terça-feira, 11 de novembro de 2008

Capitulo II (Parte III)

A noite avançava vagarosamente, gris e lúgubre. A chuva parou, mas o vento aumentou o seu brado, não deixando ninguém indiferente.
Nas montanhas de Göol, Ofélia encontrava-se no acolhimento da caverna de Luath. Os seus longos, sórdidos e desarranjados cabelos negros esvoaçavam, levados pelo vento, e os seus olhos estavam cravados no céu lavado de estrelas com a lua como paisagem de fundo.
- Esnot oudire corvoe rapressa! Esnot oudire corvoe rapressa! – repetiu a bruxa, com o braço direito levantado e o punho fechado.
Alguns instantes depois, um corvo anafado porém expedito irrompeu no céu, sendo custoso distingui-lo da própria noite. Empoleirou-se no punho da bruxa e crocitou, aparentando uma perturbação invulgar.
- Daei boslet anima vet? – questionou a bruxa.
Conservando-se sobre a mão tapada de Ofélia, o corvo bateu as asas três vezes.
- Dimana atarterei escozine?
A bruxa abriu a sua mão e o corvo grafou, picando com o seu bico, o nome Amara, desaparecendo depois no ar. Ofélia reteve o seu olhar na palavra escrita na sua mão, sem se importunar com o sangue que escorria da sua mão devido às crivadas do corvo.

Elara tinha conhecimento que a pequena sala ao lado do quarto do seu irmão era o sítio perfeito para rever o plano do dia seguinte. Afinal, Adhemar havia saído com o seu primo para uma noite de boémia antes do casamento. "Bendita a estupidez do meu irmão", não se coibiu de pensar. Com todo o cuidado possível, Elara juntou na pequena sala Rómulo e mais dois homens.
Travai Raillart e Archat Waillium eram os dois melhores arqueiros do reino. O primeiro odiava o rei e foi fácil de convencer a participar no plano. O segundo, desde sempre um membro fiel do exército do rei, desejava deixar os seus serviços para partir com a sua amada Anna para territórios mais calmos. Sabia, contudo, que, se o fizesse, seria acusado de traição e provavelmente morto sem qualquer julgamento. A morte do rei e a liberdade de Archat mais algumas moedas de ouro. Quando Rómulo anunciou à princesa os desejos dos arqueiros ela sorriu.
- Convoquei-vos hoje por uma simples razão – começou Elara – Não quero falhas amanhã! Não é aceitável! Qualquer erro será fatal e evitará que eu suba ao trono. O meu pai e o meu irmão têm que morrer amanhã!
- Quer rever o plano? – perguntou Archat.
- Sim, sim, quero. – respondeu Elara - Não posso permitir condescendências. Desgraçadamente, estou nas vossas mãos e não nas únicas em quem confio…as minhas. Tenho a esperança de não ter pactuado com dois arqueiros incapazes…porque se tudo não correr da forma que desejo, podeis estar certos de que as moedas de ouro serão uma utopia e a vossa morte uma certeza! Da forma mais horrenda que a minha mente tiver a capacidade de idealizar!
- Estaremos à hora marcada nas torres do castelo, desde que o cavaleiro Rómulo use as suas influências para deixar deserta a porta que nos levará às torres. – explicou Travai – Eu apontarei ao seu irmão, enquanto Archat terá como alvo o seu pai… Tudo acabará em segundos.
- E se forem apanhados? – interrogou Elara.
- Aproveitaremos a confusão para a fuga, porém, se formos presos não indicaremos o seu nome. Sabemos que depois de estar no trono nos soltará e pagará o que é devido. – sorriu Archat.
- Como poderemos confiar na sua palavra? Que garantias temos que depois do trono nos soltará? – questionou Travai.
Elara sorriu, tirou um medalhão que carregava ao pescoço e entregou-o ao arqueiro.
- Guarda isto. É um medalhão de Azhar, o meu trisavô, o único Raven digno do seu apelido. Acredites ou não, é algo de grande valor para mim. Devolver-mo-ás através de Rómulo se o plano correr bem, ou quando fores liberto caso sejam apanhados.
- Vamos embora então, antes que o seu irmão chegue. – disse Archat.
Archat e Travai saíram da sala deixando Elara sozinha com Rómulo.
- O medalhão…
- Há coisas mais importantes agora – interrompeu Elara – Caso eles sejam presos, cortarei as mãos dos dois se não me entregarem o medalhão. Para onde vão eles depois do golpe?
- Para as montanhas de Göol. Uma pequena caverna bem distante da bruxa. – respondeu Rómulo. – Mas se for seu desejo, por mais umas moedas de ouro eles podem visitar a bruxa na sua caverna para a eliminar.
- Já te disse que ela é mais importante viva do que morta. Não será obstáculo, muito pelo contrário. - Elara abriu a porta e fez sinal a Rómulo para sair. – Vamos, antes que nos vejam por cá.

3 comentários:

Leto of the Crows disse...

Eu não confiava nada nesta vil princesa... aqueles arqueiros estão mesmo a meter-se na boca do lobo...

Gostei ^^

c-a-l disse...

EStou a arder de curiosidade para saber se conseguem matar o rei e o principe ou não :p Cá por mim, faço os meus votos eheh :D Mas não digo!!!

c-a-l disse...

Ai ai o vosso relógio está lindo...Que fuso horário é esse? O meu comment foi depois das 2h GMT! :p

 

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