sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os Filhos de Raven - Capítulo I (Parte IV)

Não conseguiu conter a emoção ao reconhecer o cavaleiro que, lentamente, descia da sua montada, como se demasiado exausto para se suportar no seu próprio corpo. Mordechai, o seu amigo de infância e uma das suas melhores fontes no interior da corte dos Raven vinha ao encontro do seu refúgio, coberto pelo negro dos condenados e pela sombra de uma expressão demasiado preocupada para disfarçar.
Dominada pela perturbação, Amara correu ao seu encontro, acolhendo-o nos seus braços com a intemporal ternura da sua relação, tão forte como se apenas no dia anterior se tivessem separado. Depois, os seus olhos encontraram os dele, e um breve sorriso de alívio surgiu nos seus lábios ao ver que, ainda que tudo o mais estivesse comprometido, a segurança do seu querido amigo não o estava.
- Querido, querido Mordechai… - sussurrou, enquanto o sentia contra o seu corpo – Quando me anunciaram uma condenação, temi que tivesses morrido.
O cavaleiro sorriu levemente.
- Como vês, - respondeu – estou bem. Mas não creio que algo de tão simples deva ser motivo de alívio, quando tanto está em jogo.
A expressão de Amara moldou-se numa máscara de severidade.
- O que aconteceu?
- A segurança na corte de Lithian foi bruscamente aumentada. À medida que o casamento do herdeiro se aproxima, a paranóia de Amon agrava-se e, como sabes, ele tem modos de a satisfazer. Perdões foram concedidos em troca da traição e a verdade é que vários dos nossos mudaram de lado.
- Estamos perdidos… - murmurou Amara.
- Não. – interrompeu Mordechai – Sabes que são muito poucos os que podem chegar até ti e esses acreditam na tua causa.
- Na nossa causa. – corrigiu-o ela.
- Seja. Nenhum de entre os que te conhecem te traiu ou trairá. Mas muitos deles poderão ser denunciados, como eu fui, e terão de fugir ou morrer. Está preparada para receber más notícias a partir de agora.
Amara assentiu.
- Não deixarei de o estar. – declarou – Mas garanto-te que, em devido tempo, vingarei ou compensarei todos aqueles que me seguirem nesta causa. Sabes que é justa, não é verdade?
- Evidentemente. – concordou Mordechai.
- Vou precisar que me contes tudo sobre esse casamento. – concluiu Amara – Torna-se claro que precisarei de tomar uma atitude. Mas antes quero que repouses. Apenas consigo imaginar o que terá sido para ti percorrer toda a distância desde a capital em compasso de fuga.
- Amara, eu posso…
- Não. – interrompeu ela – Não… Quero-te recuperado e pronto para o que vier quando a tempestade chegar. Afinal, és tu quem detém a minha máxima confiança… - acrescentou, num inesperado laivo de ternura – Descansa. Também eu preciso de meditar sobre o que vou fazer.

4 comentários:

Leto of the Crows disse...

Que atirudes tomará Amara?
É o que espero conhecer ^^

Muito bom!

susanna disse...

eu quero saber k atitude ek a Amara vai tomar!!!!!!!
escrevei lá iss depressa :)

Göttlicher Teufel disse...

altamente, aguardo actualização ... :)

Ana Raquel disse...

Promete, deixou-me completamente colada, com vontade de continuar esta leitura fervorosamente!!!
Surpreendeu-me e irá continuar a fazê-lo.
Cinco estrelas!!!

 

site weekly hits
Corporate-Class Laptop