terça-feira, 18 de novembro de 2008

Capitulo II (Parte 5)

Na trilha que separava as montanhas Göol do território de Lithian, revelava-se um mosteiro conhecido como Herä. Este dava abrigo a vários padres ou pessoas que desejavam estar afastados do mundo, que procuravam a sua paz interior. Entre eles, encontrava-se o presbítero responsável pela cerimónia real do dia seguinte, o padre Ardheus. A distância do mosteiro até ao castelo ainda obrigava a uma viagem de algumas horas, pelo que o padre preparava as coisas para ainda começar a sua viagem de madrugada. Pensativamente, o sacerdote pançudo e de baixa altura arrumava as coisas de que precisava na sua pequena mala preta. A roupa e as substâncias proibidas eram excessivas, o que conduziu a uma luta pessoal entre o padre e a sua mala. Furioso com a mala por esta não fechar, decidiu-se por saltos, não muito altos pois o seu peso não lhe autorizava grande gincana na gravidade, mas com um vigor capaz de exibir ao obstinado objecto quem mandava.
Subitamente, a porta do seu quarto abriu-se, provocando a sua queda de cima da mala, e levando a que se estatelasse no chão. Rapidamente, Ardheus elevou-se do solo, tentando ocultar o embaraço que a situação lhe proporcionava.
- Padre Ardheus, está pronto para seguir? – questionou a Superiora Eneida.
- Sim, sim. – respondeu ele, atrapalhado – Já tenho a mala pronta.
Eneida olhou para a mala e abanou a cabeça reprovadoramente.
- Pelo inchaço do objecto, cogita permanecer lá um mês e não um simples fim-de-semana.
- São tudo coisas estritamente necessárias. – afirmou o padre, já recomposto.
- Sabe, – contrapôs a Superior – o que sempre ensinamos neste mosteiro é a usar o mínimo possível. Há quem tenha menos que nós.
- Animais do mato. – respondeu Ardheus com uma voz mais alta – São animais do mato. Vis e traidores que nem se lembram de ir às nossas cerimónias religiosas.
- Padre Ardheus! – exclamou a Superiora, subitamente imperativa - Nós não julgamos. Nós não criticamos. Nós não difamamos. É assim que funciona este mosteiro e sabia perfeitamente disso quando para cá veio. Tenho pleno conhecimento de que simpatiza com uma vida mais abundante, mas aqui ninguém deseja isso. Aproveite a sua viagem para reflectir se vale a pena regressar e, caso conclua que a nossa vida simples e sem luxos não o satisfaz, use as suas influências conseguidas por favores dos quais preferia não ter conhecimento e fique por lá.
- A minha dedicação a algo maior não tem que obrigar-me a viver uma vida de pedinte – explicou Ardheus, insinuante – Quem sabe não seguirei o seu conselho…
Antes de fechar a porta do quarto do padre, a Superiora deitou-lhe um último olhar zangado e frio.
- Não coma é muita carne nessa vida de prosperidade. - disse - Mais uns quilos que engorde e provavelmente resolvem servi-lo como prato de jantar.
Eneida bateu a porta com força, largando um Ardheus desgostoso e irritado, que, tentando acalmar a sua cólera, vasculhou na sua mala até encontrar uma pequena garrafa de vinho.
- Que o sangue de algo superior me dê animo para o que aí vem. – suspirou, abrindo a garrafa.

Fortuna. Era este o local em Lithian onde os nobres procuravam mulheres para momentos prazerosos. Em Fortuna encontrava-se a mulher mais bonita do reino e por essa mesma razão a mais apetecida, Ceres. Já muitos haviam perdido a vida por ela, muitos confrontos haviam sucedido entre nobres casados mas hipnotizados pela figura de Ceres. Era este, pois, o sítio ideal para a noite boémia de Adhemar e Gälart.
- Meu primo, – observou Gälart, sorrindo – esta noite será memorável.
- Gälart ,– começou Adhemar, retribuindo o sorriso – não é para te contrariar mas já aqui passei várias noites inesquecíveis. E continuarei a passar, até porque prevejo que quando estiver casado serão noites ainda melhores. Terá mais graça.
Ceres aproximou-se deles, rindo suavemente.
- E por falar em graça… - murmurou Gälart, deleitado.
- O que posso fazer por si, meu príncipe? – perguntou Ceres, sentando-se no colo de Adhemar.
- O que um homem e uma mulher fazem no seu quarto. – replicou este . Serás minha escrava esta noite. As moedas de ouro que entreguei chegam e sobram para as horas que pretendo.
Ceres levantou-se e deu a sua mão ao príncipe.
- Venha.

Gälart não ficou muito tempo sozinho, pois, quase de imediato, uma outra mulher sentou-se à sua beira.
- Olá… – questionou, entusiasmada – O que deseja um tão belo nobre?
- Gosta de poesia? – interrogou Gälart.
- Hoje agradar-me-á tudo o que for do seu agrado. – respondeu a mulher aproximando-se e colocando o seu braço no rosto do primo do príncipe. Este, porém, ignorou o gesto, levantando-se de forma brusca em direcção a outras duas mulheres.

A viagem do padre Ardheus já ia a meio quando se sentiu obrigado a deter-se. Apreensivo, desmontou do seu cavalo e olhou para o céu negro, para ver que sete pequenos corvos andavam em círculos crocitando. Aquele barulho assustador já o perseguia desde o pequeno cruzamento de estradas à saída do mosteiro, mas só agora compreendia a sua origem.
- O que querem? – perguntou o padre amedrontado – Eu não estou morto, seus poltrões! Não aguardem pela minha carne fresca!
Com gestos bruscos, procurou na sua pequena mala a garrafa de vinho e bebeu mais um gole.
- Eu ainda tenho muitos anos de vida! – prosseguiu, guardando a pequena garrafa no bolso da sua batina, ainda que antecipando já que viria a precisar dela mais uma vez.

- Tu sabias que és a mulher mais bonita do reino? – questionou Adhemar.
- É delicadeza sua. – respondeu Ceres, sorrindo.
- Se desejare,s prepararei um quarto para passares noites no castelo. Serás bem recompensada por isso.
- E a sua esposa? – perguntou Ceres, maliciosamente.
- A minha esposa? – repetiu o príncipe, com um sorriso cruel - Ela estará bem entretida com os tricôs.

- Rainha, rainha. – repetia Rómulo batendo na porta – Rainha, rainha.
Com um gemido arrepiante, porta do quarto abriu-se. Por momentos, a expressão desarranjada e sonolenta da rainha assustou Rómulo. Ao fundo, podia ouvir o ruidoso ressonar do rei adormecido.
- Tem que vir à porta. – disse Rómulo - O padre chegou…bêbado!

- A sua poesia é maravilhosa. – afirmou uma das mulheres que estava deitada ao lado de Gälart.
- É sim. – confirmou a outra mulher.
- Duas pérolas foi o que eu encontrei, aqui neste lugar onde nunca pensei, tanto amor achei, duas pérolas pelas quais morrerei. – recitou Gälart, enquanto incitava as duas mulheres a tocarem-se.

- Bêbado! – exclamou a rainha, olhando para o padre – A sua sorte, padre Ardheus, é que não acordei o rei, senão com certeza que a sua cabeça seria deitada aos leões!
- Minha rainha, – respondeu o padre, sorrindo exageradamente – a minha senhora não vê esta noite tão linda? A lua… – os seus olhos estavam esbugalhados – É preciso agradecermos tudo isto! É preciso beber o sangue mais divino…
- Mete o padre debaixo de água fria – disse a rainha a Rómulo – e depois arranja-lhe um quarto. Agora preocupa-me o casamento, mas a seu tempo devido encontrarei um castigo para este untuoso!

3 comentários:

c-a-l disse...

O padre mete-se nas garrafas e o principe vai às casa de alterne. Gostava de ver a noiva a fazer algo de engraçado também. Isto de só os homens se poderem divertir já pertence ao passado lol

Leto of the Crows disse...

Esta parte ficou muito engraçada, na minha sincera opinião xD

Anónimo disse...

vamos la ver, dps de termos um padre bezano, temos um principe boemio numa casa de alterne, é caso pa dizer k ele teve um bela despedida de solteiro.....lololol
gostei bastante desta parte! xD

Ryuzaki

 

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