegou numa estaca e cravou-a no pássaro, extinguindo a vida do pequeno animal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque me visitas a esta hora? – questionou a bruxa, sem olhar para a entrada da caverna onde Elara surgia.&lt;br /&gt;- Bem sabes porque vim. Gosto das coisas directas e sem rodeios, como já tens conhecimento. &lt;br /&gt;- É um bom hábito. – sorriu Ofélia.&lt;br /&gt;- Então, poupa-nos às duas. Diz-me o que preciso saber. &lt;br /&gt;- Porque não te disse que existiriam outros? Porque não te preveni? A resposta é demasiado simples.&lt;br /&gt;- E afinal, qual é? – a princesa fez um gesto de desprezo – Lembra-te que estás a arriscar o teu ouro. &lt;br /&gt;- Eu preveni-te de que o reino é vasto e que poderia existir alguma falha. Na verdade, disse tudo o que necessitavas saber.  &lt;br /&gt;- Mas sabes quem são os intrusos? Porque não me disseste? – perguntou Elara, exaltada – O facto de o príncipe ainda estar vivo atrasará o meu assalto ao trono e enquanto não estiver no lugar onde pertenço não há recompensa! Não há moedas de ouro! &lt;br /&gt;- As coisas não são tão lineares. Eu sabia que havia perigos, mas eram apenas sombras na minha cabeça. Não conseguia revelar-te quem eram os inimigos, – fez uma pausa – mesmo que quisesse. &lt;br /&gt;- Agora já deves saber! Quem levou o meu irmão? – interrogou a princesa.&lt;br /&gt;- Como queres que te ajude se não queres cumprir a tua palavra? Se dizes não me dar o ouro? &lt;br /&gt;- O plano era chegar ao trono! E isso não foi cumprido!&lt;br /&gt;- Dá-me metade do prometido agora e a outra metade quando estiveres no trono. &lt;br /&gt;- Diz-me onde está o príncipe e eu dou-te metade do prometido.&lt;br /&gt;Ofélia sorriu.&lt;br /&gt;- Dá-me metade do que me prometeste e eu digo-te onde está o príncipe. &lt;br /&gt;- Tudo bem. Dar-te-ei as moedas. Vim prevenida. &lt;br /&gt;- Ambas sabemos como as nossas mentes funcionam. É perfeito. Metade do caminho está logo feito. &lt;br /&gt;- O príncipe acaba de chegar a um certo lugar na floresta. Sugiro que vás ou envies alguém…antes que seja tarde demais. &lt;br /&gt;- Será morto? Mas isso seria perfeito. &lt;br /&gt;- Talvez…Talvez não. O meu conselho é que vás. &lt;br /&gt;- E como sei onde o encontrar? &lt;br /&gt;- D’aherk vitis. &lt;br /&gt;Um corvo entrou na gruta e pousou no braço da bruxa. &lt;br /&gt;- Ele sabe o caminho. Segue-o. &lt;br /&gt;A princesa sorriu.&lt;br /&gt;- Parto agora, então. Bendito o teu amor pelo ouro. &lt;br /&gt;A bruxa não disse nenhuma palavra enquanto a princesa saia da caverna guiada pelo corvo. “Amor”, que palavra tão longínqua… Que sentimento era esse? Já não se recordava. Fazia já muito tempo que o haviam roubado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia de Outono quando as primeiras chuvas cerravam o reino e as folhas começavam a cair perante o amanhecer surgiu alguém que tinha apenas um propósito. Ofélia tinha saído para comprar verduras e aproveitando-se disso um homem de barba por fazer e aparentes trinta anos e dois amigos invadiram a casa da mesma, onde se encontrava o marido de quem ela estava grávida. Quando voltou para casa deixou cair o saco de verduras no meio da lama e levou as mãos à boca. A casa ardia. Tudo ardia. Lá fora escrito a sangue “Tu serás a próxima, bruxa!”. E desde aí tudo mudou. O amor, a caverna, apenas o ouro interessava. &lt;br /&gt;Ofélia cravou as suas unhas nas suas mãos fazendo-as sangrar. &lt;br /&gt;- Tu pagarás! Arus Razza…tu pagarás!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-5389025221601031014?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/5389025221601031014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=5389025221601031014' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/5389025221601031014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/5389025221601031014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/03/capitulo-iv-parte-iii.html' title='Capitulo IV (Parte III)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-6152002800609369382</id><published>2009-02-21T05:44:00.000-08:00</published><updated>2009-02-21T09:25:24.162-08:00</updated><title type='text'>Capítulo IV (Parte II)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Divagava com o olhar por todas as sombras do espaço, como se detrás de uma coluna ou escondidos numa esquina, pudesse haver uns olhos que o espiassem. Sentia com toda a força a tensão que se instalara no palácio real e, ainda que tivesse tratado de eliminar todas as provas que o podiam indiciar, não deixava de notar que a rainha lhe dirigia demasiada atenção. Fora um alívio para si ver que Durun morrera com os seus segredos, mas isso não significava que estivesse salvo. E que razões poderiam explicar a obsessão de Alessandra pela sua pessoa, mandando-o chamar a qualquer hora, com a escusa de supervisionar as investigações no respeitante à morte do seu marido e ao desaparecimento do seu filho?&lt;br /&gt;Inconscientemente, Lothian apressou o passo. Parecia que os corredores do palácio se haviam alongado interminavelmente e que horas haviam já decorrido desde que deixara os seus aposentos em direcção à torre dos mensageiros. Escondido entre as vestes, levava a derradeira prova da sua cumplicidade na conspiração e tudo o que desejava era livrar-se dela o mais rápido possível. A partir daí, que Amara decidisse o que queria fazer. Sabia, contudo, que caso fosse encontrado com aquele documento em sua posse, seria desmascarado e, sem dúvida alguma, submetido ao mesmo hediondo destino que Durun.&lt;br /&gt;- Boas noites, conselheiro. – cumprimentou uma voz atrás de si, levando a que o seu corpo se retesasse de pavor. Ao voltar-se para fitar o rosto do seu interlocutor, contudo, o seu nervosismo transformou-se numa máscara de arrogância, ao ver que se tratava de um simples soldado, um de entre os muitos que patrulhavam o palácio.&lt;br /&gt;- Boas noites, soldado. – respondeu – Precisas de algo?&lt;br /&gt;- Não, senhor. – replicou o soldado – Pretendia apenas certificar-me de que era o conselheiro e não um estranho.&lt;br /&gt;- Fizeste bem. – observou Lothian – Nesse caso, prosseguirei o meu caminho.&lt;br /&gt;O soldado assentiu e, cumprimentando-o com um rígido gesto militar, seguiu com a sua ronda.&lt;br /&gt;Poucos passos depois, contudo, ao alcançar, enfim, a escadaria da torre, a gélida máscara do conselheiro quebrava-se sob o temor que ocultava e um leve suspiro saiu dos seus lábios, expressão do alívio que subitamente o invadira.&lt;br /&gt;- Ainda vais ser a minha morte, - murmurou – Amara Morningstar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o corvo chegou ao seu destino, Amara fitava as estrelas, buscando no manto dos céus a serenidade que não conseguia encontrar no seu coração. Mirian não conseguira ver com exactidão o que ocorrera em Lithian. Era demasiado jovem para controlar o seu poder de forma eficiente. Dissera-lhe, contudo, mais que o suficiente para que os seus pensamentos explodissem numa tempestade de nervosismo. Haviam falhado. Quantos teriam morrido, pois? Quantos voltariam para si? E Soran? Estaria ele…?&lt;br /&gt;O som do crocitar do mensageiro, momentos antes de pousar no seu ombro, despertou-a das suas divagações. Lentamente, estendeu a mão para a ave, removendo-lhe da pata o pequeno embrulho que escondia a mensagem. Depois, enquanto o corvo voltava aos céus de onde viera, Amara fixou o seu olhar na letra do conselheiro Lothian e lágrimas de dor e de alívio inundaram os seus olhos.&lt;br /&gt;Sabia agora o essencial do que sucedera, ainda que muito tivesse ficado por explicar, e ainda que o derradeiro resultado tivesse sido uma derrota, as consequências não haviam sido tão graves como as que a sua mente imaginara. Segundo a informação que tinha diante de si, Amon Raven, fora morto por uma flecha desconhecida, e não por um dos seus, mas, ainda assim, morrera. O caos que se instalara, contudo, impedira que os seus agentes cumprissem com a sua missão. Sabia que Durun fora capturado e torturado até à morte, mas que nada dissera, e, ainda que sentisse alguma suspeita quanto à sua pessoa, Lothian mantinha o seu posto na corte. De Avalen e Delenia, nada sabia, excepto que vira esta última, pela última vez, perigosamente próxima do príncipe Adhemar, que também desaparecera sem deixar rasto. Quanto a Soran Fadenbran, vira-o desaparecer entre a multidão na companhia de Caledon Westraven que, desde esse momento, não voltara a ser vislumbrado.&lt;br /&gt;Um leve sorriso ganhou vida nos lábios de Amara. O rei estava morto e Adhemar e Caledon desaparecidos. Dos seus, apenas um morrera, e, ainda que lamentasse genuinamente essa morte, era, sem dúvida, um resultado um pouco melhor que o que esperara após a visão de Mirian. Delenia e Avalen… Seguramente voltariam para Varin, caso estivessem bem, e Soran… Não deixaria de voltar para os seus braços. Previa até que o lorde tivesse sido o único a cumprir a sua missão com sucesso. Talvez em breve tivesse o seu odiado irmão à sua mercê. Mas uma pergunta continuava a perturbar o seu pensamento. O que teria acontecido a Adhemar?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-6152002800609369382?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/6152002800609369382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=6152002800609369382' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6152002800609369382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6152002800609369382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/02/capitulo-iv-parte-ii.html' title='Capítulo IV (Parte II)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-3958108021379373757</id><published>2009-02-17T02:40:00.001-08:00</published><updated>2009-02-17T02:40:40.674-08:00</updated><title type='text'>Capitulo IV - Parte I</title><content type='html'>- Mamã…mamã… - uma petiz de aparentes quatro anos suplicava para que a sua mãe a resgatasse das mãos do cruel homem que a levava. A mulher não mostrava um pingo de comoção, a sua expressão facial era fria e inalterável. Aquele momento era a solução perfeita.&lt;br /&gt;- Mamã…não quero ir…Mamã…- repetia a criança.&lt;br /&gt;- Está aí o saco de moedas de ouro como o combinado. – disse o homem – Por ela – apontou para a criança – e pelo esquecimento deste dia. É o melhor para todos. É, sem dúvida, o melhor para ti. &lt;br /&gt;A expressão de gelo da mulher foi interrompida por um breve sorriso.&lt;br /&gt;- Não… Não cometas esse erro. Não me ameaces. Que julgas tu possuir? Quem tens para te proteger? És um simples peão. Um insignificante peão.  – a mulher pegou um monte de areia e soprou – Vês? Livrar-me de ti seria tão simples como isto.&lt;br /&gt;- Até as filhas do demónio têm os seus pontos fracos. Aparece para atrapalhar a minha vida e verás do que sou capaz!&lt;br /&gt;- O negócio está fechado. Não costumo desfazer tratos.&lt;br /&gt;O homem seguiu o seu caminho com a criança enquanto a mulher ficou estática, indiferente aos constantes gritos da criança. Assim que os dois desapareceram do alcance da sua visão agarrou com força o saco de moedas e sorriu.&lt;br /&gt;A sua alegria, contudo, foi interrompida pela escuridão que subitamente invadiu o céu. O dia fez-se noite e um corvo pousou no seu ombro direito, esticou-se e, com o seu bico, roubou o saco e deitou-o ao chão. A mulher ajoelhou-se para recuperar o saco, mas parou incrédula ao deparar-se com ossos que substituíam, agora, as moedas de ouro. Ao longe avistou uma sombra. Foram precisos longos minutos para finalmente reconhecer quem se encaminhava lentamente na sua direcção. A sua filha….a criança de quatro anos…caminhava ensanguentada, os seus olhos vidrados, as suas mãos esticadas como procurando ajuda em desespero.&lt;br /&gt;- Mamã…mamã... – repetia cada vez mais próxima  - Ajuda-me que vou morrer…&lt;br /&gt;A mulher levantou-se e deu dois passos para a frente ficando mesmo ao lado da filha, sem soltar uma lágrima. Queria somente descobrir o que tinha acontecido. &lt;br /&gt;- Mamã… - a criança ajoelhou-se perante a mulher – Só tu me podes ajudar.&lt;br /&gt;A petiz cuspiu sangue e caiu inerte aos pés da mãe.&lt;br /&gt;Ofélia acordou. O seu corpo estava quente. Confusa, olhou em redor, tentando entender aquele sonho e o porquê de surgir agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está  a anoitecer! – exclamou o príncipe, preocupado – Temos de arranjar um lugar para ficar.&lt;br /&gt;- Mais uma hora e chegamos ao nosso destino. – respondeu Delenia – Não vou pernoitar por tão pouco.&lt;br /&gt;- Daqui a meia hora vai ficar tão escuro que nem os nossos corpos reconheceremos. É melhor passarmos aqui a noite. Em segurança.&lt;br /&gt;- E passaremos em segurança. No nosso destino. Para que quer passar aqui a noite, príncipe? Eu não sou nenhuma mulherzinha da cidade fácil de enganar e com um fascínio inexplicável pela sua presença.&lt;br /&gt;O príncipe sorriu. “Que mulher teimosa”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde vai, princesa? – questionou Rómulo.&lt;br /&gt;- Aproveitar a noite para resolver um problema pendente – respondeu Elara – Uma espinha encravada.&lt;br /&gt;- Não percebo. Acha que a sua ausência não será notada? Bem sei que a morte de seu pai não lhe cobra lágrimas mas fingir era um mínimo precioso.&lt;br /&gt;- Neste momento a minha mãe continua ocupada com as suas grotescas torturas e o meu irmão está desaparecido. O funeral de meu pai será amanhã e estarei cá bem a tempo. Vou aproveitar a noite para ir à caverna de Luath.&lt;br /&gt;- Matar a bruxa? – perguntou Rómulo sorrindo – E não quer a minha companhia? Seria a cereja em cima do bolo.&lt;br /&gt;- Não, ainda não. &lt;br /&gt;- Então? Que negócios tem com ela?&lt;br /&gt;- A bruxa sabia o que ia acontecer. Quero saber porque ela não me alertou para intrusos. Quero saber quem levou o meu irmão. &lt;br /&gt;- Está a pensar salvá-lo?&lt;br /&gt;- Pelo contrário. Quero garantir que morre. – respondeu Elara – Além disso, quero saber que intenções têm esses intrusos e se me poderão atrapalhar no meu assalto ao trono.&lt;br /&gt;- Não percebo o porquê de continuar a poupar a vida a essa inútil…&lt;br /&gt;- Eu não preciso de ti para pensar – a princesa montou no seu cavalo – Limita-te a fazer o que eu mando se ainda sonhas com algo mais do que és. Se alguém questionar a minha ausência, tenta inventar uma desculpa credível. &lt;br /&gt;- Como desejar, princesa.&lt;br /&gt;Elara seguiu em direcção à caverna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As parcas luzes provocadas por fogueiras irrompiam a escuridão, Delenia sorriu.&lt;br /&gt;- Chegamos . – disse falando mais para ela própria do que para o príncipe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-3958108021379373757?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/3958108021379373757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=3958108021379373757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3958108021379373757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3958108021379373757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/02/capitulo-iv-parte-i.html' title='Capitulo IV - Parte I'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-4390262248478623623</id><published>2009-02-07T09:49:00.001-08:00</published><updated>2009-02-07T09:50:03.572-08:00</updated><title type='text'>Capítulo III (Parte VI)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; Nenhum outro sítio em todo o reino de Lithian fora, em toda a sua história, designado com o nome de um dos seus habitantes. Homem algum fora considerado digno de tal graça e, como tal, não havia em todo o espaço um único ser que se pudesse orgulhar de ter sequer o mais ínfimo território abrigado sob a sua designação. Nenhum excepto Doren Azthar.&lt;br /&gt;Praticamente desde o início da dinastia Raven que os filhos proscritos de Azthar, desertor do reino vizinho, haviam vivido na sombra da família reinante. Eram suas as mãos que mexiam no trabalho mais imundo e que, sem hesitar, cumpriam com os destinos que nenhum outro homem conseguiria determinar sem medo de voltar a ser visto perante a luz do dia.&lt;br /&gt;Fora, pois, esse o nome que para sempre se gravara a sangue nas mais negras memórias de Lithian e, por isso, o mais negro e imundo lugar do reino, aquele onde o medo e a agonia reinavam sobre tudo o mais, tomara para si o nome daqueles que seriam, até ao fim da tirania Raven, os carrascos dos soberanos.&lt;br /&gt;Dizia-se que o ambiente da câmara de Azthar era capaz de gelar os nervos do mais corajoso dos homens e que, se a penumbra tenebrosa da câmara, aliada aos estranhos instrumentos do carrasco, era já a visão de um inferno iminente, era contudo a crueldade espelhada no olhar de Doren o primeiro de todos os suplícios.&lt;br /&gt;Naquele dia, um sádico sorriso parecia pairar nos lábios do carrasco que, segurando nas mãos uma fina lâmina, parecia esperar, pacientemente, a sua vítima. Contrariamente a outros que, em tempos, haviam exercido a sua função, um descendente de Azthar jamais ocultaria o rosto e, como tal, a sua face pálida e esquelética parecia ser, perante os condenados, como um prelúdio à contemplação da morte.&lt;br /&gt;E então Alessandra entrou, um lampejo de cumplicidade brilhando no seu olhar. Por algum motivo fora a rainha a protectora daquele homem odiado. Havia, na verdade, uma secreta razão que levava a tímida e submissa rainha a acompanhar com tanto empenho os interrogatórios da justiça real, fitando serenamente o seu secreto protegido enquanto o seu corpo reagia aos gritos dos supliciados. Atrás de si, dois dos guardas arrastavam o corpo da sua nova vítima, já despojado das suas vestes, e pronto a sofrer em nome do prazer e da verdade. Por último, como se encerrasse uma espécie de cortejo fúnebre, também a perturbada figura do conselheiro Lothian entrou na sala.&lt;br /&gt;Silenciosamente, Doren sorriu, enquanto observava a sua sádica rainha tomar o seu lugar no modesto trono, no centro de uma das paredes da câmara. Como a uma deusa sinistra, viu-a ordenar aos guardas que lhe apresentassem o seu prisioneiro, enquanto, com um leve aceno, indicava a Lothian que se aproximasse.&lt;br /&gt;- Compreenderá, certamente, – disse ela – porque vos trouxe comigo, conselheiro Lothian. É, evidentemente, o seu dever assistir-me na busca do responsável pela morte do meu marido.&lt;br /&gt;- Evidentemente, majestade. – concordou o conselheiro, ocultando sob o gesto de uma breve referência, o verdadeiro pavor que lhe consumia os sentidos. O que faria se o prisioneiro soubesse da sua intervenção na conjura? Que poderia fazer caso o homem pronunciasse o seu nome?&lt;br /&gt;- Azthar. – prosseguiu a rainha, dirigindo-se ao carrasco – Trago-te um assassino. É possível que o negue com todas as suas forças, mas eu sei que é culpado. Espero que mo proves.&lt;br /&gt;Doren respondeu com uma vénia.&lt;br /&gt;- Muito bem. – concluiu Alessandra – Podes começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia que, finalmente, a confusão de Vareil ia ficar para trás e, à medida que Fadenbran o conduzia por entre as ruas mais decrépitas, que eram também as mais desertas da capital, Caledon começava a acreditar que conseguiriam escapar em segurança ao caos provocado pelo assassínio do rei.&lt;br /&gt;Quando, contudo, a penumbra começava a invadir os céus e a floresta circundante começava já a ser visível, a sua caminhada foi bruscamente interrompida por uma visão invulgar. Diante dos seus olhos perturbados, três carruagens pareciam ser cuidadosamente posicionadas, ainda com os seus animais atrelados, de modo a estarem prontas a partir, mas, ainda assim, obstruindo por completo o caminho em frente. Não parecia, ainda assim, haver ninguém por perto.&lt;br /&gt;- Recue, Westraven… - murmurou Fadenbran, em tom de urgência – Tenho um mau pressentimento sobre isto…&lt;br /&gt;Atemorizado, Caledon preparava-se para obedecer quando, subitamente, o ar foi invadido pelos ruídos de um numeroso grupo de homens que, saindo das sombras atrás de si, começaram a avançar na sua direcção. &lt;br /&gt;- O que é isto, Fadenbran? – perguntou, forçando a voz a não vacilar.&lt;br /&gt;- Não faço a menor ideia… - respondeu este, reflectindo também o medo na sua expressão – Tente fugir. – sugeriu – Vou tentar mantê-los ocupados.&lt;br /&gt;Antes que Caledon tivesse oportunidade de responder, já o lorde se lançava em direcção às carruagens, como se planeasse fugir. Contrariamente, contudo, ao que parecia ser o seu plano, apenas dois dos seus atacantes investiram na sua direcção, lançando-se os restantes em direcção a Westraven, que, paralisado pelo medo, mal se debateu antes de ser completamente imobilizado.&lt;br /&gt;Por um momento, ainda tentou vislumbrar o que se passava, mas sem sucesso, pois, escassos segundos depois, um grosso capuz negro era enfiado pela sua cabeça, tapando-lhe a visão, ao mesmo tempo que outras mãos o agarravam e amarravam. Antes, contudo, de se sentir arrastado para longe e descuidadamente lançado para o interior do que calculou ser uma das carruagens, não pôde deixar de ouvir a voz de Fadenbran, modificada num grito que lhe gelou o sangue:&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias horas haviam decorrido, mas, na câmara de Azthar, nenhum dos presentes estava mais próximo da verdade que anteriormente.&lt;br /&gt;Era verdade, de facto, que Durun tentara mostrar-se um cobarde perante a rainha, na esperança de conquistar para si próprio o direito de uma morte rápida, ao invés do sofrimento. Sabia-se capaz de resistir a muito, mas não podia ter a certeza de controlar os seus segredos perante um limite demasiado extenso de dor e, por isso, tentara encontrar na cobardia o refúgio da única fuga que lhe seria permitida.&lt;br /&gt;Perante a dor, contudo, a sua alma revelara-se mais forte do que ele próprio alguma vez a julgara. Diante dos olhos de Alessandra que, inconscientemente, reflectia em cada sorriso e em cada gesto, o mais profundo desejo da crueldade absoluta, Doren Azthar brincara com o seu corpo através dos mais temíveis e dolorosos instrumentos, mas os lábios da sua vítima não se haviam separado senão para dar passagem aos gritos.&lt;br /&gt;E, agora, enquanto via os olhos do prisioneiro, desesperado, suplicante, mas inflexível no seu silêncio enquanto fitava alternadamente o sádico sorriso da rainha e a tensa expressão do conselheiro, Alessandra estava, finalmente, satisfeita. Tinha um culpado para dar a si própria e as suas ânsias não lhe pediam mais dor. Para que precisava de continuar a insistir nas provas?&lt;br /&gt;- Ele não falará. – declarou, levantando-se bruscamente, enquanto, de forma discreta, trocava com o carrasco um leve olhar de aprovação – Termina com o seu sofrimento. Conselheiro… - acrescentou – Ficará para se certificar da execução, presumo…&lt;br /&gt;Lothian assentiu, sentindo a tensão do seu corpo abrandar enquanto a figura da soberana se afastava do trono, para, em seguida, abandonar a câmara. Então, o seu olhar desviou-se para o corpo mutilado e ensanguentado de Durun, a tempo de encontrar nos seus olhos a acusação do fracasso, a mesma imagem que, para sempre ficaria aprisionada na sua memória, imobilizada no estertor da morte que, pela mão do carrasco, descia sobre o peito do condenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns momentos, os gritos de Caledon continuaram a ouvir-se, apesar de abafados pelo tecido, enquanto, no interior da carruagem, alguns dos seus captores tratavam de o imobilizar devidamente, para depois o silenciar com uma mordaça.&lt;br /&gt;Alguns instantes depois, contudo, enquanto o silêncio se estabelecia, os dois homens saíram da carruagem, aproximando-se com reverência da figura que, tendo retomado a sua máscara de serenidade, os fitava tranquilamente, de braços cruzados sobre o veludo das suas vestes negras.&lt;br /&gt;- Cumprimos a nossa parte, Lorde Fadenbran. – declarou um deles – Para onde devemos seguir?&lt;br /&gt;- Para a terra dos exilados, Johan. – respondeu Soran, com um sorriso leve, enquanto os seus olhos se fixavam na carruagem – Aí, onde a lua de Varin brilha com a magia dos puros, a senhora dos condenados receberá o nosso tributo e aceitará a nossa fidelidade.&lt;br /&gt;- Muito bem, senhor. – assentiu o homem – Que seja para Varin.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-4390262248478623623?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/4390262248478623623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=4390262248478623623' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4390262248478623623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4390262248478623623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/02/capitulo-iii-parte-vi.html' title='Capítulo III (Parte VI)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-7429785167407294340</id><published>2009-01-27T05:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T05:37:24.942-08:00</updated><title type='text'>Capitulo III (Parte V)</title><content type='html'>Rómulo tinha a noção de que os arqueiros não tinham fuga possível. Os soldados que o seguiam cercariam as torres e, assim que os assassinos do rei fossem apanhados tudo estaria perdido. Abriam a boca em troca da liberdade e o plano estava arruinado. Porém, com a ajuda de Serpeus, um soldado com mais amor pelas moedas de ouro do que pelo reino, tinha elaborado um plano. Em ambas as torres havia deixado algumas tochas para com elas atear fogo a ambas as torres. Rómulo trataria da torre do seu lado direito enquanto o seu aliado estava encarregue da outra. &lt;br /&gt;Ambos pediram aos soldados para esperarem e entraram nas torres. De imediato atearam o fogo, impedindo a saída dos arqueiros. Em seguida, saíram apressadamente, anunciando em falsos gritos de horror que as torres estavam a arder. Nenhum dos arqueiros, que rapidamente desciam as escadas para tentar a fuga, sabendo que se fossem apanhados pela rainha seriam entregues aos leões, conseguiu evitar uma expressão de terror ao encontrar as chamas. Logo naquele local gritaram por ajuda. Rómulo, Serpeus e seus homens ouviram perfeitamente os gritos desesperados.&lt;br /&gt;- O fogo é um castigo brando para o vosso crime! – exclamou Rómulo.&lt;br /&gt;- Ardei no inferno que criaste! – apoiou Serpeus.&lt;br /&gt;Os arqueiros voltaram a subir as escadas e de cima das torres suplicaram por ajuda. &lt;br /&gt;A rainha dirigiu para as torres um olhar de desprezo.&lt;br /&gt;- Os santos protegeram-vos, malditos. Pudesse eu as colocar minhas mãos em vocês... Deixasse-me Deus vingar a sangue frio a morte do meu rei. &lt;br /&gt;A atenção de todos desviou-se das torres, Elara, acompanhada de quatro soldados e de um desconhecido, aproximavam-se da rainha. &lt;br /&gt;- Minha mãe, minha rainha, olvide aqueles dois, pois são apenas carneiros. Apresento perante si o mentor de todo este trágico estratagema.&lt;br /&gt; Durun sentia-se confuso com tudo aquilo. Ele, mentor? Ele, culpado daquele atentado? Sim, ele tinha um plano, todos os seus amigos tinham, mas esse plano tinha falhado. Alguém interviera, alguém que não tinha nada a ver com o plano de Amara.  &lt;br /&gt;- Quem és tu, miserável? Porque trouxeste a morte a um dia de festa? – questionou a rainha, aproximando-se de Durun.&lt;br /&gt;- Sou Durun, filho dos vales e bosques. Venho sozinho e, ao contrário do que a princesa afirma, não tenho nada a ver com a morte do rei. &lt;br /&gt;- Além da morte do meu marido ainda te dás ao desplante de contradizeres a minha filha? Como te atreves? Quem pensas que és? – interrogou Alessandra em cólera.&lt;br /&gt;Elara aproximou-se de Rómulo, deixando a rainha e os soldados com Durun.&lt;br /&gt;- Idiota! Tu disseste que eles não falhariam! O meu irmão fugiu! – murmurou Elara, zangada.&lt;br /&gt;- Deixe que aqueles idiotas morram queimados. O príncipe fugiu,mas ainda há esperança. Ainda há algo a fazer. Enviaremos soldados à sua procura… Soldados para o eliminar. – segredou Rómulo.&lt;br /&gt;- Espero que sim, para tua saúde. – ameaçou Elara - Considera este como o teu primeiro e único perdão, meu querido Rómulo. Caso não consigas os teus intentos, poderás ter a certeza disto… Tu morrerás!&lt;br /&gt;Entretanto Durun tremia perante a Rainha. Por mais que jurasse que nada tinha a ver com o que tinha acontecido Alessandra não acreditava.&lt;br /&gt;- Soldados, - ordenou esta - levem-no para a Câmara de Azthar. A sua dor não lhe permitirá mentir por muito mais tempo. &lt;br /&gt;O cenário de festa estava agora destruído. O corpo do rei havia sido retirado pelos soldados, as torres haviam sido incendiadas e os arqueiros queimados. Ísis encontrava-se abraçada ao pai chorando pelo desaparecimento de Adhemar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mesmo instante na floresta, Delenia e Adhemar corriam como loucos até que o príncipe parou, esgotado.&lt;br /&gt;- Pára… - pediu, tentando recuperar o fôlego - Onde vamos? Penso que já corri muito trilho com alguém que desconheço. &lt;br /&gt;Delenia sorriu.&lt;br /&gt;- Alguém que te salvou.  – respondeu - Não achas que é o suficiente para confiares em mim? &lt;br /&gt;- Diz-me o teu nome.&lt;br /&gt;- O que interessa? Não será o meu nome que te salvará a vida mas sim as nossas pernas. Não sabes o que aconteceu, temos de continuar.&lt;br /&gt;- Encontraremos um abrigo para descansarmos. – sugeriu o príncipe.&lt;br /&gt;- Está bem – disse Delenia, impaciente – Mas vês aqui algum abrigo? Ou queres abrigar-te numa toca de esquilo? &lt;br /&gt;Sem palavras para a contradizer, o príncipe não disse mais nada, continuando a caminhar.&lt;br /&gt;Delenia parou por alguns segundos, esperando que Adhemar se aproximasse. O seu rosto estava agora profundamente sério.&lt;br /&gt;“Porquê?”, pensava. “Porque é que te salvei? Espero que Amara saiba o que fazer.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-7429785167407294340?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/7429785167407294340/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=7429785167407294340' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7429785167407294340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7429785167407294340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/01/capitulo-iii-parte-v.html' title='Capitulo III (Parte V)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-7046478958322188189</id><published>2009-01-24T06:06:00.001-08:00</published><updated>2009-01-24T06:06:57.779-08:00</updated><title type='text'>Capítulo III (Parte IV)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A confusão instalou-se entre os convidados, como um fogo devorador sobre os campos ressequidos. O medo cantava aos corações uma sinfonia de morte e de terror e, movidos pela compulsão que lhes gritava que sobrevivessem, muitos dos convidados afastavam-se do local, uns correndo pelas suas vidas, outros tentando disfarçar a apreensão numa retirada aparentemente serena.&lt;br /&gt;Havia entre eles, contudo, mais que um homem com razões para temer pela sua vida e, de todos eles, era Lothian o que se encontrava mais próximo da suspeita, parado junto ao trono de onde o rei deveria dar início às celebrações com um breve gole do cálice envenenado.&lt;br /&gt;Que mãos haviam enviado aquelas flechas contra o rei? Seriam aliados ou inimigos? Poderia correr o risco de permanecer sereno ante uma ameaça desconhecida? Lentamente, velando para que os apressados presentes que se cruzavam com ele não notassem que se dirigia ao trono, o conselheiro aproximou-se, pouco a pouco, da pequena mesa onde repousava o majestoso cálice. Olhou em volta, assegurando-se que ninguém vigiava os seus actos. Depois, discretamente, empurrou com o pé a pequena mesa, levando a que esta tombasse, derrubando o conteúdo do cálice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, no recinto dos nobres, outros olhos seguiam, apreensivos, o desenrolar dos acontecimentos. Sabia que, de todos os lordes de Lithian, sempre fora o favorito do monarca. Na verdade, conquistara esse lugar à custa de todos os meios que encontrara ao seu alcance. E agora Amon estava morto, assassinado diante dos olhos da elite do seu povo, pelas mãos de inimigos invisíveis à sua visão. Quem seriam os responsáveis por aquele atentado? Estaria também a sua vida em risco?&lt;br /&gt;- Lorde Westraven. – chamou uma voz atrás de si, sobressaltando-o.&lt;br /&gt;- Sim? – respondeu, agitado, enquanto se voltava, para encontrar, fixo em si, o rosto preocupado de outro dos senhores do reino, Soran Fadenbran. Evidentemente, também ele comparecera à cerimónia, e fizera-o nos seus mais ricos trajes, ostentando uma luxuosa capa de veludo escarlate que parecia iluminar a obscuridade das vestes que completavam a sua indumentária. Também ele parecia fitar o local onde o rei tombara, como se procurasse algo, mas, contrariamente a todos os que o rodeavam, não parecia agitado nem assustado com a situação.&lt;br /&gt;- Não devíamos ficar aqui. – declarou Soran, na sua voz suave – Não sabemos quem está por trás deste… deste crime… Poderão ser também nossos inimigos. Principalmente, sabendo da sua relação de proximidade a Amon.&lt;br /&gt;Caledon estremeceu.&lt;br /&gt;- Tem alguma ideia de como sair daqui? – perguntou – Se o rei foi atingido perante todos os seus guardas, não creio que exista um único lugar seguro em Vareil. Vá, se precisa de partir! Eu fico aqui.&lt;br /&gt;- Por amor de Deus, Westraven! – exclamou o lorde, preocupado – Acha que expor o seu corpo à morte lhe confere algum benefício? Eu posso salvá-lo, homem!&lt;br /&gt;- Pode? – replicou Caledon, surpreendido – Como…?&lt;br /&gt;Soran suspirou, desviando, enfim, o olhar da confusão que se avultava em redor do monarca assassinado. Não poderia continuar a fitar o espaço sem que suscitasse desconfianças. Ainda assim, perguntava-se o que teria acontecido com Delenia, e porque razão desaparecera da vista de todos o corpo ou a vida do príncipe herdeiro.&lt;br /&gt;- Sabe que tenho muitos inimigos. – explicou, tentando parecer conciliador – Isto não deve ser segredo para si, uma vez que também os tem. Acontece que, contrariamente e a si, e não veja isto como um insulto, eu nunca tive ao meu dispor a protecção das forças reais. Foi por isso que criei o meu caminho de fuga, para que, se um dia, se revelasse necessário, pudesse garantir a minha segurança. Não posso morrer enquanto não tiver um herdeiro a quem deixar o meu nome. – acrescentou, pensativo.&lt;br /&gt;» Fujamos de Vareil, Westraven. – insistiu - Tenho um casebre escondido nos arredores, onde armazenei meios suficientes para que possamos partir para um lugar seguro. Qualquer lugar que escolhamos…&lt;br /&gt;Caledon hesitou.&lt;br /&gt;- Confie em mim. – insistiu Soran – Salve a sua vida. Não lhe pedirei nada em troca. Mas, se vem comigo, então temos de o fazer já! – acrescentou.&lt;br /&gt;Relutante, Caledon assentiu, lançando um último olhar ao espaço em seu redor.&lt;br /&gt;- Vamos. – disse – Não creio que seja de qualquer utilidade ficar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tivera qualquer hipótese de se aproximar da rainha, cercada por um grupo de soldados que, prontamente, haviam acorrido, ao ver o corpo do rei tombar por terra, para proteger a família soberana. Devastada, Alessandra chorava sobre o cadáver do marido, como se o seu mundo tivesse desabado naquele exacto momento, ainda que os seus olhos parecem emanar mais cólera que dor.&lt;br /&gt;Na fúria da sua perda, a rainha exigia que os responsáveis fossem trazidos à sua presença, uma vez que os queria ver mortos, pelo que, incapaz de cumprir com a sua missão, Avalen achou mais seguro afastar-se, ainda que, oculto sobre o disfarce de um dos acólitos, poucos pudessem suspeitar da sua verdadeira missão.&lt;br /&gt;De qualquer forma, porque deveria ficar e arriscar a vida na hipótese de ser descoberto, se era já mais que evidente que não conseguiria alcançar o seu alvo? Discretamente, afastou-se da confusão, retirando-se lentamente do espaço, buscando entre passos uma forma de sair de Vareil. Um breve suspiro escapou-lhe, então, dos lábios. Como reagiria a senhora Morningstar ao seu fracasso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como uma estátua de pedra a jovem princesa que, silenciosa e serena, fitava o cadáver do seu pai. Ligeiramente afastada da rainha chorosa e dos soldados que a defendiam, Elara parecia ser um alvo surpreendentemente fácil para o homem que fora encarregue de a neutralizar. Na verdade, apenas quatro homens a acompanhavam, e, pelo luxo ostensivo das suas vestes, pareciam pertencer aos convidados da família real e não aos defensores do reino.&lt;br /&gt;Provavelmente seria notado, pensou Durun, enquanto, passo a passo, se aproximava, mas não antes de cumprir com a sua missão. Escondido entre os soldados e trajado com o mesmo uniforme de todos eles, ninguém suspeitaria dos seus objectivos até que fosse demasiado tarde.&lt;br /&gt;Não contava, contudo, com a previdência da princesa que, responsável pela morte do rei, não deixara de prever a possibilidade de um ataque à sua pessoa, quer fosse porque suspeitassem da sua intervenção, quer porque alguém a tivesse traído. Foi, por isso, com espanto que, quando se aproximou do corpo de Elara, Durun se viu rapidamente agarrado pelas mãos dos quatro homens que a rodeavam e que, rapidamente eliminaram a sua resistência através da violência dos seus golpes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, na sua pequena casa em Varin, a senhora daquela conspiração perdida fitava atentamente os olhos da criança vidente. Naquele momento, toda a sua juventude se desvanecera no poder da profecia e Mirian tinha no rosto a profundidade dos abismos. Demasiado jovem para ter no corpo a força de um adulto, tinha na alma todos os séculos do mundo.&lt;br /&gt;- Consegues vê-los, Mirian? – perguntou Amara, suavemente – Podes dizer-me alguma coisa?&lt;br /&gt;O verde-claro dos olhos que tudo viam fitou-se no rosto da inquiridora, severo e entristecido por demasiadas visões. Na verdade, nada se desvanecia perante a sua omnipresente visão, mas, no caos de todas as divisões e confusões que haviam tomado posse da malfadada cerimónia, a vidente não podia encontrar mais que uma certeza, um murmúrio de totalidade em todos os fragmentos que observava.&lt;br /&gt;- Falharam, Amara.- disse - Falhámos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-7046478958322188189?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/7046478958322188189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=7046478958322188189' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7046478958322188189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7046478958322188189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/01/captulo-iii-parte-iv.html' title='Capítulo III (Parte IV)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-8466512981556190942</id><published>2009-01-20T05:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-20T05:37:12.375-08:00</updated><title type='text'>Capitulo III (Parte III)</title><content type='html'>Os passos compassados e molestos eram somente um pequeno indício do estado nervoso em que se encontrava Elara. Tinha sido demasiado tempo perdido, nada podia dar errado. E era tanta responsabilidade que recaía sobre dois homens inúteis… Deveria ser ela a disparar as flechas….mas era desmedidamente ousado. &lt;br /&gt;Nervosamente, fechou os seus punhos. Se Rómulo falhasse, não descansaria enquanto não observasse a cabeça do guerreiro rolar até aos seus pés. Aproximou-se da janela do seu quarto e olhou para o pátio onde os escravos tratavam de alguns preparativos. Elara soltou um sorriso tremido, pegou em uma pequena agulha que estava na mesa do lado direito da janela e crivou-a no seu dedo mindinho da mão esquerda,&lt;br /&gt;- Meu pai, hoje provar-te-ei, a ti e a toda a gente, de que fibra é feito o sangue que corre nas minhas veias! Eu e só eu serei a rainha! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas…Mas onde está ela? – perguntava a rainha, desesperada. – Onde se meteu aquela incapaz? Que não lhe passe pela cabeça abandonar o meu filho! Não hoje! Não depois de tudo! &lt;br /&gt;- Tenha calma, minha rainha. Provavelmente foi ter com alguém. – sugeriu a conselheira.&lt;br /&gt;- Sim, vamos ao jardim. Espero que ela esteja por lá. Para o bem dela! Que não volte a pisar o solo deste reino se me fizer tal desfeita, porque a sua cabeça será distribuída pelos leões!&lt;br /&gt;A rainha e a conselheira real saíram em passo apressado em direcção ao jardim Amedrontados pela sua expressão furiosa, os soldados e os escravos afastavam-se apressadamente de Alessandra.&lt;br /&gt;O jardim real assemelhava-se a um labirinto e a procura por Ísis seria bastante exaustiva caso fossem apenas as duas mulheres.&lt;br /&gt;- Minha rainha, não vale a pena cansar-se. Convoque alguns soldados para vasculharem o jardim. &lt;br /&gt;- Eu não quero que isto se espalhe. Seremos só nós duas…E teremos que acelerar o passo.&lt;br /&gt; - De acordo, minha rainha. &lt;br /&gt;As duas seguiram caminhos diferentes tentando encontrar Ísis o mais rapidamente possível.&lt;br /&gt;“E ela não estiver cá? Coitada da rainha…tanto esforço, tanto empenho e agora aconteceu isto...algo que ninguém poderia adivinhar.”, pensou Dyniana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o rei acompanhava o seu filho cumprimentando todas as famílias presentes. Adhemar divertia-se com a falsidade de seu pai, a sua capacidade de falar com as gentes que lhe apenas desejavam o escalpe, que seriam os primeiros a cavar a sepultura da família Raven. Mas o reino era propício a estas situações. as uniões entre as pessoas tinham o seu momento E a amizade era uma palavra utópica. Até mesmo o príncipe já estava bastante evoluído na sua aprendizagem de relações interpessoais. Não foi, por isso, surpresa para o rei o à vontade do príncipe a falar com Rhemos, seu inimigo de infância. &lt;br /&gt;Se é verdade que já tinham passado anos desde o seu último encontro, o olhar dos dois não mentia. O ódio mantinha-se lá, não tinha morrido. A sorte de Adhemar em ser filho do rei causava a inveja de Rhemos, e a facilidade com que o príncipe pôde igualar a educação dos outros foi a machadada sinal. Adhemar, como qualquer filho de rei, tinha a sua própria educação e, assim, logo desde os três anos começou a ser educado, assim continuando até aos quinze anos. Aí, o jovem fartou-se das paredes do castelo e solicitou aos pais que pudesse ter uma educação igual à dos outros, e assim foi colocado na Escola de Hallyarth, para onde iam todos os filhos de nobres. Entre eles encontrou Rhemos, filho do falecido Guiliärt, um dos mais bravos guerreiros do reino e de Yudimassa, uma das mulheres mais belas de Lithian, viúva cobiçada pelos mais valorosos soldados, mas sem que nenhum deles tivesse sucesso. Até Gälart tinha falhado as suas tentativas. &lt;br /&gt;As quezílias entre Adhemar e Rhemos duraram por todo o período escolar. Qualquer rapariga que fosse alvo do desejo do príncipe era, desde esse momento, também um objectivo de Rhemos, mesmo que este não suportasse a presença da rapariga. Os professores, receosos, sempre deram as melhores notas a Adhemar perante a irritação de Rhemos. O príncipe não se importava em ser beneficiado, mais tempo lhe sobrava para andar na boa vida com o seu primo. Os constantes sorrisos de troça de Adhemar tiravam Rhemos do sério e em uma noite encontraram-se sozinhos em um canto escuro da cidade.&lt;br /&gt;- Pois é hoje que acertaremos as contas, Rhemos. – afirmou o príncipe.&lt;br /&gt;- Admira-me que não tragas as tuas mascotes de estimação atrás de ti. Surpreende-me, é certo. – observou o inimigo.&lt;br /&gt;- Não preciso dos meus soldados para tratar de ti. És demasiado insignificante. – sorriu Adhemar.&lt;br /&gt;- Isso veremos! – exclamou Rhemos atirando-se a ele, tentando acertar-lhe com o punho.&lt;br /&gt;Adhemar desviou-se e deu uma joelhada no estômago de Rhemos. &lt;br /&gt;O filho de Guiliärt soltou sangue pela boca, ajoelhou-se no chão com as mãos sobre a zona atingida.&lt;br /&gt;- Já acabou? É tudo o que tinhas para dar? – perguntou Adhemar, soltando uma gargalhada.&lt;br /&gt;O olhar de Rhemos endureceu ao ollhar para o príncipe.&lt;br /&gt;- Não, meu príncipe! Não acabou! &lt;br /&gt;Levantou-se, meio cambaleante e, olhando para o chão, começou a rir-se. &lt;br /&gt;- Qual é a graça? – questionou Adhemar irritado. &lt;br /&gt;Rhemos tirou uma adaga do seu cinto.&lt;br /&gt;- Não sairás daqui vivo…meu príncipe.&lt;br /&gt;O adversário do príncipe correu com a adaga apontando ao coração do inimigo, porém a sua velocidade não foi suficiente para surpreender o adversário. Adhemar saiu da frente de Rhemos e pregou-lhe uma rasteira, a adaga foi de imediato recolhida pelo príncipe que colocou-a na garganta de Rhemos.&lt;br /&gt;- Cobarde! Devia matar-te agora mesmo! – exclamou Adhemar.&lt;br /&gt;- Pois que esperas? Tanto eu como tu sabíamos ao que vínhamos. Hoje só um sairá vivo! &lt;br /&gt;- Não vai ser necessariamente assim. – afirmou o príncipe sorrindo.&lt;br /&gt;- Mata-me! &lt;br /&gt;- Não! Hoje é o dia em que te deixo viver! Hoje é o dia em que tu ficarás em dívida comigo…para sempre! E saberes isso…é pior castigo que a morte. – disse Adhemar, levantando-se e atirando a adaga para longe.&lt;br /&gt;Rhemos não se levantou. As lágrimas escorriam pelo seu rosto. A humilhação tinha sido total. Olhou para o lado e numa garrafa partida viu o seu reflexo. Procurou uma pedra no chão e atirou contra a garrafa, partindo-a. Era demasiado vergonhoso olhar para si próprio… Depois, sabendo que o príncipe ainda o podia ouvir gritou o mais alto possível.&lt;br /&gt;- Vais pagar por isto, príncipe! Um dia irás pagar! Um dia será feita vingança!&lt;br /&gt;Aquela noite foi totalmente recordada nos poucos segundos em que se cumprimentaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o desespero já invadia o rosto da rainha, a voz de Ísis surgiu no horizonte. &lt;br /&gt;- Minha rainha. – chamou a noiva que apareceu nas suas costas acompanhada da conselheira real. &lt;br /&gt;- Aqui está ela. Estava sentada à beira do lago do jardim. – disse Dyniana. &lt;br /&gt;- Minha filha, que te deu para desapareceres assim? Ias-me matando de preocupação! – exclamou a rainha.&lt;br /&gt;- Perdoe-me minha rainha, apenas precisei de um tempo sozinha. Hoje é um passo enorme para mim. Por favor, perceba-me.&lt;br /&gt;A rainha agitou as suas mãos acelerada.&lt;br /&gt;- Não há tempo para perceber ou não perceber! A hora do casamento aproxima-se! Temos que nos despachar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chegou a hora do casamento. A noiva acabou por chegar um pouco atrasada, mas nada de muito estranho e até habitual nos casamentos. &lt;br /&gt;Na primeira fila, era impossível a Elara disfarçar o seu nervosismo, mas a situação em que estava era um bom álibi. Afinal, porque não estaria impaciente com o casamento de um irmão? O  rei e a rainha sentaram-se em tronos improvisados ao lado do altar exterior. Alvos muito fáceis, pensava Elara. Na fila de trás estava Rómulo, que, aproveitando um momento de maior confusão, segredou ao ouvido da princesa que os arqueiros estavam em posição. &lt;br /&gt;A cerimónia ia decorrendo normalmente. Gälart, também na primeira fila, não conseguia evitar uns sorrisos de vez em quando. Nunca imaginara o primo naquela situação e só tentava imaginar o que sairia dali. Quando o padre perguntou se Adhemar tinha a certeza de que queria aceitar Ísis como sua esposa, Gälart ainda paralisou por alguns segundos. Será que o príncipe faria a desfeita aos seus pais? &lt;br /&gt;- Sim. - respondeu o príncipe, descansando todos os presentes. &lt;br /&gt;Quando todos pensavam que o casamento estariaa terminado assim que Adhemar e Ísis selassem a cerimónia com um beijo, duas setas sobrevoaram os presentes, uma delas atingindo o rei, e provocando o caos no recinto, impedindo os presentes de ver que a outra flecha não atingira o príncipe, pois este desaparecera…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-8466512981556190942?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/8466512981556190942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=8466512981556190942' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8466512981556190942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8466512981556190942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2009/01/capitulo-iii-parte-iii.html' title='Capitulo III (Parte III)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-2911589374396914081</id><published>2008-12-13T11:32:00.001-08:00</published><updated>2008-12-13T11:32:38.834-08:00</updated><title type='text'>Capítulo III (Parte II)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Havia algo de negro nos olhos de Soran Fadenbran, enquanto caminhava por entre a multidão agitada, expectante relativamente ao casamento em vias de acontecer. Noutras circunstâncias, a sua figura teria tido no povo um impacto poderoso, levando a que se afastassem para permitir a passagem do seu nobre e imponente vulto. Naquele dia, contudo, o traje de um dos mais importantes lordes do reino não se marcava pelos luxuosos veludos da sua casa, mas sim pelos tecidos vulgares que, ainda que lhe servissem de disfarce, enquanto caminhava pelo meio da populaça, não lhe atenuavam o brilho da beleza que em breve voltaria a ser revelada.&lt;br /&gt;Com um olhar penetrante, Soran percorreu a multidão, em busca dos seus aliados. Precisava de saber que tudo estava preparado, que a sua conspiração não falharia por um erro estúpido. Só depois retomaria as marcas da sua posição social e ocuparia o sue lugar na bancada dos lordes, imediatamente atrás daquele que, além de seu inimigo, seria também o seu alvo.&lt;br /&gt;- Não devia andar por aqui sozinho. – sussurrou, subitamente, uma voz ao seu ouvido, levando a que o lorde se sobressaltasse. Ainda assim, este controlou as suas emoções e, calma e ponderadamente, continuou a caminhar, apercebendo-se então de que a figura que lhe falava se colocava a seu lado.&lt;br /&gt;- Delenia… - murmurou Soran, reconhecendo-a – Andava à tua procura. Tudo está preparado?&lt;br /&gt;A mulher respondeu-lhe com um sorriso perturbador.&lt;br /&gt;- Evidentemente. – disse – Durun e Avalen foram destacados para a guarda das damas reais. Infelizmente, foi necessário que os soldados originais fossem substituídos, uma vez que sofreram um acidente.&lt;br /&gt;Soran acenou, solene.&lt;br /&gt;- Um acidente mortal? – inquiriu.&lt;br /&gt;- Por quem me toma, senhor? – inquiriu Delenia, fingindo-se chocada – Doloroso, talvez. Não creio que se possam aproximar das celebrações nas próximas horas, mas, se isso o preocupa tanto, saiba que estão vivos e que, quando recuperados, não ficarão com sequelas…&lt;br /&gt;- Não troces de mim, mulher! – exclamou o lorde, mantendo a voz num tom baixo, mas nitidamente ameaçador – Os meus pensamentos acerca dos métodos que usas não são para aqui chamados. E tu? Como vais alcançar o jovem príncipe?&lt;br /&gt;Delenia sorriu.&lt;br /&gt;- Eu? – perguntou – Não creio que venha a ter grandes dificuldades com isso. Imagine que uma mulher com a minha beleza se aproxima dos soldados e pede para servir o senhor na cerimónia. Julga que serei recusada?&lt;br /&gt;- Assegura-te de que não o és. – ordenou Soran, peremptório.&lt;br /&gt;O sorriso desapareceu dos lábios da mulher.&lt;br /&gt;- Tudo está pronto. – disse ela – Cumpra com a sua parte que nós cumpriremos com a nossa. E, se bem me recordo, o vosso lugar é junto de lorde Caledon.&lt;br /&gt;Soran assentiu.&lt;br /&gt;- O meu lugar espera-me e não me fugirá, Delenia. Vai, e toma o teu posto, que eu tomarei o meu. Não creio que este… casamento… tarde muito mais em começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho no silêncio da câmara sacerdotal, também Lothian cumpria com a que seria a sua missão. A taça da celebração estava já pronta e o melhor vinho de Lithian enchia o ouro do vaso que tocaria, antes de qualquer outros lábios, os reais lábios de Amon Raven. Faltava apenas um último toque, o rubro fulgor que arrancaria ao arrogante rei o derradeiro sopro da sua vida, deixando apenas a sombra de um corpo inerte e o caos espalhado sobre as ruínas do seu reinado.&lt;br /&gt;Lentamente, o conselheiro percorreu com o olhar todos os recantos da câmara, assegurando-se de que se encontrava sozinho. A mais pequena falha significaria o fracasso e a morte e esse era um risco que ele não estava disposto a correr. Depois, vendo que nenhum dos padres e monges que auxiliariam à cerimónia voltara para trás, aproximou-se, cuidadosamente, da taça da celebração, com a qual, depois de cumpridos os rituais, o senhor de Lithian abençoaria a união do casal.&lt;br /&gt;O pequeno frasco surgiu, como se do nada, na sua mão trémula. Depois daquele passo, não haveria retorno. Era a sua vida que apostava naquele gesto e, por momentos, perguntou-se seria aquela a escolha certa. Quando a hesitação surgia, contudo, havia também uma voz que lhe recordava tudo aquilo que perdera e, mais uma vez, as suas apreensões silenciavam-se sob o peso do desejo de vingança e, naquele momento, foi isso mesmo que aconteceu.&lt;br /&gt;Meticulosamente, Lothian retirou a tampa do frasco e, inclinando-o um pouco, derramou sobre o rubro vinho o líquido mortal. Nesse momento, um breve sorriso escapou dos seus lábios, afogando-se depois sob a austera máscara da sua serenidade habitual. Em seguida, como se prestasse os seus respeitos ao deus que, do altar, presenciara o seu acto, fez uma leve vénia, e afastou-se em direcção ao exterior.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-2911589374396914081?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/2911589374396914081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=2911589374396914081' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2911589374396914081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2911589374396914081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/12/captulo-iii-parte-ii.html' title='Capítulo III (Parte II)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-427124261737695283</id><published>2008-12-08T06:02:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T15:08:07.900-08:00</updated><title type='text'>Capitulo III - Parte I</title><content type='html'>Os corações tremiam à medida que a rainha se aproximava de cada um dos envolvidos na preparação da celebração. Todos sabiam que nenhum pormenor poderia falhar. Nada. Aquela era uma oportunidade única de mostrar ao seu marido e rei o que ela podia fazer por ambos. Afinal, nem todas as batalhas se ganhavam com espadas. Havia algumas, raras, é certo, que se resolviam em dias como aqueles, a demonstração da superioridade e da riqueza, a nobreza no seu melhor, ultrapassando todos os outros reinos como uma mostra de império. Não foi de estranhar, pois, quando, ofuscada pelo sol que brilhava fortemente, a cabeça de um escravo que não tinha cumprido as suas funções apropriadamente rolou, parando mesmo ao lado da sua filha de apenas oito anos. A sua mãe correu apressadamente para lhe tapar os olhos, esquecendo-se ela própria da tragédia perante si. A rainha sorriu, apontando insistentemente para o corpo que, por alguns segundos, ainda se moveu, como se mesmo sem rosto todos os presentes conseguissem sentir o seu sofrimento e desespero…Afinal, tinham sido apenas quatro flores que haviam murchado…quatro flores que custaram a raiz de uma vida. &lt;br /&gt;- O que vos solicitei foi tão simples que até chimpanzés ensinados conseguiriam cumprir, mas mesmo assim encontro tamanhos disparates que, não fosse hoje um dia festivo, enviar-vos-ia a todos para uma arena com leões famintos por tamanha estupidez! – exclamou a rainha – Hoje não tenho prazer algum em mandar cortar cabeças, porque há coisas mais importantes! Mas farei aquilo a que me obrigarem! Não admito tanta disciplicência, tendo eu já explicado há demasiadas semanas o que este dia significa para mim. Estão cá os melhores dos melhores para a organização do casamento, e vocês, insignificantes escravos, servem apenas para remediar alguns trabalhos. Custará assim tanto não serem inúteis uma vez na vida?&lt;br /&gt;Um dos escravos, cansado de tanta humilhação, pegou uma pedra do chão e, sem reflectir, atirou-se em direcção da rainha, porém encontrou a espada de um dos soldados que perfurou o seu corpo. O escravo caiu de joelhos, cuspindo sangue em cima dos sapatos da rainha. Irada, Alessandra deu um pontapé na cabeça do escravo que respirava os seus últimos fôlegos. &lt;br /&gt;- Tirem estes malditos corpos daqui! – ordenou aos soldados - E vocês, – olhou para os restantes escravos com repugnância – cumpram o que vos foi exigido ou amanhã será um belo dia para os leões. E garanto-vos que a carne humana é dos almoços favoritos deles. &lt;br /&gt;A rainha afastou-se, cercada pelos seus guardas, diante do olhar assustado dos vários prisioneiros. &lt;br /&gt;- Minha rainha, – disse um dos guardas – dentro de momentos devem começar a chegar os vários convidados para a cerimónia. Devemos estabelecer desde já o perímetro de segurança?&lt;br /&gt;- As horas estão a passar demasiado depressa. – desabafou a rainha  - Sim, soldado, quero o castelo todo cercado. Não quero surpresas desagradáveis neste dia. E acredito plenamente que tu não queiras nenhuma amaldiçoada “bênção” do rei pelo crepúsculo do dia seguinte caso o casamento não corra como o planeado.  &lt;br /&gt;- Às suas ordens, minha rainha. A nossa força tudo fará para que nada corra mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto, Adhemar acordava aos poucos, ainda zonzo devido à agitação da noite anterior.&lt;br /&gt;- Maldito vinho do pecado, – disse, sorrindo e deixando-se cair de novo na cama – pecado suave e delicioso como Ceres. Ah, selvagem mulher que me fazes perder a descompostura. Libertas o que de animal resta em mim. &lt;br /&gt;Gälart entrou, esfregando os olhos.&lt;br /&gt;- Preparado para a grande cerimónia, meu querido primo? – perguntou, bocejando – Não a podes adiar para mais tarde? Mais umas horas na cama não nos fariam nada mal.&lt;br /&gt;- A ti não. – sorriu o príncipe – Deve ser complicado tomar conta de duas delas. &lt;br /&gt;O primo soltou uma gargalhada.&lt;br /&gt;- Falas como se nunca o tivesses feito.&lt;br /&gt;- Pois, meu primo, – começou Adhemar, levantando-se da cama – nem quatro mulheres juntas seriam como Ceres.&lt;br /&gt;- Que romântico, Adhemar… – afirmou Gälart – Começo a cogitar que, fosse Ceres a tua noiva hoje, e este casamento significaria mais do que aquilo que é.&lt;br /&gt;- Seria cama. Não que desgoste de Ísis, mas é demasiado recatada para mim.&lt;br /&gt;- Recordas-te de Yella? – questionou o primo - Casada, sempre solitária, tímida… Também parecia casta. Até que eu surgi na sua vida, e posso afirmar que dentro do quarto ela era tudo menos púdica. &lt;br /&gt;- Efeitos da poesia. – ironizou Adhemar enquanto se vestia. – É melhor saíres agora, tenho que me preparar. A minha mãe deve estar por aí a aparecer. Anda um poço de nervos com esta cerimónia. Até parece que é ela que vai contrair matrimónio.&lt;br /&gt;- E a tua mãe encolerizada… – sorriu Gälart abrindo a porta do quarto para sair – É melhor sair da frente. &lt;br /&gt;- É mesmo, meu primo – sorriu o principe – Até já. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo a correr como previsto? – interrogou Elara – É por hoje que temos perdido tanto tempo…Se alguma coisa falha…&lt;br /&gt;- A rainha pediu agora para serem cobertas todas as entradas para o reino. – explicou Rómulo. - Mas obviamente que isso não nos interessa. Os arqueiros já cá estão. Encontram-se perto da fonte real. Quando chegar a altura subirão as torres. Eu sei como distrair os guardas das entradas.&lt;br /&gt;- O melhor que nos podia ter acontecido foi a rainha ter-se decidido por um casamento fora de portas. – sorriu Elara - Serão alvos muito mais acessíveis. Espero que os arqueiros não sejam incompetentes. Duas setas apenas mudarão as nossas vidas, e se estas falharem…tudo desabará. &lt;br /&gt;- São os melhores arqueiros do reino. Não se desassossegue. Amanhã por esta hora, o reino será todo seu….&lt;br /&gt;- Assim o espero, Rómulo, caso contrário vou cobiçar a tua cabeça como enfeite de meu quarto. &lt;br /&gt;- E a bruxa? – questionou o soldado – Será que não vai aparecer hoje? Será que não se vai intrometer? Bem sei que a princesa já tratou desse assunto, mas é uma bruxa! Não confio em palavras de magas. &lt;br /&gt;- Nem eu. – sorriu Elara – Porém como te disse antes, confio na sua ganância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala real, a rainha andava às voltas de um lado para o outro.&lt;br /&gt;- Estão quase a chegar os convidados e metade da família ainda nem se levantou. – suspirou. &lt;br /&gt;- Tenha paciência, minha rainha. Estarão prontos a tempo. – disse uma das conselheiras reais.&lt;br /&gt;- Não há como ter, Dyniana. O meu querido filho foi para as borgas, nem sei em que condições vai acordar. Este casamento não pode ser nenhuma vergonha para a família real.&lt;br /&gt;- E Ísis? – perguntou Dyniana – Estará pronta?&lt;br /&gt;- Quando lá passei estava a vestir-se. Ficará maravilhosa naquele vestido.  – afirmou Alessandra.&lt;br /&gt;- Porque não vai ajudar nos últimos retoques? – questionou a conselheira real – Alguém tão bela como  a rainha só poderá melhorar a imagem de Ísis.&lt;br /&gt;- Sempre me distraio. – assentiu a rainha, suspirando – Anda comigo. &lt;br /&gt;Tal foi a surpresa da rainha e da sua conselheira quando Ísis não estava em seu quarto…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-427124261737695283?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/427124261737695283/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=427124261737695283' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/427124261737695283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/427124261737695283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/12/capitulo-iii-parte-i.html' title='Capitulo III - Parte I'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-8378848260950803665</id><published>2008-11-21T12:15:00.001-08:00</published><updated>2008-11-21T12:15:53.865-08:00</updated><title type='text'>Capítulo II (Parte 6)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Amanhecia, um dia que se prometia azul e luminoso, demasiado belo para o fatídico destino que sobre o seu tempo pairava. A luz invadia a terra, dispersando as sombras em formas mais nítidas e, perante o fatigado olhar da apreensiva Amara, a aurora revelava-se no renascer de todo o seu soberbo esplendor.&lt;br /&gt;Na sua mente, contudo, parecia-lhe que não devia ser assim. Devia chover como se o próprio apocalipse ameaçasse descer sobre a cabeça dos homens, desfazendo em cinzas e sangue tudo o que a sua mão alcançasse. Os relâmpagos deviam rasgar os céus ao ritmo do trovão, abrindo ao funesto dia que surgia o presságio de uma morte em vias de caminhar entre os vivos.&lt;br /&gt;Vingança… O sussurro da sedutora divindade pulsava-lhe nas veias como se um tambor ribombasse nos abismos. Aproximava-se o momento, a sua hora, quando o ódio que lhe alimentara alma e pensamento se tornaria, finalmente, real, mas, ainda assim, não conseguia evitar que uma vaga sensação de mau presságio lhe assombrasse o coração.&lt;br /&gt;Quantas vidas arriscava, afinal, apenas para conquistar a morte dos seus inimigos? Porque, por mais que se tentasse convencer do contrário, e ainda que soubesse que a morte dos Raven faria de Lithian um lugar melhor, ela sabia que a força que ditava as suas acções não era assim tão nobre. Na verdade, os seus fins eram puramente egoístas. Queria a morte da criatura que lhe destruíra a vida e dos cruéis senhores que lhe haviam dado todo o seu apoio.&lt;br /&gt;Silenciosamente, Amara desviou o olhar dos céus, preparando-se para entrar em casa. Com o florescer da manhã, sabia que o movimento despertaria na aldeia dos conspiradores e não queria que as suas apreensões perturbassem a tranquilidade daqueles que passara a ver, talvez com exagerada presunção, como o seu povo.&lt;br /&gt;Quando se voltou, contudo, na direcção da sua casa, foi detida por um olhar intenso e luminoso que se fixava no seu, fitando-a com uma suave interrogação na sua expressão. Não sabia há quanto tempo ele estaria ali, mas, ainda que nada dissesse, sabia que ele compreendia os seus medos e que a preocupação que o seu rosto reflectia era, para ele, um maior motivo de perturbação que quaisquer conspirações que pudessem tramar.&lt;br /&gt;- Tranquiliza-te, Amara. – disse Mordechai, suavemente – Sei que as tuas apreensões são plenamente justificadas pela situação, mas, ainda assim, a tua preocupação não vai mudar o que tiver de acontecer.&lt;br /&gt;Amara assentiu.&lt;br /&gt;- Eu sei. – murmurou – Mas pergunto-me se existirá perdão para a responsável por todas as vidas sacrificadas em nome da minha vingança…&lt;br /&gt;- É mais que vingança, caríssima. – interrompeu Mordechai, colocando-lhe um dedo sobre os lábios – E, ainda que as tuas dúvidas te tentem persuadir do contrário, tu sabes que é verdade. Se a tua luta não fosse justa, não terias em teu redor os fiéis que tens.&lt;br /&gt;Levemente, Amara sorriu.&lt;br /&gt;- E tu, Mordechai… - disse – Tu, que me conheceste noutra vida, noutro nome… Quando eu não era mais que uma criança demasiado protegida pelo carinho dos meus pais. Que tinhas uma vida tão grande pela frente, jovem senhor de um grande nome e de um território próspero, mas que nunca deixaste de ser os meus olhos no mundo que me expulsou, que me procuraste para lá das fronteiras da nossa antiga vida, e que, agora, também foste condenado… Diz-me, lorde Mordechai Gray. É, ou não, verdade, que foi pela tua ligação a mim que foste condenado?&lt;br /&gt;Mordechai hesitou, relutante em admitir aquilo que, ainda que nunca devidamente selado pelo nome da sua líder, não deixava de ser um facto incontornável.&lt;br /&gt;- A verdade, meu amigo. – insistiu Amara, compreendendo as suas apreensões – Diz-me a verdade.&lt;br /&gt;Lentamente, ele respondeu com um gesto afirmativo.&lt;br /&gt;- A verdade – disse – é que houve uma voz que sussurrou aos ouvidos do rei o quanto eram suspeitas as minhas divagações pela fronteira. Não tardou muito até me acusar de conspiração e pedir o meu julgamento, mas… Ainda que eu tenha assumido o negro dos condenados, a verdade é que os Raven nunca me tiveram nas mãos. Não creio que estivesse vivo caso isso tivesse acontecido. O rei tem os seus informadores, mas eu também tinha os meus, e fui avisado a tempo de que fora decretada uma ordem de prisão contra mim.&lt;br /&gt;- Uma voz que sussurrou aos ouvidos de Amon Raven… - repetiu Amara, intrigada – E, que, presumo, terá também garantido, com a tua condenação, a posse das tuas propriedades.&lt;br /&gt;Mordechai assentiu.&lt;br /&gt;- Caledon? – perguntou Amara, bruscamente, como se o nome que acabava de pronunciar fosse uma espécie de temível maldição.&lt;br /&gt;- Caledon. – confirmou Mordechai, vendo, perturbado, a forma como um gélido sorriso ganhava, subitamente, vida nos lábios da sua amiga de sempre.&lt;br /&gt;Lentamente, com a formalidade que usaria perante uma corte, Amara estendeu-lhe a mão para que ele a tomasse.&lt;br /&gt;- No meu mundo, – prometeu, enquanto ele aceitava o seu gesto – voltarás a ser lorde Mordechai Gray. E, seja justiça ou vingança o nome do estandarte que seguramos, o sangue dos Raven há-de manchar o chão de Lithian.&lt;br /&gt;» Quanto ao de Caledon… - acrescentou – Não terei paz enquanto não o vir nas minhas mãos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-8378848260950803665?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/8378848260950803665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=8378848260950803665' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8378848260950803665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/8378848260950803665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/11/captulo-ii-parte-6.html' title='Capítulo II (Parte 6)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-2362771739627494231</id><published>2008-11-18T07:34:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T07:35:16.669-08:00</updated><title type='text'>Capitulo II (Parte 5)</title><content type='html'>Na trilha que separava as montanhas Göol do território de Lithian, revelava-se um mosteiro conhecido como Herä. Este dava abrigo a vários padres ou pessoas que desejavam estar afastados do mundo, que procuravam a sua paz interior. Entre eles, encontrava-se o presbítero responsável pela cerimónia real do dia seguinte, o padre Ardheus. A distância do mosteiro até ao castelo ainda obrigava a uma viagem de algumas horas, pelo que o padre preparava as coisas para ainda começar a sua viagem de madrugada. Pensativamente, o sacerdote pançudo e de baixa altura arrumava as coisas de que precisava na sua pequena mala preta. A roupa e as substâncias proibidas eram excessivas, o que conduziu a uma luta pessoal entre o padre e a sua mala. Furioso com a mala por esta não fechar, decidiu-se por saltos, não muito altos pois o seu peso não lhe autorizava grande gincana na gravidade, mas com um vigor capaz de exibir ao obstinado objecto quem mandava. &lt;br /&gt;Subitamente, a porta do seu quarto abriu-se, provocando a sua queda de cima da mala, e levando a que se estatelasse no chão. Rapidamente, Ardheus elevou-se do solo, tentando ocultar o embaraço que a situação lhe proporcionava. &lt;br /&gt;- Padre Ardheus, está pronto para seguir? – questionou a Superiora Eneida. &lt;br /&gt;- Sim, sim. – respondeu ele, atrapalhado – Já tenho a mala pronta. &lt;br /&gt;Eneida olhou para a mala e abanou a cabeça reprovadoramente.&lt;br /&gt;- Pelo inchaço do objecto, cogita permanecer lá um mês e não um simples fim-de-semana. &lt;br /&gt;- São tudo coisas estritamente necessárias. – afirmou o padre, já recomposto.&lt;br /&gt;- Sabe, – contrapôs a Superior – o que sempre ensinamos neste mosteiro é a usar o mínimo possível. Há quem tenha menos que nós. &lt;br /&gt;- Animais do mato. – respondeu Ardheus com uma voz mais alta – São animais do mato. Vis e traidores que nem se lembram de ir às nossas cerimónias religiosas.&lt;br /&gt;- Padre Ardheus! – exclamou a Superiora, subitamente imperativa - Nós não julgamos. Nós não criticamos. Nós não difamamos. É assim que funciona este mosteiro e sabia perfeitamente disso quando para cá veio. Tenho pleno conhecimento de que simpatiza com uma vida mais abundante, mas aqui ninguém deseja isso. Aproveite a sua viagem para reflectir se vale a pena regressar e, caso conclua que a nossa vida simples e sem luxos não o satisfaz, use as suas influências conseguidas por favores dos quais preferia não ter conhecimento e fique por lá. &lt;br /&gt;- A minha dedicação a algo maior não tem que obrigar-me a viver uma vida de pedinte – explicou Ardheus, insinuante – Quem sabe não seguirei o seu conselho…&lt;br /&gt;Antes de fechar a porta do quarto do padre, a Superiora deitou-lhe um último olhar zangado e frio.&lt;br /&gt;- Não coma é muita carne nessa vida de prosperidade. - disse - Mais uns quilos que engorde e provavelmente resolvem servi-lo como prato de jantar. &lt;br /&gt;Eneida bateu a porta com força, largando um Ardheus desgostoso e irritado, que, tentando acalmar a sua cólera, vasculhou na sua mala até encontrar uma pequena garrafa de vinho. &lt;br /&gt;- Que o sangue de algo superior me dê animo para o que aí vem. – suspirou, abrindo a garrafa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fortuna. Era este o local em Lithian onde os nobres procuravam mulheres para momentos prazerosos. Em Fortuna encontrava-se a mulher mais bonita do reino e por essa mesma razão a mais apetecida, Ceres. Já muitos haviam perdido a vida por ela, muitos confrontos haviam sucedido entre nobres casados mas hipnotizados pela figura de Ceres. Era este, pois, o sítio ideal para a noite boémia de Adhemar e Gälart. &lt;br /&gt;- Meu primo, – observou Gälart, sorrindo – esta noite será memorável. &lt;br /&gt;- Gälart ,– começou Adhemar, retribuindo o sorriso – não é para te contrariar mas já aqui passei várias noites inesquecíveis. E continuarei a passar, até porque prevejo que quando estiver casado serão noites ainda melhores. Terá mais graça. &lt;br /&gt;Ceres aproximou-se deles, rindo suavemente. &lt;br /&gt;- E por falar em graça… - murmurou Gälart, deleitado. &lt;br /&gt;- O que posso fazer por si, meu príncipe? – perguntou Ceres, sentando-se no colo de Adhemar. &lt;br /&gt;- O que um homem e uma mulher fazem no seu quarto.  – replicou este . Serás minha escrava esta noite. As moedas de ouro que entreguei chegam e sobram para as horas que pretendo. &lt;br /&gt;Ceres levantou-se e deu a sua mão ao príncipe. &lt;br /&gt;- Venha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Gälart não ficou muito tempo sozinho, pois, quase de imediato, uma outra mulher sentou-se à sua beira. &lt;br /&gt;- Olá… – questionou, entusiasmada – O que deseja um tão belo nobre?&lt;br /&gt;- Gosta de poesia? – interrogou Gälart.&lt;br /&gt;- Hoje agradar-me-á tudo o que for do seu agrado. – respondeu a mulher aproximando-se e colocando o seu braço no rosto do primo do príncipe. Este, porém, ignorou o gesto, levantando-se de forma brusca em direcção a outras duas mulheres. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A viagem do padre Ardheus já ia a meio quando se sentiu obrigado a deter-se. Apreensivo, desmontou do seu cavalo e olhou para o céu negro, para ver que sete pequenos corvos andavam em círculos crocitando. Aquele barulho assustador já o perseguia desde o pequeno cruzamento de estradas à saída do mosteiro, mas só agora compreendia a sua origem. &lt;br /&gt;- O que querem? – perguntou o padre amedrontado – Eu não estou morto, seus poltrões! Não aguardem pela minha carne fresca!&lt;br /&gt;Com gestos bruscos, procurou na sua pequena mala a garrafa de vinho e bebeu mais um gole.&lt;br /&gt;- Eu ainda tenho muitos anos de vida! – prosseguiu, guardando a pequena garrafa no bolso da sua batina, ainda que antecipando já que viria a precisar dela mais uma vez.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Tu sabias que és a mulher mais bonita do reino? – questionou Adhemar. &lt;br /&gt;- É delicadeza sua. – respondeu Ceres, sorrindo. &lt;br /&gt;- Se desejare,s prepararei um quarto para passares noites no castelo. Serás bem recompensada por isso. &lt;br /&gt;- E a sua esposa? – perguntou Ceres, maliciosamente.&lt;br /&gt;- A minha esposa? – repetiu o príncipe, com um sorriso cruel - Ela estará bem entretida com os tricôs.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Rainha, rainha. – repetia Rómulo batendo na porta – Rainha, rainha. &lt;br /&gt;Com um gemido arrepiante, porta do quarto abriu-se. Por momentos, a expressão desarranjada e sonolenta da rainha assustou Rómulo. Ao fundo, podia ouvir o ruidoso ressonar do rei adormecido.&lt;br /&gt;- Tem que vir à porta. – disse Rómulo - O padre chegou…bêbado!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- A sua poesia é maravilhosa. – afirmou uma das mulheres que estava deitada ao lado de Gälart. &lt;br /&gt;- É sim. – confirmou a outra mulher.&lt;br /&gt;- Duas pérolas foi o que eu encontrei, aqui neste lugar onde nunca pensei, tanto amor achei, duas pérolas pelas quais morrerei. – recitou Gälart, enquanto incitava as duas mulheres a tocarem-se. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Bêbado! – exclamou a rainha, olhando para o padre – A sua sorte, padre Ardheus, é que não acordei o rei, senão com certeza que a sua cabeça seria deitada aos leões! &lt;br /&gt;- Minha rainha, – respondeu o padre, sorrindo exageradamente – a minha senhora não vê esta noite tão linda? A lua… – os seus olhos estavam esbugalhados – É preciso agradecermos tudo isto! É preciso beber o sangue mais divino…&lt;br /&gt;- Mete o padre debaixo de água fria – disse a rainha a Rómulo – e depois arranja-lhe um quarto. Agora preocupa-me o casamento, mas a seu tempo devido encontrarei um castigo para este untuoso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-2362771739627494231?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/2362771739627494231/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=2362771739627494231' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2362771739627494231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/2362771739627494231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/11/capitulo-ii-parte-5.html' title='Capitulo II (Parte 5)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-5270535567319589069</id><published>2008-11-14T12:58:00.000-08:00</published><updated>2008-11-14T12:59:04.075-08:00</updated><title type='text'>Capítulo II (Parte 4)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Também os pensamentos de Delenia se enredavam entre novelos de silêncio, enquanto sob a chuva tormentosa, caminhava em direcção a Vareil, a capital de Lithian, onde deveria cumprir o seu último e derradeiro objectivo.&lt;br /&gt;Tal como muitos dos aliados de Amara Morningstar, também ela era uma proscrita, ainda que, contrariamente àquela que seguira, com um motivo bastante válido para o fazer. Nunca deixaria de ostentar no seu rosto as marcas que a haviam guiado ao crime, as cicatrizes que, com um ferro ao rubro, o homem a quem fora entregue lhe marcara no corpo. Demasiadas vezes o monstro a quem fora dada em casamento julgara, ao fitar os seus olhos atormentados, que ela se quedaria, sofrendo em silêncio ante as suas torturas. Mas naquela noite, na noite em que renegara a sua vida e fugira do reino que consentia com tais crimes, Delenia deixara a sua vingança na forma de uma lâmina cravada sobre o corpo do seu hediondo marido.&lt;br /&gt;Quando cruzara a fronteira de Lithian, Delenia julgara ter pela frente uma existência de fuga, mísera e solitária, mas o que encontrara fora bem diferente. Encontrara Amara, e, com ela, uma promessa de lealdade, de tranquilidade e de vingança. No tranquilo refúgio de Varin, Delenia tornara-se forte e hábil, e, por dever a Amara a vida e a força que, um dia, lhe permitiria derrubar todos os homens, que via semelhantes à besta que repetidamente a torturara, ganhara para com a sua líder uma eterna dívida de gratidão.&lt;br /&gt;E ali estava, finalmente, a poucos passos da vingança prometida, com a chuva por testemunha da sua persistência e as árvores sombrias como vigias da sua lealdade. Dentro de algumas horas, o sangue de um Raven mancharia as suas mãos e o fogo consumiria as ruínas daquela família. E ela, a assassina, a exilada, estaria na primeira fila para assistir ao fim dos seus inimigos. “Com um sorriso nos lábios”, pensou “e uma espada nas mãos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, no seu sombrio gabinete, o conselheiro Lothian caminhava nervosamente, de um lado para o outro, tentando, em vão, impor silêncio às suas apreensões. Sabia que, algures na obscuridade, os restantes enviados da conspiração em que se envolveram, aguardavam o momento em que a sua missão seria finalmente cumprida. Ele, contudo, não conseguia silenciar as vozes que, no seu pensamento, lhe murmuravam que o plano de que eram parte não poderia deixar de acabar em fracasso.&lt;br /&gt;Contava-se entre os poucos que conheciam a verdadeira identidade da força que liderava aquela conspiração. Na verdade, fora esse o motivo que levara a que desse a sua lealdade à mulher que se escondia sob a identidade de Amara Morningstar. A razão que a levava a comprometer a sua vida da forma como estava em vias de fazer, contudo, era outra. O seu ódio pelos Raven estendia-se, tal como o de Amara, à figura de Caledon Westraven, a quem, como recompensa pelos serviços prestados ao reino, fora cedido o título que anteriormente lhe pertencera, bem como as suas propriedades. Afinal, como o próprio rei dissera, enquanto o despojava de tudo o que tinha, um conselheiro deveria viver para o reino e não para as suas próprias posses.Silenciosamente, Lothian fitava o pequeno frasco que segurava nas mãos ligeiramente trémulas, um pequeno recipiente de vidro, completamente preenchido por um líquido escarlate, tão rubro como o sangue que, no dia seguinte seria derramado. O que precisava de saber, contudo, para obter alguma tranquilidade antes do dia seguinte, não seria revelado senão quando os acontecimentos se precipitassem. Que sangue mancharia as pedras de Vareil quando o próximo crepúsculo descesse...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-5270535567319589069?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/5270535567319589069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=5270535567319589069' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/5270535567319589069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/5270535567319589069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/11/captulo-ii-parte-4_14.html' title='Capítulo II (Parte 4)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-1505394781169840203</id><published>2008-11-11T14:16:00.000-08:00</published><updated>2008-11-11T14:19:49.534-08:00</updated><title type='text'>Capitulo II (Parte III)</title><content type='html'>A noite avançava vagarosamente, gris e lúgubre. A chuva parou, mas o vento aumentou o seu brado, não deixando ninguém indiferente. &lt;br /&gt;Nas montanhas de Göol, Ofélia encontrava-se no acolhimento da caverna de Luath. Os seus longos, sórdidos e desarranjados cabelos negros esvoaçavam, levados pelo vento, e os seus olhos estavam cravados no céu lavado de estrelas com a lua como paisagem de fundo. &lt;br /&gt;- Esnot oudire corvoe rapressa! Esnot oudire corvoe rapressa! – repetiu a bruxa, com o braço direito levantado e o punho fechado. &lt;br /&gt;Alguns instantes depois, um corvo anafado porém expedito irrompeu no céu, sendo custoso distingui-lo da própria noite. Empoleirou-se no punho da bruxa e crocitou, aparentando uma perturbação invulgar. &lt;br /&gt;- Daei boslet anima vet? – questionou a bruxa. &lt;br /&gt;Conservando-se sobre a mão tapada de Ofélia, o corvo bateu as asas três vezes. &lt;br /&gt;- Dimana atarterei escozine?&lt;br /&gt;A bruxa abriu a sua mão e o corvo grafou, picando com o seu bico, o nome Amara, desaparecendo depois no ar. Ofélia reteve o seu olhar na palavra escrita na sua mão, sem se importunar com o sangue que escorria da sua mão devido às crivadas do corvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Elara tinha conhecimento que a pequena sala ao lado do quarto do seu irmão era o sítio perfeito para rever o plano do dia seguinte. Afinal, Adhemar havia saído com o seu primo para uma noite de boémia antes do casamento. "Bendita a estupidez do meu irmão", não se coibiu de pensar. Com todo o cuidado possível, Elara juntou na pequena sala Rómulo e mais dois homens.  &lt;br /&gt;Travai Raillart e Archat Waillium eram os dois melhores arqueiros do reino. O primeiro odiava o rei e foi fácil de convencer a participar no plano. O segundo, desde sempre um membro fiel do exército do rei, desejava deixar os seus serviços para partir com a sua amada Anna para territórios mais calmos. Sabia, contudo, que, se o fizesse, seria acusado de traição e provavelmente morto sem qualquer julgamento. A morte do rei e a liberdade de Archat mais algumas moedas de ouro. Quando Rómulo anunciou à princesa os desejos dos arqueiros ela sorriu.&lt;br /&gt;- Convoquei-vos hoje por uma simples razão – começou Elara – Não quero falhas amanhã! Não é aceitável! Qualquer erro será fatal e evitará que eu suba ao trono. O meu pai e o meu irmão têm que morrer amanhã! &lt;br /&gt;- Quer rever o plano? – perguntou Archat.&lt;br /&gt;- Sim, sim, quero. – respondeu Elara -  Não posso permitir condescendências. Desgraçadamente, estou nas vossas mãos e não nas únicas em quem confio…as minhas. Tenho a esperança de não ter pactuado com dois arqueiros incapazes…porque se tudo não correr da forma que desejo, podeis estar certos de que as moedas de ouro serão uma utopia e a vossa morte uma certeza! Da forma mais horrenda que a minha mente tiver a capacidade de idealizar! &lt;br /&gt;- Estaremos à hora marcada nas torres do castelo, desde que o cavaleiro Rómulo use as suas influências para deixar deserta a porta que nos levará às torres. – explicou Travai – Eu apontarei ao seu irmão, enquanto Archat terá como alvo o seu pai… Tudo acabará em segundos. &lt;br /&gt;- E se forem apanhados? – interrogou Elara.&lt;br /&gt;- Aproveitaremos a confusão para a fuga, porém, se formos presos não indicaremos o seu nome. Sabemos que depois de estar no trono nos soltará e pagará o que é devido. – sorriu Archat.&lt;br /&gt;- Como poderemos confiar na sua palavra? Que garantias temos que depois do trono nos soltará? – questionou Travai.&lt;br /&gt;Elara sorriu, tirou um medalhão que carregava ao pescoço e entregou-o ao arqueiro. &lt;br /&gt;- Guarda isto. É um medalhão de Azhar, o meu trisavô, o único Raven digno do seu apelido. Acredites ou não, é algo de grande valor para mim. Devolver-mo-ás através de Rómulo se o plano correr bem, ou quando fores liberto caso sejam apanhados. &lt;br /&gt;- Vamos embora então, antes que o seu irmão chegue. – disse Archat. &lt;br /&gt;Archat e Travai saíram da sala deixando Elara sozinha com Rómulo.&lt;br /&gt;- O medalhão…&lt;br /&gt;- Há coisas mais importantes agora – interrompeu Elara – Caso eles sejam presos, cortarei as mãos dos dois se não me entregarem o medalhão. Para onde vão eles depois do golpe? &lt;br /&gt;- Para as montanhas de Göol. Uma pequena caverna bem distante da bruxa. – respondeu Rómulo. – Mas se for seu desejo, por mais umas moedas de ouro eles podem visitar a bruxa na sua caverna para a eliminar.&lt;br /&gt;- Já te disse que ela é mais importante viva do que morta. Não será obstáculo, muito pelo contrário. - Elara abriu a porta e fez sinal a Rómulo para sair. – Vamos, antes que nos vejam por cá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-1505394781169840203?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/1505394781169840203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=1505394781169840203' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1505394781169840203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1505394781169840203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/11/capitulo-ii-parte-iii.html' title='Capitulo II (Parte III)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-6886055522872382699</id><published>2008-11-09T02:57:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T02:58:17.866-08:00</updated><title type='text'>Capítulo II (Parte 2)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Naquela noite, o sono faltou-lhe, afugentado pela sombra de todos os acontecimentos iminentes. Era, agora, somente uma questão de tempo até que os seus inimigos tombassem sob a força da sua mão vingativa, mas decretada a pena de morte, o peso da decisão que tomara assombrava-lhe o pensamento.&lt;br /&gt;Levemente, Amara suspirou, deixando o calor da sua cama, para se levantar, ainda outra vez, em direcção à janela do seu quarto. Ali, os seus olhos encontraram a chuva, e, mais uma vez, o seu pensamento derivou até ao passado, à recordação do porquê de ter decretado a morte do seu próprio irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda se recordava da farsa que o seu irmão montara após a decisão do rei. Como familiar destroçado e entristecido, Caledon fizera questão de a acompanhar até à fronteira de Lithian, ostentando perante todos uma fronte chorosa e desolada, que, esporadicamente, quando se encontrava a sós com o olhar da sua irmã, se rasgava no esboço de um sorriso cruel. E depois, quando o lugar do exílio chegara, Caledon afastara-se, sem discursos, como se a dor o ferisse demasiado para o ferir, mas com uma simples frase murmurada, capaz de rasgar com mais precisão que uma espada.&lt;br /&gt;- Devias ter ficado calada.&lt;br /&gt;No silêncio dos bosques que delimitavam a passagem para o reino de Agaloth, Amara divagara, sozinha com as suas lágrimas e a sua raiva, encontrando na obscuridade do espaço uma negrura igual à que a invadira. E, enquanto corria, desolada e desesperada, amaldiçoando em silêncio a figura do seu irmão, conjuntamente com a da família que a condenara, a jovem exilada deparou-se com o sinal que buscava. Sem saber para onde se dirigia, Amara encontrara, diante de si, a forma do abismo.&lt;br /&gt;Por um momento, as pernas  tremeram-lhe, hesitantes acerca do que a sua mente lhes ordenava. Depois, contudo, a decisão tornou-se força, e Amara avançou um passo, ficando, em seguida, imóvel no limite da morte, à espera do sopro final que a lançaria no nada.&lt;br /&gt;Não foi, contudo, a morte quem veio ao encontro de Amara, mas sim uma voz calma e suave, que, de alguma distância atrás de si, lhe dizia:&lt;br /&gt;- Não o faças. Talvez haja para ti um caminho maior que esse que escolhes.&lt;br /&gt;Lentamente, Amara recuou um passo, voltando-se depois para o seu interlocutor, que, surpreendentemente, a fitava com o claro verde de um olhar pleno de bondade e com um suave sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;- Não existe mais nada para mim. – respondeu – Tudo o que eu era e tudo o que eu amava morreu.&lt;br /&gt;O homem assentiu.&lt;br /&gt;- E quem crês que to roubou? – inquiriu.&lt;br /&gt;O rosto de Amara contraiu-se num esgar de repulsa.&lt;br /&gt;- Os senhores de Lithian. – disse – A família real. E o meu irmão.&lt;br /&gt;Um leve sorriso brotou nos lábios do homem.&lt;br /&gt;- Talvez não o saibas, - explicou – mas não és a única vítima dos Raven. São demasiados os que vêm, em fuga ou exilados, para fugir da arbitrariedade dos senhores de Lithian. Eu sou um deles. Mas não escolhemos morrer. Optamos, em vez disso, por lutar contra o inimigo. E esperamos. Tornamo-nos fortes, aprendemos com o conhecimento uns dos outros, e aguardamos, tranquilamente, a chegada de um líder que nos conduza até à vingança e à reparação dos crimes cometidos.&lt;br /&gt;Amara assentiu.&lt;br /&gt;- Mas eu não sou ninguém. – disse – Não tenho nada para ensinar.&lt;br /&gt;- Talvez não. – concordou o homem – Mas talvez tenhas muito para aprender e o teu temperamento poderá ensinar-nos a lutar. Os rumores do teu exílio chegaram até aqui, jovem de sangue nobre. Sabemos quem és.&lt;br /&gt;- Sabeis que me exilaram pelo assassínio dos meus pais? – perguntou Amara, provocadora.&lt;br /&gt;- Do qual serás, certamente, inocente. Conhecemos a forma de agir dos Raven e as conspirações do teu irmão. Consigo imaginar quem será o responsável.&lt;br /&gt;Em silêncio, Amara assentiu.&lt;br /&gt;- Existe, aqui perto – prosseguiu o homem – uma pequena aldeia, chamada Varin. Há muito tempo que o rei de Agaloth sabe que aí se reúnem os exilados e os conspiradores, mas a verdade é que ele odeia os Raven tanto como nós e, portanto, não interferirá em nada que façamos. Vem comigo, e conquista connosco a oportunidade de derrubar os teus inimigos.&lt;br /&gt;- Mas quem me ensinará a viver no exílio? – perguntou Amara.&lt;br /&gt;- Eu. – respondeu o mestre – Eu estarei contigo para que aprendas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-6886055522872382699?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/6886055522872382699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=6886055522872382699' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6886055522872382699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/6886055522872382699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/11/captulo-ii-parte-2.html' title='Capítulo II (Parte 2)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-821395010387655716</id><published>2008-11-05T05:49:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T08:58:11.540-08:00</updated><title type='text'>Capitulo II (Parte I)</title><content type='html'>Capitulo Segundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um corvo apoucado e esguio crocitava em cima de um arvoredo que separava os jardins mal tratados que circundavam o castelo da floresta jubilosa que se situava do lado direito deste, onde o rei e o seu filho habitualmente caçavam. O descarnado pássaro anunciava a aproximação da noite. Porém este espaço de tempo entre o crepúsculo da tarde e o crepúsculo da manhã era dissemelhante de todos os outros, pois, no dia seguinte, desenrolar-se-ia o enlace pelo qual todos aguardavam, o casamento do príncipe, a sua união com Isís Razza, herdeira de Arus Razza e da sua mulher Yasmin. &lt;br /&gt;Arus era notabilizado pelo seu engenho na construção e trato dos apetrechos de combate mais aperfeiçoados, as espadas mais resistentes, as flechas mais venenosas, as armaduras mais elegantes coordenando o conforto e a sua utilidade. Reconhecido em todos os reinos e somente obstado de comercializar em Castella, Arus Razza tornara-se mais rico do que aqueles que procuravam os seus serviços, adquirindo os melhores terrenos do reino e subornando todos aqueles que tinham conhecimento do seu segredo. &lt;br /&gt;Todavia, a noite não aparentava ter alguma afeição especial pelo dia que se avizinhava. O ar era frio afugentando as pessoas para o conforto de suas casas. As gotas de chuva começaram por cair timidamente, sinalizando os passeios de pedra que ligavam o castelo às restantes casas, mas, à medida que o tempo se filtrava em direcção à cerimónia real, as pequenas e acanhadas gotas de chuva multiplicaram-se, intimidando até um cão mais corajoso que ainda vagueava na rua. As nuvens perderam a sua pureza e deu-se lugar à explosão das mesmas com raios tenebrosos. Um dos raios atingiu o arvoredo onde o corvo se encontrava. O pássaro já sem vida caiu em breve tempo ao chão, os seus olhos petrificados em surpresa pela morte veloz que o atingiu.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como chove lá fora. É mau prenúncio. – afirmou a rainha. – Odeio quando chove antes de um casamento. O último casamento onde me lembro de um tempo assim foi de um primo do rei. Morreu numa batalha…já faz dez anos. &lt;br /&gt;Isís que se encontrava frente a um espelho a apreciar o seu vestido, fitou a rainha incrédula. &lt;br /&gt;- Não agoire, minha rainha. O meu desassossego já nem me tolera uma noite inteira de um bom sono. &lt;br /&gt;- Não julgues que desejo o teu mal, antes o oposto. É por isso minha obrigação acautelar-te. &lt;br /&gt;- A rainha examinou minuciosamente todos os pormenores. É necessário tanta preocupação?&lt;br /&gt;- Os avisos da natureza servem para nos alertar para o imponderável. &lt;br /&gt;A rainha saiu do quarto, deixando Isís na companhia de Ada, a escrava. &lt;br /&gt;- A rainha tem razão. – começou Ada – A natureza tem uma força muito mais poderosa que qualquer humano. O rei pode ser um deus com marionetas nas mãos, e nunca acredite que lhe pode fazer frente. Mas perante a natureza não possui força alguma. Somos todos e sem excepção fantoches de algo maior…&lt;br /&gt;Isís sentou-se na cama, colocou as suas mãos sobre os joelhos enquanto os seus olhos passeavam pelo chão de pedra mal tratada. &lt;br /&gt;- Gozo do noivo perfeito,  - disse - de um vestido magistral, de um castelo fabuloso. Não há possibilidade de correr mal, recuso-me a acreditar que todos os esforços que conduzimos para o êxito da cerimónia sejam prostrados por desígnios da natureza. &lt;br /&gt;- Não se aborreça comigo, princesa. &lt;br /&gt;- Não vou. Apenas deixa-me sozinha. &lt;br /&gt;Ada obedeceu e saio do quarto, largando Isís absorvida na sua inquietação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele mesmo instante o rei permanecia na sala de armas do castelo. Com um olhar desatento, errava entre as espadas e lembranças de triunfos antigos, enquanto, diante de si, o seu filho Adhemar se divertia, movendo em círculos uma pequena navalha com a qual desenhava na mesa de madeira o cunho do reino. &lt;br /&gt;- A tua serenidade surpreende-me. – afirmou o rei – Julgas que amanhã será alguma zombaria? &lt;br /&gt;- Amanhã será um dia proveitoso. – respondeu Adhemar – Porque devo estar apoquentado? Não é um dia que me interesse. Apenas negócio. &lt;br /&gt;- A tua noiva raciocina de forma diferente. A sua ingenuidade consente a ter como verdadeiro o teu afecto por ela. &lt;br /&gt;Adhemar largou a navalha que tombou sobre a mesa sem ruído.&lt;br /&gt;- Meu pai. A única mulher que me é digna de alguma consideração é a minha mãe. Por ser mãe e rainha. A utopia da minha inocente noiva não me causa preocupação. O casamento servirá somente para a união eterna entre o castelo e o ferreiro mais eficiente do reino não permitindo a deslocação de Arus Razza para longe dos nossos destinos. Continuarei a vida que tenho tido, a vida boémia que me corre no sangue. Não adianta faltar à verdade, pois sabe perfeitamente que não serei leal à mulher que desposarei amanhã. &lt;br /&gt;Amon abriu a porta de saída e alertou o filho antes de sair. &lt;br /&gt;- Encobre as tuas conquistas e dissimula as noites sem juízo. É o teu dever como filho do rei e futuro marido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-821395010387655716?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/821395010387655716/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=821395010387655716' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/821395010387655716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/821395010387655716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/11/capitulo-ii-parte-i.html' title='Capitulo II (Parte I)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-4481474982884890927</id><published>2008-11-01T03:27:00.000-07:00</published><updated>2008-11-09T06:57:40.355-08:00</updated><title type='text'>Os Filhos de Raven - Capítulo I (Parte VI)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O frio do vento acariciava-lhe o corpo, como a gélida carícia de uma mão invisível. Sobre a sua cabeça, o céu obscurecido pressagiava tempestade, mas, sentada no chão junto ao lago, Amara parecia nem sequer notar as ameaças da natureza. Estava demasiado perdida nos seus pensamentos para o fazer.&lt;br /&gt;Nos labirintos da sua mente, a necessidade de um planeamento estratégico misturava-se com a urgência das suas emoções aprisionadas e o seu espírito parecia vacilar ante o peso da sua responsabilidade. Ali, no silencioso refúgio de Varin, no exterior de Lithian, estava segura, uma vez que o rei daqueles territórios declarara não se envolver nos confrontos dos Raven. Ainda assim, agora que o confronto ameaçava suceder, Amara sabia que, eventualmente, o seu nome seria referido e, se por conspiração não seria entregue, pelas acusações que o passado lhe colocara sobre a cabeça, talvez a situação fosse diferente.&lt;br /&gt;Preparava-se um casamento na corte dos Raven, um casamento que deveria ser rubro de sangue. Sabia que aquela infame família devia morrer e desejava que isso sucedesse, mas, ainda assim, hesitava, não por piedade para com o seu inimigo, mas para com um dos soldados que combatiam no campo de batalha adversário. O seu irmão, mil vezes maldito, mas, ainda assim, sangue do seu sangue.&lt;br /&gt;Ainda naquele momento, apesar dos anos decorridos sobre a desavença, Caledon Westraven habitava na sua mente, o herdeiro da fortuna da sua família, conquistada e preservada pela mácula da traição. O homem que se atrevia a ostentar o apelido dos seus pais, mesmo enquanto profanava a sua memória, depois de, por ambição, ter condenado tudo quanto haviam construído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca esqueceria aquele momento, quando, na nocturna obscuridade do palácio dos Westraven, bem no centro da corte de Lithian, Amara ouviu um grito rasgar o silêncio nocturno, espelhando um desespero infinito na voz que tão bem conhecia. As suas recordações eram confusas, mas sabia ter corrido em direcção ao quarto da sua mãe, recentemente deixada só pela prematura morte do seu marido, devido a uma misteriosa doença.&lt;br /&gt;Lembrava-se de ouvir os gritos lancinantes que passavam mesmo através da porta cerrada e de, quando se preparava para invadir o espaço, ter sido bruscamente impedida por uma mão que violentamente a agarrava.&lt;br /&gt;- O que se passa? – perguntou ela, revoltada – É a nossa mãe, Caledon! Deixa-me ir!&lt;br /&gt;Caledon riu.&lt;br /&gt;- Deixar-te ir? – repetiu – E permitir que arruínes o magnífico futuro que construí para a nossa família?&lt;br /&gt;Amara debateu-se, mas sem sucesso.&lt;br /&gt;- O que…? – perguntou – Quem?&lt;br /&gt;- Verás. – replicou Caledon – Mas garanto-te que aquilo que contemplas será a nossa fortuna.&lt;br /&gt;No momento em que o jovem nobre pronunciava estas palavras, os gritos silenciaram-se. Poucos segundos depois, a porta do quarto abriu-se, dando passagem a uma figura mascarada que, com as mãos manchadas de sangue, passou em silêncio, sem esboçar mais que um leve aceno na direcção do agora lorde Westraven.&lt;br /&gt;Só então Caledon libertou a sua irmã, deixando que esta corresse para o interior do quarto. Em silêncio, deixou que, na sua inocência, Amara abraçasse, com a força da dor, o corpo ensanguentado da sua mãe vitimizada, torturada pela barbárie e pela luxúria do homem que, evidentemente, fora contratado para a eliminar. Contratado pelo ser desprezível que, com um sorriso nos lábios, observava o violento soluçar da sua própria irmã.&lt;br /&gt;- O que fizeste, maldito? – perguntou esta – Porquê?&lt;br /&gt;- Não é óbvio? – respondeu ele – Porque quero o poder!&lt;br /&gt;- Louco! – exclamou Amara – Julgas que vou permitir que tomes a herança dos nossos pais, sabendo do que fizeste?&lt;br /&gt;- Não tens alternativa, irmãzinha. – declarou Caledon – Olha para ti! Manchada pelo sangue da nossa mãe… Aceitarás em silêncio o que aconteceu e contarás a minha versão da história. Caso contrário, farei com que tu desapareças.&lt;br /&gt;Amara assentiu.&lt;br /&gt;- Pois podes começar já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, Amara julgou estar perante o momento da sua morte, mas, inacreditavelmente, o seu irmão não o fizera. Queria mais que isso. Queria assegurar que a sua sucessão jamais seria contestada devido à misteriosa morte de toda a sua família e, por isso, escolhera outra forma de a afastar do seu caminho.&lt;br /&gt;Com uma serenidade perturbadora, Caledon surgira perante o rei e apresentara-lhe a sua irmã como a assassina da sua mãe. Acusara-a com toda a ferocidade da mais hedionda violência… e depois chorara. Chorara como se tivesse sentimentos, como se lamentasse a loucura de que acusava o seu próprio sangue, e, amargurado por um fantasma de dor, pediu ao rei que lhe poupasse a vida. Evidentemente, não poderia permitir que ela permanecesse em Lithian, mas se pudesse simplesmente bani-la… Se pudesse mostrar misericórdia para com o seu fiel seguidor…&lt;br /&gt;Fora assim que Amara iniciara a sua luta, sozinha nas solitárias terras de Varin, escondida sobre o fúnebre nome de Amara Morningstar, a amargurada estrela de cada amanhecer de Lithian, até ao dia em que pudesse voltar a ostentar o seu legítimo nome, o nome da legítima herdeira dos Westraven. Calana.&lt;br /&gt;E ali estava ela, agora, sob um céu tempestuoso, incapaz de evitar uma certa apreensão ao sentir eminente o momento de decretar a morte do seu irmão. Mas a sua decisão estava tomada. Não poderia deixar pontas soltas após a extinção do reinado dos Raven, de uma família que, ciente da crueldade do seu irmão, que sabia continuar a martirizar inocentes às ordens da família real, continuava a tolerá-lo como um membro da alta nobreza.&lt;br /&gt;Silenciosamente, Amara levantou-se, seguindo em direcção à casa onde Andros e Mordechai a esperavam. O seu coração fora silenciado. Agora, chegara o momento de dar voz à estratega dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tomei a minha decisão. – anunciou ela, diante dos olhares expectantes do seu mestre e do seu melhor amigo.&lt;br /&gt;Mordechai assentiu.&lt;br /&gt;- Precisas que faça algo?&lt;br /&gt;Amara respondeu com um gesto negativo.&lt;br /&gt;- Não te vou enviar de volta a Lithian. – declarou – Tu és como eu. Marcado pelo negro dos condenados, dos banidos. Serias reconhecido pelo primeiro soldado que te viste. Não. Por muito que me custe obrigar-te a isto, tu ficarás comigo, nas sombras, movendo as peças do nosso jogo de guerras, não como o rei cobarde que se esconde atrás dos seus exércitos, mas como a sombra que não tem opção.&lt;br /&gt;Mordechai assentiu.&lt;br /&gt;- Se assim o queres… - disse – Mas o que farás?&lt;br /&gt;- Creio – explicou ela – que não teremos outra oportunidade como esta. Os mais capazes de entre nós encontram-se na corte, escondidos e preparados. Delenia espera a minha ordem há demasiado tempo. Creio que chegou a hora de a satisfazer. E o nosso querido conselheiro… tão próximo do rei que este lhe confiaria a sua mísera vida… Creio que não será demasiado difícil derramar o líquido adequado na taça da celebração nupcial.&lt;br /&gt;» Teremos um vingador para cada Raven. Delenia tratará do querido Adhemar, pois é a pessoa ideal para o arrancar da vida num ponto em que ele é o centro das atenções. A melhor lutadora que conheço. Lothian, o conselheiro, tratará de envenenar o rei. Entretanto, Durun e Avalen trataram de Elara e Alessandra. A rainha é apenas uma mulher destroçada, se puderem, trar-ma-ão com vida. Quanto a Elara, sei que é uma víbora escondida sob um rosto de adolescente. Morrerá com os restantes do seu sangue.&lt;br /&gt;Andros assentiu.&lt;br /&gt;- Um plano sensato. – declarou – Mas, perdoa-me que te recorde os teus fantasmas, creio que esqueces alguém.&lt;br /&gt;- Não, mestre. – respondeu Amara – Não esqueci o meu irmão. Nunca esquecerei o que ele fez e, por mais repulsa que me inspire eliminar um dos do meu sangue, Caledon é um instrumento dos Raven e poderia denunciar-nos em caso de fracasso. Tratarei também de enviar alguém para o eliminar. Não… Pensando melhor… Que mo tragam vivo, se for possível. Ainda assim, se não for, não serei eu a chorar a sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não o chorarei jamais. – repetiu Amara, tentando convencer-se a si própria, enquanto, sozinha com os seus corvos, preparava as suas ordens para que chegassem às mãos dos seus seguidores.&lt;br /&gt;Sorrindo levemente, deixou que as suas mãos deslizassem um pouco pelas majestosas penas das fúnebres aves, enquanto lhes colocava a sua mensagem, deixando, depois, que voassem em direcção ao território no inimigo.&lt;br /&gt;Não deixava de ser irónico, pensou, aquilo que estava a fazer. Eram os corvos a voz da sua mensagem, corvos que decretariam o fim dos seus inimigos, negros corvos contra os repulsivos Raven. O augúrio de uma morte anunciada, que talvez expulsasse de Lithian a sombra da sua tirania, mas que nunca acalmaria os fantasmas do seu coração. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-4481474982884890927?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/4481474982884890927/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=4481474982884890927' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4481474982884890927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4481474982884890927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/11/os-filhos-de-raven-captulo-i-parte-vi.html' title='Os Filhos de Raven - Capítulo I (Parte VI)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-4356743167917535365</id><published>2008-10-29T06:57:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T11:07:09.527-07:00</updated><title type='text'>Os filhos de Raven - Capitulo I (Parte 5)</title><content type='html'>Aproveitando a escuridão da noite, Elara decidiu visitar a bruxa Ofélia para resolver a questão que a perturbava. Nada nem ninguém poderia interferir no seu plano, não depois de tanto esforço e de tantas noites acordada acertando todos os pormenores. A poucos dias do casamento do seu irmão a bruxa Ofélia era das poucas pontas soltas que poderiam destruir o seu plano. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A caverna de Luath situava-se nas montanhas Göol, montanhas essas que separavam o reino de Lithian da floresta obscura e de onde se contavam as mais horrendas histórias, conhecida por Nigerius. Porém a caverna de Luath distinguia-se perfeitamente na cordilheira de Göol. Além de se situar nas proximidades de Lithian era coberta por uma erva diferente de todas as outras. Não era verde como a normal, nem sequer castanha quando seca durante a época de calor. Esta erva que circundava a abertura da caverna de Luath era negra, mais negra que a noite que a envolvia. &lt;br /&gt;Desde séculos que a caverna era conhecida por abrigar bruxos e feiticeiros. No inicio servia-lhes como refúgio, pois estes eram perseguidos para serem queimados na fogueira, um pequeno espectáculo que atraía toda a nobreza do reino. Mais tarde, contudo, um rei chamado Azhar, bisavô do rei presente, Amon, encontrou uma forma de utilizar os bruxos em seu proveito, e a troca de uma pequena recompensa de cinquenta em cinquenta dias os fugitivos de Luath tornaram-se subalternos do rei, informando-o sobre conspirações e ataques ao reino, além de avisarem sobre as condições favoráveis e desfavoráveis aos ataques que o próprio reino planeava. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Enquanto entrava no sinistro lugar, Elara sentiu-se um pouco indisposta. A erva negra soltava um odor estranho e nada agradável. No início da caverna prolongava-se a noite, acompanhada, desta forma, de sons de morcegos que se fundiam com a sua própria imobilidade, emitindo aqueles seus ruídos perturbadores. Alguns passos depois e já era possível a Elara descortinar uma pequena luz, não a iluminação de uma lâmpada mas sim a luz provocada por uma fogueira. Ofélia encontrava-se de costas para as chamas, observando uma pequena ratazana que vagueava nas suas mãos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Quem desliza nas sombras ao meu encontro? – perguntou, com uma voz lúgubre.&lt;br /&gt;- Pára com as frases feitas, Ofélia. – respondeu Elara sem mostrar receio – Sabes bem quem sou e a razão pela qual te procuro. Se não o soubesses, que estaria eu a fazer? Porque me arriscaria na noite se bruxa não fosses? Poupemos diálogos absurdos e tentativas de intimidação, não tenho medo deste ambiente nem do que me possas fazer, pois sabes bem que é comigo viva que mais ganharás. Cortemos nas falas sem nexo e em tentativas de simpatia falsa que somente nos consomem tempo. Tempo valioso para as duas, acredito. Sabes bem o que tenho para oferecer. E é muito mais daquilo que o meu pai algum dia te dará. &lt;br /&gt;- Cem moedas de ouro. – comentou a bruxa, apreciativamente – Realmente duvido que o rei algum dia seja generoso até este ponto. Dez moedas de ouro de cinquenta em cinquenta dias que é com o que o teu gentil pai me paga…não é grande coisa. Porém não é só pela recompensa, apesar de não poder negar que do pecado de ambição sofro, que pretendo ajudar. Na verdade fascina-me toda esta situação. A menina mais mimada do reino, a jovem que é comparada a Vénus pela sua beleza e a uma borboleta pela sua suposta fragilidade planeia escondida nas trevas as mortes do seu pai e do próprio irmão. &lt;br /&gt;- Existem coisas mais importantes que o amor dos meus e as suas patéticas preocupações com o seu rebento mais novo. Eu quero o poder a que tenho direito mas pelo qual teria de esperar décadas pois o meu pai e o meu irmão ainda se encontram à minha frente! &lt;br /&gt;- E a rainha também… - acrescentou Ofélia, provocadora.&lt;br /&gt;- A minha querida mãe é um alvo demasiado fácil para ser obstáculo.  – declarou a princesa – Não será agora, mas não demorará muito tempo. Depois do dia do casamento do meu irmão, o caminho estará aberto para mim pois o meu irmão não sairá desse dia com uma aliança no dedo mas sim com uma seta cravada no peito!&lt;br /&gt;- Pelo ouro e pelo prazer que os próximos dias me fornecerão, tens a minha palavra de que nada farei para impedir, e nada contarei. Porém devo prevenir-te. Observas esta ratazana?&lt;br /&gt;Elara observou a ratazana aos círculos na mão esquerda da bruxa. &lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- Ela anda aos círculos. Não é bom prenúncio. O teu plano poderá ainda ter alguma falha. &lt;br /&gt;- A última ponta solta eras tu. E penso já estar tratado.&lt;br /&gt;- Sim, do que conheces, de facto era eu. Porém Lithian é vasto. E o perigo pode residir até em quem desconheces. &lt;br /&gt;Elara aproximou-se da bruxa, lutando a custo para conter a irritação que a invadia.&lt;br /&gt;- E quem é? Quem é? &lt;br /&gt;- Nada mais consigo dizer.  – replicou Ofélia – Toma cuidado!&lt;br /&gt;- Vou partir então. &lt;br /&gt;- Antes de ires,  - lembrou a bruxa – há algo que me perturba. &lt;br /&gt;- Outra coisa?&lt;br /&gt;- A reacção de Rómulo. Sei que não será a melhor. Não gostará da nossa união. Presumo que, na sua cabeça, pensou que viesses cá ameaçar lançar-me à fogueira, ou cortar-me a cabeça. Nunca suspeitou que viesses propor-me um pacto.&lt;br /&gt;- Rómulo  - interrompeu Elara – é apenas um peão do qual me livrarei assim que possível. Não me levanta preocupações. É apenas um cachorrinho que obedece cegamente às minhas ordens pelo estúpido amor platónico que sente por mim. Entre um feitiço e uma arma, penso que escolherei o primeiro. &lt;br /&gt;Ofélia sorriu.&lt;br /&gt;- É uma escolha plausível. &lt;br /&gt;- Acreditando não na tua fidelidade mas sim na tua ganância parto de volta ao castelo. – completou Elara despedindo-se. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                      *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No castelo, Adhemar encontrava-se sentado numa das janelas do seu quarto, enquanto o seu primo e melhor amigo Gälart, chegado no fim da tarde daquele dia para passar uns dias no castelo até ao dia do casamento, estava sentado na cama de Adhemar. &lt;br /&gt;- Faltam alguns dias, primo. Nervoso? – questionou Gälart sorrindo.&lt;br /&gt;- Bem sabes que não.  – replicou Adhemar - Só quero que acabe o mais depressa possível. &lt;br /&gt;- Eu ficaria nervoso perante a contagem decrescente para a minha vida boémia acabar. Estar uma noite com uma mulher, recitar-lhe uns poemas para a convencer a mergulhar nos nossos lençóis é uma coisa perfeitamente distinta de passar o resto dos dias com ela. &lt;br /&gt;- Ambos sabemos o que está em jogo. Obviamente que não será para o resto da minha vida. Serão meses no máximo. Um pesadelo de meses. &lt;br /&gt;- Ora, e o amor, meu primo? E o amor? – perguntou Gälart ironicamente.&lt;br /&gt;- O que contas na tua poesia não é o que tu pensas. Se nas tuas odes homenageias o amor, no dia a dia o teu amor são vários e não um só. E é isso também que eu penso do amor. Há muitos, e em cada dia tentarei conhecer um diferente. &lt;br /&gt;Adhemar levantou-se. &lt;br /&gt;- Meu bom primo, – sugeriu o príncipe sorrindo - deixemos estas conversas fúteis e vamos até à adega real experimentar a colheita de este ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto do rei, Amon e Alessandra preparavam-se para se deitar.  &lt;br /&gt;- Ofereci o meu vestido de casamento a Ísis. Estará linda. – contou Alessandra, mostrando felicidade.&lt;br /&gt;- Porque me contas o que não me interessa? – interrogou Amon, irritado. &lt;br /&gt;- É o casamento do teu filho. &lt;br /&gt;- E é algo que não quero saber. Será uma cerimónia útil e apenas isso. &lt;br /&gt;A rainha sentou-se na cama.&lt;br /&gt;- Lembras-te do nosso? Foi um dia memorável. &lt;br /&gt;O rei agarrou a rainha pelo pulso da mão direita e levantou-a bruscamente.&lt;br /&gt;- Eu não quero saber! Percebe de uma vez que tu não tens direito sequer a olhar para mim! Não és nada! És um objecto pura e simplesmente! És ridícula! – exclamou largando-a bruscamente no chão. – Agora despe-te que é para isso que partilhas este quarto comigo.&lt;br /&gt;                                    *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rómulo vagueava de um lado para o outro em frente à porta do quarto da princesa Elara. Estava inquieto com a demora até que esta surgiu perante ele.&lt;br /&gt;- Já está tudo tratado. – afirmou a princesa.&lt;br /&gt;- Espero que as suas ameaças tenham sido aquilo que aquela coisa merece. – disse Rómulo.&lt;br /&gt;Elara sorriu abrindo a porta do quarto.&lt;br /&gt;- Não te preocupes, meu querido Rómulo. Ela não se intrometerá nos nossos planos. – respondeu Elara entrando no quarto e fechando a porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-4356743167917535365?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/4356743167917535365/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=4356743167917535365' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4356743167917535365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4356743167917535365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/10/os-filhos-de-raven-capitulo-i-parte-5.html' title='Os filhos de Raven - Capitulo I (Parte 5)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-4482338015772932824</id><published>2008-10-24T12:35:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T12:36:59.427-07:00</updated><title type='text'>Os Filhos de Raven - Capítulo I (Parte IV)</title><content type='html'>Não conseguiu conter a emoção ao reconhecer o cavaleiro que, lentamente, descia da sua montada, como se demasiado exausto para se suportar no seu próprio corpo. Mordechai, o seu amigo de infância e uma das suas melhores fontes no interior da corte dos Raven vinha ao encontro do seu refúgio, coberto pelo negro dos condenados e pela sombra de uma expressão demasiado preocupada para disfarçar.&lt;br /&gt;Dominada pela perturbação, Amara correu ao seu encontro, acolhendo-o nos seus braços com a intemporal ternura da sua relação, tão forte como se apenas no dia anterior se tivessem separado. Depois, os seus olhos encontraram os dele, e um breve sorriso de alívio surgiu nos seus lábios ao ver que, ainda que tudo o mais estivesse comprometido, a segurança do seu querido amigo não o estava.&lt;br /&gt;- Querido, querido Mordechai… - sussurrou, enquanto o sentia contra o seu corpo – Quando me anunciaram uma condenação, temi que tivesses morrido.&lt;br /&gt;O cavaleiro sorriu levemente.&lt;br /&gt;- Como vês, - respondeu – estou bem. Mas não creio que algo de tão simples deva ser motivo de alívio, quando tanto está em jogo.&lt;br /&gt;A expressão de Amara moldou-se numa máscara de severidade.&lt;br /&gt;- O que aconteceu?&lt;br /&gt;- A segurança na corte de Lithian foi bruscamente aumentada. À medida que o casamento do herdeiro se aproxima, a paranóia de Amon agrava-se e, como sabes, ele tem modos de a satisfazer. Perdões foram concedidos em troca da traição e a verdade é que vários dos nossos mudaram de lado.&lt;br /&gt;- Estamos perdidos… - murmurou Amara.&lt;br /&gt;- Não. – interrompeu Mordechai – Sabes que são muito poucos os que podem chegar até ti e esses acreditam na tua causa.&lt;br /&gt;- Na nossa causa. – corrigiu-o ela.&lt;br /&gt;- Seja. Nenhum de entre os que te conhecem te traiu ou trairá. Mas muitos deles poderão ser denunciados, como eu fui, e terão de fugir ou morrer. Está preparada para receber más notícias a partir de agora.&lt;br /&gt;Amara assentiu.&lt;br /&gt;- Não deixarei de o estar. – declarou – Mas garanto-te que, em devido tempo, vingarei ou compensarei todos aqueles que me seguirem nesta causa. Sabes que é justa, não é verdade?&lt;br /&gt;- Evidentemente. – concordou Mordechai.&lt;br /&gt;- Vou precisar que me contes tudo sobre esse casamento. – concluiu Amara – Torna-se claro que precisarei de tomar uma atitude. Mas antes quero que repouses. Apenas consigo imaginar o que terá sido para ti percorrer toda a distância desde a capital em compasso de fuga.&lt;br /&gt;- Amara, eu posso…&lt;br /&gt;- Não. – interrompeu ela – Não… Quero-te recuperado e pronto para o que vier quando a tempestade chegar. Afinal, és tu quem detém a minha máxima confiança… - acrescentou, num inesperado laivo de ternura – Descansa. Também eu preciso de meditar sobre o que vou fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-4482338015772932824?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/4482338015772932824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=4482338015772932824' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4482338015772932824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/4482338015772932824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/10/os-filhos-de-raven-captulo-i-parte-iv.html' title='Os Filhos de Raven - Capítulo I (Parte IV)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-7314552992665232688</id><published>2008-10-22T02:32:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T02:33:10.665-07:00</updated><title type='text'>Os filhos de Raven - Capitulo I (Parte III)</title><content type='html'>- Aquela bruxa velha! – exclamou Elara – Ela vai estragar tudo!&lt;br /&gt;Elara, semente mais nova da dinastia Raven, caminhava, nervosamente, de um lado para o outro, numa pequena sala do castelo, diante do olhar de Rómulo. &lt;br /&gt;- Se ela abre a boca os nossos planos serão arruinados. – comentou o guerreiro com asco. &lt;br /&gt;- Bem sei que o meu bom pai acreditará na sua frágil e inocente filha. Aquela que não se sabe proteger. Aquela que é protegida pelo guerreiro mais valente do reino – Elara olhou para Rómulo, sorrindo – Mas qualquer atraso no nosso plano será meio caminho andado para o fracasso. E eu abomino essa palavra! A nossa estratégia tem imperiosamente de ser colocada em prática no dia do casamento do meu querido irmão! &lt;br /&gt;Rómulo tirou a sua espada da bainha e ajoelhou-se perante a princesa mostrando a arma.&lt;br /&gt;- Se a princesa assim o desejar, terei todo o prazer em apagar do nosso destino tão incómoda criatura. &lt;br /&gt;Elara andava agora à volta do cavaleiro. &lt;br /&gt;- Bem sei do teu ódio por Ofélia. E é exactamente por essa razão que não posso permitir que faças tal coisa. A bruxa morta seria menos um estorvo, é verdade, porém provavelmente será mais útil viva. Se eu te ordenasse apenas para a amedrontar tenho a certeza que amanhã estarias diante de mim ajoelhado não mostrando uma espada, mas sim a cabeça da bruxa. Inventarias uma desculpa absurda qualquer, que ela tinha tentando enfeitiçar-te, que ela te tinha atacado ou prometido mal ao reino. Pois não, não quero que faças nenhum gesto. Ficarás no castelo organizando ou reorganizando o resto do plano para que nada falhe. Eu própria me deslocarei à Caverna de Luath para falar com ela. &lt;br /&gt;Rómulo olhou para ela, consternado.&lt;br /&gt;- Sozinha? Não posso permitir. O rei…&lt;br /&gt;Elara interrompeu.&lt;br /&gt;- Quer que sempre me acompanhes porque eu sou uma jovem indefesa. Bem sabes que não é verdade. Se ele questionar dirás que estou no meu quarto a repousar e não quero ser perturbada. &lt;br /&gt;- Assim será. – respondeu Rómulo, relutante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto a rainha encontrava-se com a futura nora nos futuros aposentos da mesma. &lt;br /&gt;- Ainda bem que chego em momento de tão crucial importância. &lt;br /&gt;- Não era preciso incomodar-se, minha rainha. Já tenho alguns vestidos de noiva dos quais particularmente gosto. – disse Ísis, apontando para os vestidos em cima da sua cama.&lt;br /&gt;Alessandra olhou para os vestidos com um ar reprovador.&lt;br /&gt;- Não, não, não. Esses vestidos não merecem tal honra. Não é qualquer pedaço de trapos que entrará na Igreja para se unir ao meu filho. &lt;br /&gt;A rapariga baixou a cabeça.&lt;br /&gt;- Ergue-te! – exclamou a rainha - Serás princesa! Não podes rebaixar-te. Não quero que nunca mais faças esse gesto! É uma vergonha para a família Raven! Nós somos a família real! E é um vestido real que levarás ao casamento. Livra-te desse lixo todo e depois dirige-te ao meu quarto. Lá estarei à espera com o vestido que levarás no dia mais feliz da tua vida. &lt;br /&gt;A rainha saiu do quarto deixando Ísis, aturdida, olhando para os vestidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-7314552992665232688?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/7314552992665232688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=7314552992665232688' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7314552992665232688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/7314552992665232688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/10/os-filhos-de-raven-capitulo-i-parte-iii.html' title='Os filhos de Raven - Capitulo I (Parte III)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-1717697928982986504</id><published>2008-10-19T05:33:00.000-07:00</published><updated>2008-10-19T05:35:32.584-07:00</updated><title type='text'>Os Filhos de Raven - Capítulo I (Parte II)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Amara tinha nos olhos o fulgor da tempestade e no rosto a severidade dos perdidos. Como um vulcão, nunca escondia as suas emoções, nem mesmo perante os inimigos, e a beleza dos seus cabelos de fogo, misteriosos como as trevas do seu olhar, reflectiam a sua personalidade de líder incontestável.&lt;br /&gt;- Como é possível – dizia, exasperada, enquanto caminhava de um lado para o outro na sua pequena casa – que ninguém faça o menor gesto para avançar com o plano? Serei eu a única interessada em restaurar a tranquilidade de Lithian?&lt;br /&gt;- Acalma-te, Amara. – respondeu o mestre – Sabes que as coisas não são assim tão simples. Tens noção de quantas vidas apostas no teu jogo de guerra? Se houver a menor falha, estaremos todos mortos ao amanhecer do dia seguinte.&lt;br /&gt;Amara suspirou.&lt;br /&gt;- Eu sei, mestre. – respondeu – Simplesmente irrita-me que o tempo passe tão devagar.&lt;br /&gt;Andros sorriu. Não o surpreendia, de todo, o comportamento intempestivo da sua discípula. Afinal, o seu ódio pelos Raven era algo de visceral, inviolável. Como poderia ser de outra forma, depois de tudo o que estes lhe haviam feito?&lt;br /&gt;- Creio – disse – que necessitas de um pouco mais de tranquilidade, Amara. E entendo que não é fácil para ti, enquanto o reino treme sob o peso das conspirações, ficar aqui, em Varin, à espera que as nossas forças se reúnam. Ainda assim, precisas de ter paciência.&lt;br /&gt;- Terei paciência. – declarou Amara – Mas talvez ajudasse um pouco se as nossas fontes nos  trouxessem novidades…&lt;br /&gt;Nesse momento, uma criança entrou pela casa adentro, apressada e ofegante.&lt;br /&gt;- Que se passa, Mirian? – perguntou Andros, dirigindo-se à pequena rapariga de cabelos emaranhados e olhos de azul celeste.&lt;br /&gt;- Vem aí… - balbuciou esta – Vem… Vem aí um cavaleiro.&lt;br /&gt;Amara assentiu.&lt;br /&gt;- Viste as armas dele?&lt;br /&gt;- Não traz armas. – respondeu Mirian – Vem completamente de negro e… Parece apressado.&lt;br /&gt;Andros anuiu.&lt;br /&gt;- Um condenado em fuga… - murmurou – Provavelmente, um dos nossos. Teremos sido descobertos?&lt;br /&gt;- Que os deuses tenham misericórdia. – replicou Amara – Se isso aconteceu, não nos resta salvação.&lt;br /&gt;» Mas vamos. – declarou, afastando, com as suas palavras, a sombra da espada que pairava sobre as suas cabeças – Vejamos quem é esse cavaleiro e o que tem para nos dizer.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-1717697928982986504?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/1717697928982986504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=1717697928982986504' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1717697928982986504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/1717697928982986504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/10/os-filhos-de-raven-captulo-i-parte-ii.html' title='Os Filhos de Raven - Capítulo I (Parte II)'/><author><name>Carla Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12543241113417693312</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/-XAM6GhkM2lI/TfChmRr5d4I/AAAAAAAAGMk/vL4FlZ4H73g/s220/me%2Bme%2Bme...jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1747368188162761817.post-3029045868647463449</id><published>2008-10-19T05:31:00.000-07:00</published><updated>2008-10-19T05:32:52.699-07:00</updated><title type='text'>Os filhos de Raven - Capitulo I  (Parte I)</title><content type='html'>Capitulo Primeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corvo representa uma das espécies de pássaros de maiores dimensões. Vivem em bandos com estrutura hierárquica bem definida. São aves que exibem sinais de inteligência, planeamento e comunicação entre os mesmos. Também são conhecidos por poderem ser necrófagos. Em inglês corvo é Raven. Este era o apelido da família mais nobre e poderosa do reino de Lithian. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adhemar, filho do rei Amon e da rainha Alessandra estava de braços esticados e com um ar entediado enquanto Ada, a escrava, tirava as medidas para preparar um fato. Ao lado, a mãe Alessandra observava.&lt;br /&gt;- Por mil ézios, soubesse eu o trabalho que dá a união de duas pessoas que estaria muito bem quieto. – comentou Adhemar.&lt;br /&gt;- Ora, meu filho.  – respondeu a rainha - Imagina como estará Ísis.  &lt;br /&gt;- Sabe bem porque faço isto, minha mãe. Não magique na sua mente histórias de encantar. Estamos ambos bastante crescidos para isso. &lt;br /&gt;A rainha sentou-se no sofá mais distante.&lt;br /&gt;- Já que se faz, que se faça bem feito. Bem sabes como sou. E é a nossa honra que está em questão. Quero fazer algo único.&lt;br /&gt;- Não devia estar a ter esta conversa com a minha futura esposa? Ela, sim, é bem capaz de fantasiar com essas coisas. Eu só quero que me seja permitido acabar com esta posição de crucificado para poder ir caçar. Antes que a escuridão o impeça e seja mais um dia perdido. &lt;br /&gt;- Tens razão num ponto. Devo ir ter com a minha futura nora, temo que as suas escolhas possam atrapalhar um pouco o que tenho na cabeça.&lt;br /&gt;Adhemar sorriu.&lt;br /&gt;- De certa forma, parece que é a minha mãe que vai casar.&lt;br /&gt;A rainha retribuiu o sorriso e saiu da sala. &lt;br /&gt;O rei Amon encontrava-se no trono, as mãos repousando sobre os braços da madeira luxuosa, e enquanto esperava pelo filho para ir caçar conversava com o seu braço-direito, Rómulo e a feiticeira Ofélia.&lt;br /&gt;- Diz-me feiticeira. Como está o mar?&lt;br /&gt;Ofélia aproximou-se do rei e ajoelhou-se.&lt;br /&gt;- O mar está agitado, meu rei. Um ar extremamente salgado que indica tempestade.&lt;br /&gt;- Tão perto do casamento do meu filho? Quem se atreveria? Quem na sua perfeita consciência providenciaria um ataque ao meu império neste momento? &lt;br /&gt;O rei levantou-se, furioso.&lt;br /&gt;- É bom que o Duque de Castella não pense em tal disparate! Pendurarei a sua cabeça decapitada junto à minha colecção de javalis!&lt;br /&gt;Rómulo fez sinal ao rei para se acalmar.&lt;br /&gt;- Meu bom rei, nada tema. Sabe perfeitamente que possui uma armada invencível. Bravos guerreiros que o respeitam. Que darão a vida por si!&lt;br /&gt;- E nada mais fazem que a sua obrigação! Casos não queiram ser comida para leões! &lt;br /&gt;Adhemar surgiu na sala.&lt;br /&gt;- Pronto para a caça, meu pai? &lt;br /&gt;O rei anuiu e abandonou o trono saindo da sala com o filho.&lt;br /&gt;Ofélia, a bruxa, sorriu para Rómulo.&lt;br /&gt;- Tem cuidado com a tempestade que estás prestes a enfrentar. Há um grande risco de naufrágio. Trair o capitão não é muito inteligente. &lt;br /&gt;Rómulo olhou para ela com frieza.&lt;br /&gt;- O dia em que te atirar à fogueira será o dia mais feliz da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1747368188162761817-3029045868647463449?l=osfilhosderaven.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/feeds/3029045868647463449/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1747368188162761817&amp;postID=3029045868647463449' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3029045868647463449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1747368188162761817/posts/default/3029045868647463449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osfilhosderaven.blogspot.com/2008/10/os-filhos-de-raven-capitulo-i-parte-i.html' title='Os filhos de Raven - Capitulo I  (Parte I)'/><author><name>Bruno Pereira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14650785989724050019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://fotos.sapo.pt/lastprophet/pic/0000s61f'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
